Vermelho desbotado

O drama da eliminação aconteceu, e os principais medos do grande inglês Liverpool se concretizaram. O time comandado por Rafael Benítez não contou com a sorte de sempre, e não poderá nem sonhar com a fama de sucesso europeu que consolava e impedia o clube de remoer 20 anos de jejum na Inglaterra.
A situação na rodada já não começou como das mais favoráveis, pois os Reds precisavam não só da vitória na Hungria contra o Debrecen, como torciam pelo triunfo do já classificado Lyon contra a “mais viva do que nunca” Fiorentina, na Itália. Sua parte, o elenco dos ingleses fez. Mas não poderia esperar que os franceses lhe dessem uma mãozinha desta vez e, acompanharam o resultado no Artemio Franchi, onde um OL sem muita inspiração ou mesmo incentivo não conseguiu impedir que os donos da casa partissem pra cima sonhando com sua classificação.
Mesmo que apenas com um gol de pênalti, a Viola conseguiu sua merecida vitória, e os lioneses não se deram ao trabalho de tentar virar. A equipe comandada por Cesare Prandelli selou uma boa campanha na fase de grupos e, com 12 pontos, está nas oitavas de final do torneio.
Azar dos Reds? Trabalho ruim de Benítez? As desculpas podem ser inúmeras, mas alguns fatos certamente devem ser destacados: o Liverpool ainda tem uma dependência gritante dos pilares do time, Steven Gerrard e Fernando Torres que, quando ausentes, como nos principais jogos da campanha, veem a equipe toda desmoronar. A bola não chega ao ataque sem o capitão da seleção inglesa, enquanto sem o espanhol, parece que ninguém consegue mandar a pelota para o fundo das redes. Não precisa de muito para perceber. Por outro lado, as apostas do treinador espanhol não se mostraram de maneira alguma eficazes, ao menos no nível de qualquer grande time que se disponha a brigar por títulos. Também pode-se culpar a má atuação de alguns jogadores, como Lucas e Ngog, que simplesmente não apareceram como esperado.
O fato é que os Reds não jogaram bem, e não mereceriam ficar de igual pra igual com um Lyon que foi impecável, eficiente e maduro; ou contra uma Viola que mostrou mais frieza, determinação e força. O destino do time inglês se desenhou desde a primeira rodada: magra vitória por 1 a 0 em Anfield contra a equipe mais fraca da chave? Derrota para a Fiorentina em seguida, e mais um revés em casa para o Lyon, com um gol de Lisandro López no final da partida… Benítez pediu para ser eliminado. E sabe que está com a corda no pescoço e basta continuar assim, que será como pedir para ser demitido.
Agora, resta a torcida lamentar e tentar acreditar que entoar o “you will never walk alone” vai funcionar. Pois eles não só amargam o insignificante sétimo lugar na Premier League, como agora terão que se contentar com a vaga na Liga Europa. Se é que isso serve de consolo pra alguém.
Polindo a taça
Do outro lado dos grandes que temiam o pior, o Barcelona fez o que tinha que fazer e saiu do Camp Nou extremamente satisfeito. Venceu por 2 a 0 o principal rival da chave, a Internazionale, e assumiu a liderança do grupo F. Não bastasse isso, teve um desempenho digno do atual campeão europeu que tem muita estima pelo seu troféu, e cresceu no momento certo, afastando qualquer medo anterior de eliminação precoce.
Deu gosto de ver um Barcelona rápido, habilidoso na troca de passes, organizado e nitidamente superior à adversária. Nos primeiros 45 minutos, os nerazzurri mal viram a bola e, mesmo em uma partida sem os “craques” Lionel Messi e Zlatan Ibrahimovic, o jovem Pedro e Thierry Henry deram conta do recado. O francês participou dos dois gols, em um desviando a bola de cabeça para que Gerrard Piqué abrisse o placar. Daniel Alves também jogou muito bem, enquando Andrés Iniesta foi deslocado para a direita na ausência do argentino, abrindo espaço para o brasileiro atuar mais ofensivamente. Assim, o grupo soube jogar coletivamente, valorizando posse de bola. A sensação que ficou no final da partida é que 2 a 0 saiu barato para a visitante.
