Mamelodi Sundowns é o primeiro campeão da Superliga Africana – outra vitória do presidente da CAF
O Mamelodi Sundowns, clube administrado pelo presidente da CAF, conquistou a primeira edição da chamada African Football League - projeto que, mesmo sem cumprir as promessas, teve uma boa primeira edição

Desde o princípio, a “Superliga Africana” foi um projeto abraçado por Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol. Gianni Infantino anunciou a ideia e seu candidato ao comando da CAF o impulsionou, apresentando a competição como uma maneira de realmente valorizar o futebol de clubes no continente. O lançamento da agora chamada African Football League não cumpriu todas as promessas, numa primeira edição mais enxuta e com premiações em dinheiro menos suntuosas. Ainda assim, dá para falar que o torneio foi uma vitória de Motsepe: ofereceu bons jogos, encheu os estádios, movimentou clubes tradicionais. E terminou com o Mamelodi Sundowns, propriedade de Motsepe, como primeiro campeão. Neste domingo, na África do Sul, os Brasileiros (apelido em referência às cores do uniforme) derrotaram o Wydad Casablanca por 2 a 0 e ficaram com a taça.
O Mamelodi Sundowns é decisivo à influência de Patrice Motsepe no futebol. O empresário possui uma fortuna estimada em US$3,1 bilhões, construída a partir de seus investimentos no setor de mineração. O clube de futebol ofereceu maior reconhecimento, pela maneira como passou a dominar o Campeonato Sul-Africano e também conquistou a Liga dos Campeões da África em 2016. Virou o homem de negócios perfeito para encabeçar o projeto da Fifa de modernização da CAF, depois de seguidos escândalos de corrupção. Eleito em 2021, passou a rezar a cartilha de Gianni Infantino, agradando outros cartolas com benefícios às suas federações. De certa maneira, a African Football League auxilia Motsepe a consolidar esse poder.
Não foi o projeto grandioso anunciado de início. A tal “Superliga Africana” surgiu como um torneio para envolver 24 times ao redor do continente, com calendário cheio e valores astronômicos em premiação. Contudo, ao menos neste pontapé inicial, os patrocinadores não compraram tanto a ideia. Até existiam promessas de investimentos massivos de China e Arábia Saudita, o que não se consumou, embora as agências estatais de turismo saudita e ruandesa auxiliem nessa primeira edição. Motsepe precisou manter os pés no chão com oito times e um formato de mata-matas simples, que até parecia entrar em conflito com a Champions Africana. Mas, dentro dessas limitações, a African Football League entregou bastante.
Champions confirmed! Mamelodi Sundowns react to the full-time whistle
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— afl_africa (@afl_africa) November 12, 2023
A primeira edição da African Football League
Oito clubes de massa participaram da African Football League. Das 14 partidas realizadas, apenas uma teve público inferior a 25 mil pagantes, enquanto a média se manteve na casa dos 40 mil. Auxiliou o incentivo dos próprios clubes e da CAF para encher os estádios, enquanto os jogos também provocaram o interesse. As rivalidades continentais foram alimentadas.
Durante as quartas de final, os times do norte da África prevaleceram. O Al Ahly eliminou o Simba, o Espérance bateu o Mazembe e o Wydad Casablanca venceu as duas contra o Enyimba. A exceção ficou com o Mamelodi Sundowns, que se deu melhor contra o Petro Atlético, num embate de subsaarianos. Já nas semifinais, quatro times acostumados a figurar nas fases finais da Champions Africana se encarariam. Desde 2016, todos os títulos do torneio continental ficaram com Mamelodi, Al Ahly, Espérance ou Wydad. Eram exatamente os mesmos semifinalistas da LC 2023.
O Mamelodi Sundowns passou pelo Al-Ahly. Diante de 30 mil torcedores, ganhou por 1 a 0 no Loftus Versfeld, gol de Thapelo Maseko. Já na volta, segurou o 0 a 0 no Estádio Internacional do Cairo e a pressão de 50 mil presentes. Na outra semifinal, mais equilíbrio ainda. O Wydad anotou 1 a 0 sobre o Espérance em Casablanca, mas os tunisianos também fizeram 1 a 0 em Tunis. A definição acabou nos penais e o WAC ganhou por 5 a 4. O brasileiro Rodrigo Rodrigues, que fez o gol com bola rolando, desperdiçou o penal.
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A decisão
A decisão ganhou peso com o duelo entre Mamelodi Sundowns e Wydad Casablanca. Os marroquinos fizeram sua parte na ida, com a vitória por 2 a 1 em Casablanca. Um gol contra de Rivaldo Coetzee entregou a vantagem para o WAC e Abdelmounaim Boutouil até empatou de pênalti, mas Anas Serrhat definiu o triunfo dos anfitriões. Aos Brasileiros, restava a confiança de contar com o apoio da torcida no Loftus Versfeld, com arquibancadas lotadas em Pretória.
O Mamelodi Sundowns abriu a vitória por 2 a 0 na finalíssima durante os acréscimos do primeiro tempo. Peter Shalulile estava atento para guardar no rebote do goleiro Youssef El Motie. Já o segundo pintou logo no início da etapa complementar, com Aubrey Modiba, em lance de muita categoria. Roubou a bola na intermediária, deixou o marcador no vácuo e depois deu um leve toque na saída do goleiro. Na reta final, os Brasileiros conseguiram segurar a diferença para celebrar a taça.
Este é o terceiro título continental do Mamelodi Sundowns. Ganhou a Champions Africana em 2016 e a Supercopa Africana em 2017, além de bater cartão nas fases mais agudas nos últimos anos. Já no Campeonato Sul-Africano, a equipe levou oito das últimas dez edições disputadas e emenda atualmente um hexacampeonato consecutivo, na liderança em busca do hepta. A chegada de Patrice Motsepe ao poder na CAF, apesar do conflito de interesses evidente, apenas consolida a imagem dos Brasileiros como uma potência local. A African Football League parece abrir novas portas.
Resta saber como será o futuro da African Football League. A promessa é de que o torneio seja ampliado na segunda edição e ganhe mais investimentos. Há bons argumentos, considerando os estádios cheios e a competitividade evidente. Porém, o que esses mata-matas ofereceram não foi muito diferente daquilo que se nota na Champions Africana. Parece excessivo ter dois torneios desse calibre acontecendo concomitantemente, ainda mais se a Superliga não mudar de formato. Neste momento, contudo, o novo torneio parece mais uma moeda de troca em busca de poder e influência. Patrice Motsepe tenta ganhar em diferentes frentes. No lado esportivo, ao menos, não se nega o triunfo.
Sundowns are crowned the undisputed champions! 🏆🌟
The @Masandawana etches their name in history 📜
The first team to secure the title with an unforgettable comeback in the 2️⃣nd leg ✅ 🟡🔵#AFL | #CAF | #FIFA | #AFLFinals pic.twitter.com/Woax3m3eS6
— afl_africa (@afl_africa) November 12, 2023



