Waddle: inglês ídolo na França
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
Vice-campeão francês na temporada 2008/09, o Olympique de Marselha se classificou para a Liga dos Campeões e busca reviver seus melhores dias, interrompidos no início da década de 90 por um escândalo de manipulação de resultados conhecido como “l'affaire VA-OM”. Na ocasião, a equipe vinha de um tetracampeonato nacional, um vice-campeonato da então Copa dos Campeões em 1990/91. O pentacampeonato francês e o título europeu, conseguidos em 1992/93, foram cassados em função da descoberta do “esquema”. O OM passou dois anos na segunda divisão e, após retornar à Ligue 1, nunca mais foi o mesmo.
Os jogadores mais lembrados daquela equipe são, de longe, o centroavante Papin e o meia ganês Abedi Pelé. Alguns coadjuvantes também brilhavam e um deles, o inglês Chris Waddle, chamava a atenção em especial por ser um dos poucos súditos da Rainha a brilhar fora do país.
Início tardio e arrebatador
Pode-se dizer que a carreira juvenil de Waddle foi realmente movimentada Nascido em Feeling, região central da Inglaterra, o jogador passou por Pelaw Juniors, Whitehouse SC, Mount Pleasant SC, HMH Printing, Pelaw SC, Leam Lane SC, Clarke Chapman e Tow Law Town F.C, todos clubes amadores de sua região. Aos 20 anos, idade avançada para procurar algum clube grande, trabalhava em uma fábrica de salsichas e tortas de carnes e, após ser reprovado por Sunderland e Coventry City, foi aceito no Newcastle que à época, como agora, disputava a segunda divisão inglesa.
Sua afirmação em St. James Park foi rápida, a ponto de garantir uma convocação para a seleção inglesa sub-21. Canhoto, atuava sempre como winger pelo lado direito, se aproveitando de seu ótimo drible, visão de jogo e precisão nos cruzamentos para a área. Além disso, se impunha pelo porte físico – tinha 1,88m, altura incomum para um extremo -.
Em 1983/84, o meia formou com Kevin Keegan, ex-técnico do English Team, e Peter Beardsley, um poderoso trio que ajudou o clube a voltar à elite do futebol inglês. Seu desempenho era bastante regular e a estreia pela seleção principal era apenas uma questão de tempo, tendo acontecido contra a Irlanda, em março de 1985. Era hora de alçar voos maiores e, no final da temporada 1984/85, Waddle se transferiu para o Tottenham por 590 mil libras.
Frustrações com o English Team
A temporada 1985/86 foi decisiva na carreira de Waddle, que se consolidou na seleção inglesa e, com atuações sólidas, garantiu um lugar na Copa do Mundo. Do banco de reservas, o meia assistiu os dois golaços de Maradona, que eliminaram os ingleses nas quartas-de-final e são exibidos à exaustão sempre que se fala em Copas do Mundo, ou Dieguito, ou Argentina…
Também presente na Eurocopa em 1988, quando os ingleses deram adeus à competição precocemente, perdendo os três jogos da fase de grupos, Waddle viveria sua maior frustração dois anos depois, no Mundial da Itália, em 1990. A semifinal entre Inglaterra e Alemanha terminou empatada em 1 a 1 e foi para os pênaltis. O meia chutou a cobrança decisiva para fora e selou a derrota inglesa por 4 a 3.
Consagração em Marselha
Antes mesmo do Mundial, Waddle já havia trocado os Spurs pelo Olympique de Marselha por um preço considerado altíssimo para a época: 4,5 milhões de libras. Os franceses, atuais campeões nacionais, queriam dominar o continente e, para isso, contavam com nomes como o brasileiro Mozer, os supracitados Abedi Pelé e Jean Pierre Papin.
A tentativa fracassou, mais uma vez, na disputa de pênaltis, contra os iugoslavos do Estrela Vermelha, em 1990/91. Ainda assim, os três campeonatos nacionais conquistados, somados aos golaços e à sintonia com Papin o consagraram como o maior jogador inglês a atuar na França. Mais do que isso, “Magic Chris” foi eleito pela torcida do OM o segundo melhor jogador do clube no século XX, perdendo apenas para Papin, numa eleição realizada no centenário do clube em 1998.
De volta para casa
Em 1992, já com 32 anos, Waddle acertou seu retorno à Inglaterra para jogar seus últimos anos como profissional. O Shefield Wednesday era seu destino, e o meia, em quatro temporadas, exibiu um nível razoável, sempre abastecendo o ataque com boas assistências e marcando poucos, porém belíssimos, gols.
Em 1996, o meia acertou sua transferência para o Falkirk, da Escócia, onde disputou apenas quatro partidas. Antes de encerrar a carreira, em 1999, passou ainda por Bradford City, Sunderland, Burnley e Torquay United. Atualmente, Waddle é comentarista esportivo de duas emissoras de TV inglesas e da “Radio BBC”, além de colunista do jornal “The Sun” .