Na segunda etapa, a equipe italiana se posicionou melhor e impediu que os culés fizessem sua passagem pelo lado catalão ainda pior. A ausência de Sneijder foi bastante sentida na armação. Porém, o goleiro Valdés foi certamente o que menos foi exigido em campo. O comando de Josep Guardiola foi extremamente eficaz e, mesmo sem seus dois principais atacantes, conseguiu com o talento do seu elenco manter o time ofensivo bastante.
Para as duas equipes, a expectativa é boa. Aos blaugranas, um simples empate, ou até derrota contra o Dynamo Kiev fora de casa bastam para ir às oitavas e manter o sonho do bi. Já os nerazzurri têm a tranquilidade de jogar em Milão contra o Rubin Kazan. Porém, vale salientar que os times do Leste Europeu deram bastante trabalho na fase de grupos, e não foi à toa que os quatro clubes do grupo F se embolaram durante os últimos jogos da Liga dos Campeões.
Entre definidos e indefinidos
O Milan deu a impressão que continuaria sua fase de ascensão, abrindo o placar rapidamente com Borrielo na partida contra o Olympique de Marselha, em San Siro. Porém, o gol de Lucho González empatou o jogo e as duas equipes levaram a decisão para a rodada final, aparentemente satisfeitas com o resultado. No mesmo grupo C, o Real Madrid fez sua parte e venceu o Zürich sem o brilho da estreia, apenas com um gol de Higuaín.
Outra equipe italiana a se comprometer foi a Juventus, que fez até aqui uma campanha absolutamente mediana, e mais uma vez surpreendeu negativamente, perdendo por 2 a 0 para o Bordeaux. Tudo bem, os franceses foram o destaque positivo do grupo A, e se classificaram já na rodada anterior; porém nada justifica que a favorita Vecchia Signora tenha deixado para, no sufoco, dividir a segunda vaga da chave com o também decepcionante Bayern de Munique.
Os bávaros fizeram sua parte e venceram o modesto Maccabi Haifa, e, com o tropeço da Juve, continuam a dar alguma leve esperança ao técnico Louis Van Gaal. Pode-se dizer que os bianconeri só não estão eliminados porque os rivais alemães não tiveram força de vontade o suficiente pra buscar a vaga antes, e vivem uma fase de entristecer qualquer torcedor do time de Munique.
Já o Wolfsburg e o CSKA esquentaram a briga pela segunda vaga nas oitavas do grupo D. Enquanto o Manchester United jogou como quem nada mais precisa, e perdeu para o Besiktas 1 a 0, os Lobos e o Exército Vermelho fizeram um belíssimo jogo no estádio de Luzhniki. Os alemães saíram na frente, mas os russos acreditaram e arrancaram a virada na segunda etapa, com um jogo de velocidade e apostando no talento de Milos Krasic, que foi de londe o melhor em campo pelos moscovitas. Um empate dava a vaga para os alemães, mas a virada segurou o CSKA na disputa.
O Arsenal foi mais um a se garantir com uma tranquila vitória sobre o Standard Liège, pelo grupo H, cumprindo seu papel sem grandes problemas. A decisão ficará mesmo por conta dos belgas e do Olympiacos, uma vez que o AZ já está eliminado. Porém, os gregos enfrentam os Gunners na última rodada, em Pireu, o que poderá dificultar sua vida.
O Sevilla impressionantemente foi surpreendido pelo Unirea, que continua vivo na disputa por uma das vagas. O Stuttgart segue respirando, após vencer o Rangers, que já está jogando de maneira tão enfadonha, que poderia ter dado adeus ao campeonato e evitar a humilhante participação final.



