Africa

‘Corruptos, mentirosos e ladrões’: destaque da Guiné Equatorial na CAN ataca dirigentes da federação local

Emiliano Nsue, que terminou como artilheiro da CAN, foi afastado da Seleção da Guiné Equatorial e fez graves acusações aos dirigentes

A Guiné Equatorial foi uma das grandes surpresas da Copa Africana de Nações, disputada na Costa do Marfim entre janeiro e fevereiro. Terminou como líder e invicta em um grupo que tinha Nigéria e a seleção anfitriã (que foi campeã), mas caiu para Guiné nas oitavas de final. A equipe teve um destaque claro: o capitão Emiliano Nsue, de 34 anos, o artilheiro da CAN com cinco gols. No entanto, mesmo brilhando, o atacante do selecionado foi afastado ao término da competição por “vários episódios de grave indisciplina antes e depois do torneio”.

Para se defender, ele deu abriu uma live no Instagram ao lado de Iban Salvador, outro jogador da seleção afastado, e fez graves acusações aos dirigentes da federação local.

– Me afastaram sem qualquer explicação, inventaram um regime interno ilegal. Fui humilhado na frente de todo o mundo. Vou morrer pelo meu país. A seleção está acima de tudo e de todos – afirmou, antes de acusar os dirigentes.

Inicialmente, Nsue relembrou que para a CAN de 2021, nos Camarões, os dirigentes, comandados pelo presidente da federação Venancio Tomás Ndong, teriam desviado 1 milhão de euros com a promessa de investir mais no futebol local – algo que o jogador deu a entender que não aconteceu.

– Nos Camarões, esta direção, não só o presidente, todos estes otários, cânceres e corruptos, levaram um milhão de euros. Um milhão de euros! Sabem o que nos prometeram? Queríamos entrar como jogadores na casa dos milhões de euros… mas disseram-nos que ‘este dinheiro vai para a liga local, para melhorar o futebol do nosso país'. E nós dissemos-lhes ‘presi, muito bom, muito bom'.

Outra acusação gravíssima do artilheiro da CAN foi em relação a uma falsificação dos cartões de vacina para jogarem a competição nesse ano.

– Falsificaram o cartão de vacina da Copa África. Levam dinheiro para todo lado, nos devem dinheiro e estão roubando. […] Vou atrás de vocês, vocês são os piores da Guiné Equatorial. Ou são vocês ou nós, vamos até o fim. Corruptos, cânceres e sem vergonha.

Ele ainda detalhou uma escolha no mínimo controversa dos dirigentes, que queriam que Guiné Equatorial enfrentasse a seleção de Aragão, uma minúscula comunidade autônoma da Espanha, ao invés de utilizar-se do bom momento da equipe de Nsue para marcar amistosos contra times maiores.

– No nível em que estamos, em vez de disputarmos dois jogos para subir e ter mais opções na Taça Africana de Marrocos [em 2025], nos levam para jogar contra a equipe de Aragão… Aragão! Esse é o nível intelectual desses analfabetos e ladrões que temos que suportar. Mas não posso provar isso. Esse é o meu desamparo. Nos meus 12 anos está é a pior, a maior humilhação que minha equipe, o povo da Guiné Equatorial e eu sofremos.

Para Emiliano, a restruturação tem que ser completa na federação de futebol do país. “Têm que reestruturar por inteiro, porque os dirigentes colocam seus amigos, que não trabalham e querem cobrar dinheiro dos outros. É um círculo vicioso de corruptos, mentirosos e ladrões. É isso que é. gente”, finalizou o capitão e principal jogador de Guiné Equatorial.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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