Venezuela: em franco crescimento

 

Por André Renato

Uma das sensações mais interessantes de se acompanhar no futebol é a evolução de uma seleção: o crescimento defensivo do Brasil, a melhora tática dos africanos ou a perda da “inocência” dos asiáticos. Mas, talvez, o melhor sentimento é o de ver um país sem tradição, passando anos levando surras históricas, se tornar uma seleção, enfim, competitiva.

A vizinha Venezuela, que entrará no qualificatório para a Copa do Mundo de 2014 como real postulante a uma das cinco vagas, é um desses casos. Hora, então, de sabermos mais sobre a terra de Bolívar e Chávez.

A origem do futebol

Como em boa parte dos países, foram os ingleses que introduziram o esporte na Venezuela, no ano de 1876. A partir daí, há um hiato de mais de quarenta anos até o começo da organização do futebol local. Somente em 1920, na capital Caracas, foi firmado o primeiro campeonato nacional.

Em 1923, com a necessidade de uma entidade que cuidasse do esporte, é fundado o Alto Tribunal de Football. A nomenclatura é alterada inúmeras vezes, até chegar, em 1952, a atual Federação Venezuelana de Futebol, ano em que se filiou à FIFA e Conmebol.

Nasce a Vinotinto

A primeira aparição oficial de uma seleção venezuelana aconteceu em 1938, fora de casa, contra o Panamá, perdendo por 3 a 1. Os visitantes atuaram com uma camisa cor de vinho que, segundo a crença, é o resultado da mistura das cores amarelo, azul e vermelho – as três da bandeira nacional. Nascia a “selección vinotinto”.

Vale notar que, em 1938, já eram disputadas treze edições de Copa América e o terceiro Mundial ocorreria naquele ano, o que ajuda a entender o porquê, até hoje, pagam por esse período de estagnação.

Primeiros feitos

A estreia em Eliminatórias acontece para a Copa de 1966, perdendo os quatro jogos disputados. Em contrapartida, na primeira participação em Copa América, em 1967, no Uruguai, obteve sua melhor classificação final até hoje, terminando em quinto, embora com apenas seis participantes, vencendo a Bolívia por 3 a 0. Na derrota para o Chile, uma curiosidade: pela semelhança dos uniformes, os venezuelanos entraram em campo com a camisa do Peñarol.

No ano seguinte, na segunda participação em Eliminatórias, conseguiu o primeiro ponto, ao empatar, em casa, com a Colômbia.

Já em 1980, a seleção participou de sua única Olímpiadas, em Moscou, herdando a vaga da Argentina, que aderiu ao boicote dos Estados Unidos à União Soviética. Não avançou da primeira fase, perdendo para os donos da casa e Cuba, vencendo apenas a Zâmbia.

No ano seguinte, a primeira vitória em Eliminatórias, batendo a Bolívia por 1 a 0, em Caracas.

Dolgetta e Arango

Dois personagens ajudaram a elevar o nome do país no cenário futebolístico. Um é José Luis Dolgetta, artilheiro da Copa América de 1993 com quatro gols, o primeiro venezuelano a conseguir tal honraria.

Mas é o segundo o grande nome da história do país. Com a saída de Samuel Eto’o, o Mallorca decidiu apostar no desconhecido Juan Arango, do Pueblas-MEX. Em cinco anos de Espanha, marcou 58 gols, tornando-se o segundo maior artilheiro da equipe na história – atrás do camaronês, com 62.

“Lanceros de Páez”

O grande salto começa a partir de janeiro de 2001, quando Richard Páez assume o comando técnico. Foi nesse período que os venezuelanos apresentaram sua maior evolução, em uma equipe que ficou conhecida como Lanceros de Páez, nome dado aos integrantes do exército durante a Guerra da Independência da Venezuela, sob comando do militar José Antonio Páez.

Nas Eliminatórias para o Mundial de 2002, a primeira vitória fora de casa, sobre o Chile. Para o de 2006, embala uma série de três vitórias consecutivas e termina a quinta rodada entre os quatro melhores.

O evento que sacramentou a evolução foi a Copa América de 2007, com inédita sede no país, sendo um sucesso de público. E a seleção da casa não decepcionou, terminando o grupo na liderança, caindo nas quartas de final para o Uruguai.

A melhor campanha em Eliminatórias veio na edição seguinte, mas Páez comandou apenas até a quarta rodada, renunciando ao cargo em novembro de 2007, dando lugar a César Farías, atual treinador e responsável pela vitória em amistoso contra o Brasil, 2 a 0, em 2008.

Momento exportador e o futuro

Deixando para trás a imagem de país do beisebol, era normal que surgisse o interesse da Europa nos jovens jogadores da Venezuela, iniciando um inédito período de exportação de talentos, impulsionado pela estreia em Mundiais sub-20, em 2009, revelando Yohandry Orozco e José Salomón Rondón.

Já não é motivo de espanto encontrar jovens venezuelanos em médios clubes da Europa. Orozco (Wolfsburg), Rondón (Málaga), Nicolás Fedor (Getafe), Tomás Rincón (Hamburg), Ronald Vargas (Club Brugge) e Roberto Rosales (Twente), aliados à experiência de Arango, Renny Vega, José Rey e Giancarlo Maldonado, serão os responsáveis por tentarem dar o último passo da evolução: disputar uma Copa do Mundo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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