Virgil Van Dijk teve um momento “agora eu me consagro”. O relógio mostrava 50 minutos e alguns trocados do segundo tempo do dérbi entre Liverpool e Everton, e o placar, apenas dois zeros. A bola caiu para ele pela esquerda da entrada da área e o zagueiro holandês achou que era Van Basten para mandar direto no ângulo. Espanou completamente. A subiu, subiu e subiu. Parecia que cairia fora, o que provavelmente decretaria o fim do jogo. Mas foi em direção ao travessão. Na dúvida, Jordan Pickford tentou empurrar para fora. Ou agarrá-la. Difícil dizer exatamente o que ele quis fazer. Mas ela bateu uma vez no travessão. Duas vezes. E caiu na cabeça de Origi: gol do Liverpool. Vitória por 1 a 0.

LEIA MAIS: Os 10 gols de Gerrard contra o Everton, na semana em que sua estreia completa 20 anos – e de dérbi

O bem jogado clássico inglês foi definido com uma das jogadas mais bizarras das quais se tem registro. E foi um castigo cruel ao Everton, que fez uma boa partida, embora tenha aceitado demais a pressão do Liverpool no segundo tempo. Antes do intervalo, porém, teve condições de sair à frente no placar. E, de qualquer maneira, perder uma partida tão importante com uma jogada dessas sempre será cruel.

 

Apesar do placar zerado, o primeiro tempo foi muito bem jogado. Yerri Mina teve uma chance precoce, aos 3 minutos, cabeceando livre dentro da área adversária. Mané respondeu, ao receber de Salah e, em ótima situação, bater forte demais e mandar por cima do travessão.

Alisson executou um milagre aos 20 minutos. Bernard cruzou, Walcott ajetou para o meio da área, e André Gomes cabeceou à queima-roupa. O goleiro brasileiro abriu os braços e se jogou na bola para impedir que ela entrasse. No rebote, Gomez ainda cortou em cima da linha. Foi a chance mais clara do jogo até então.

Porque logo em seguida o Liverpool também teve a oportunidade de abrir o placar. Salah deu o passe para Shaqiri, que entrou livre pela direita da grande área. Em vez de bater de primeira, o suíço ajeitou e deu alguns passos em direção à meta. Chutou de perna direita, e Pickford fez uma grande defesa.

No começo do segundo tempo, Mané perdeu outra grande chance. Firmino deu um passe fraco demais, mas contou com a furada de Michael Keane para encontrar o senegalês pela esquerda. Mina conseguiu pressionar, e o chute acabou indo para fora.

O Liverpool foi pouco ameaçado no segundo tempo e teve a bola. Mas, novamente, a falta de criatividade foi tremenda. A melhor oportunidade de ganhar saiu também com Origi, aos 42 minutos. A bola chegou a ele na pequena área, debaixo do gol, mas o atacante belga mandou na trave.

Aos 51 minutos, aconteceu o lance bizarro. E, expandindo a crueldade com o Everton, o gol foi justamente de Origi, que só não foi vendido na última janela porque o Liverpool não encontrou ninguém para pagar o que estava pedindo. Esses foram os primeiros minutos do belga na Premier League. Mas ele estava no lugar certo na hora certa, para dar manutenção a dois jejuns: o Everton não vence o Liverpool em qualquer lugar desde 2010 e, em Anfield, desde 1999.

E Klopp explodiu, em mais uma das suas comemorações características.