Willem II: time com nome de rei

Por André Renato
A temporada 2010/11 do Campeonato Holandês entrou em sua reta final. A briga pelo título está acirrada, assim como por vagas europeias. O que parece não estar em aberto é o rebaixamento direto para a Eerste Divisie, já que o Willem II ocupa a última colocação desde a primeira rodada. Trata-se de um time pequeno, então, certo? Engana-se quem imagina isso.
Em 1896, na cidade de Tilburg, o jovem Gerard de Ruiter reuniu-se com doze colegas para fundar um clube local, que foi batizado de Tilburgia. Um ano e meio depois, em 12 de janeiro de 1898, muda de nome para Willem II, em homenagem ao Rei William II, que reinou a Holanda entre 1840 a 1849, ano de sua morte.
Dentre as 18 equipes que disputam o atual campeonato, apenas o Vitesse é mais velho, fundado em 1892. Até a Federação Holandesa de Futebol (NVAB, atual KNVB) surgiu depois, em 1899, a qual o Willem II se filiou em 1905.
Sucesso imediato e primeiro título nacional
A liga holandesa passou por algumas fórmulas de disputa. Em 1913/14, quando o Willem II estreou na elite, o campeonato era dividido em divisão leste, oeste e sul, com o vencedor de cada uma jogando um triangular de ida e volta para definir o campeão. E os Tricolores venceram a Divisão Sul, mas, ao enfrentar Vitesse e HVV Den Haag na final, perderam os quatro jogos.
No mesmo ano eclode a primeira Grande Guerra, e a Divisão Sul, potencial zona de conflito por estar entre as rivais Bélgica e Alemanha, fica uma temporada ausente, regressando em 1915/16.
E foi esse o ano do primeiro título nacional da equipe da província de Noord-Brabant: após vencer novamente a Divisão Sul, com impecável campanha de doze vitórias e dois empates, ganhou o triangular final contra Go Ahead Eagles e Sparta Rotterdam. Na decisão, precisando da vitória sobre o primeiro, fez 1 a 0.
Período de glórias
Em 1944, o Willem II conquistou sua primeira Copa da Holanda, ao golear o Groene Ster por 9 a 2, placar esse que, até hoje, é a maior diferença de gols numa final dessa competição que é disputada desde 1898. Na temporada 1951/52, contando com quatro divisões de 14 times, os Tricolores conquistaram o bicampeonato nacional.
O terceiro título, na temporada 1954/55, teve particularidades. Com os jogadores locais, insatisfeitos com a não-profissionalização do futebol no país, migrando para outras ligas, a Federação local cedeu à pressão e organizou o primeiro torneio da era profissional na Holanda. Além disso, o Willem II foi campeão ficando à frente de seu maior rival, o NAC Breda.
Em 1956/57, ano de criação da Eredivisie, foi rebaixado, voltando após duas temporadas. Em 1959, um dos feitos de destaque foi o amistoso realizado contra o Botafogo, em Tilburg, onde foi derrotado por 4 a 1 pelo esquadrão de Garrincha, Didi, Zagallo e Nilton Santos.
Longa espera e competições europeias
Outra peculiaridade marca a história dos Tilburgers. Em 62/63, a equipe venceu sua segunda KNVB Beker, e ganhou o direito de disputar a extinta Copa dos Campeões de Copas. Ao mesmo tempo, era rebaixado na Liga.
No torneio continental teve pelo caminho o Manchester United. Após empate em um gol na Holanda, massacre inglês por 6 a 1 na volta, com hat-trick de Denis Law.
Os anos seguintes marcam um momento de estruturação administrativa e econômica, que acarretou no maior período da equipe longe da elite, entre 1967 e 1979. Sua última reestreia na Eredivisie foi em 1987, não caindo desde então.
O grande feito na Europa aconteceu em 1999/00. Sob comando de Co Adriaanse, após conquistar o vice-campeonato holandês no ano anterior, entrou na fase de grupos da UEFA Champions League. A campanha foi sofrível, perdendo duas vezes para Sparta Praga e uma para Spartak Moscou e Bordeaux, e empates contra os dois últimos. Ao fim da temporada, com o nono lugar na Holanda, o treinador deixou o clube e, desde então, nenhum outro passou dos dois anos na equipe.
Campanha 2010/11: há esperança?
Na temporada passada, o Willem II salvou-se da queda na disputa de playoffs (Nacompetitie), após terminar a fase “regular” com derrota em suas últimas seis partidas. Não é exagero dizer, então, que a campanha atual é mera continuação da anterior, pois perdeu seus sete primeiros jogos, um recorde de reveses seguidos no país.
Uma outra marca negativa já não será batida. A equipe dirigida por Gert Heerkes, no comando desde a primeira rodada, aparecia como candidata a superar o recorde negativo do RBC Roosendaal na temporada 2005/06, quando somou apenas nove pontos – e ambos terminaram o primeiro turno com quatro. No entanto, após a recente vitória sobre o Heerenveen, ao menos essa estatística não será quebrada.
Pensar na permanência direta é utopia, pois encontra-se a dezessete pontos do 15º lugar. A esperança está em alcançar o VVV-Venlo, cinco pontos acima e com vaga nos playoffs. Dia 19 de março há o decisivo confronto direto, fora de casa.
Para um time com nome de rei, não custa sonhar.



