África

A técnica que quebrou a barreira do gênero e treina um clube masculino em Gana

Gana, como a maioria dos países de todos os continentes, tem espaço reduzido para a mulher dentro do futebol. Se nem sempre as equipes femininas são treinadas por mulheres, imagina as masculinas? Mavis Appiah, 26 anos, conseguiu quebrar a barreira do gênero e assumiu o comando do DC United, da segunda divisão de Gana, com duas vitórias seguidas no começo da temporada.

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Appiah foi contratada como auxiliar técnica do DC United, ano passado, depois de ter completado a sua formação em universidades locais. Possui a Licença C de treinador e deve receber a próxima em breve. Quando ficou vago o cargo de técnico do clube, ela foi a opção não tão natural assim. “Aqui em Gana, você vê homens treinado futebol dos homens e homens treinado o futebol das mulheres. Mas eu decidi mudar a tendência”, disse, ao site da Fifa. “Se você quiser alguma coisa, você não vai para onde é fácil obtê-la, você vai para onde obtê-la é um desafio. Você se desafia no mais alto nível. É por isso que eu queria treinar um time masculino”.

A jovem treinadora teve influência familiar na sua paixão pelo futebol. Seu pai foi treinador da primeira divisão de Gana. Na profissão, foi adotada como pupila por Mas-Ud Dramani, ex-técnico do Asante Kotoko, clube mais vencedor do país, e atualmente treinador da seleção feminina. E instrutor do curso de técnico ganense. “Didi Dramani sempre me passa sabedoria e orientação. Se eu encontro qualquer desafio no meu trabalho, ele sempre me ajuda. Ele sempre será meu mentor”, disse.

Appiah afirmou que já foi aceita por todos os seus colegas de divisão e que exerce a função de “pai, de mãe, de parente” dos jogadores, que sempre a tratam com muito respeito. Em outra entrevista, ao Daily Heritage, contou que nunca houve nenhum incidente desagradável. “No vestiário, os jogadores não se importam com a presença de uma treinadora. Eles não têm olhos para mim, e eu não tenho olhos para eles. Nossos olhos estão nos três pontos e não em sentimentos sexuais individuais”, explicou.

Ela acredita que, com a experiência que adquiriu, conseguiria facilmente um emprego no futebol feminino, mas quer deixar a sua marca no masculino. “Minha filosofia é sempre ser ambiciosa e mirar no topo. Se eu fizer isso, eu vou conseguir manter minha cabeça erguida. Nós deveríamos conseguir trabalhar e aprender com grandes nomes internacionais. Isso me deixaria um passo mais perto do topo”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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