Vanuatu: diversidade oceânica

Vanuatu é um daqueles lugares onde as pessoas vão apenas para descansar. Trata-se de um arquipélago de 83 ilhas, das quais duas – Matthew e Hunter – são reclamadas pela Nova Caledônia, vizinho mais ao sul e dependência da França. A maioria das ilhas são montanhosas (muitas delas de origem vulcânica) e têm clima tropical, o que acaba por atrair muitos turistas, base da economia vanuatuense.

Vanuatu (que se chamava Novas Hébridas quando ainda era colônia francesa) também tem a fama de ter uma vegetação bastante típica, chamada ‘Selvas de Vanuatu’. Esse tipo de bioma também é visto em diversas áreas de Nova Caledônia, Fiji e Ilhas Salomão e é chamado por muitos de ‘Mata Atlântica do Pacífico’.

Mesmo com menos de 12 mil quilômetros quadrados, há grande diversidade étnica e cultural no país, o que fica bastante evidente no fato de existirem três idiomas oficiais: o inglês, o francês e o bislama, língua local que mistura inglês, francês e elementos dos mais de 113 linguagens locais.

O futebol

Para um país onde o críquete é extremamente popular (dos pouco mais de 200 mil habitantes, 8 mil são jogadores federados), o futebol de Vanuatu até que teve bons momentos mesmo em períodos em que o esporte em toda Oceania não tinha destaque algum. Vanuatu chegou a ser quarto colocado na Copa da Oceania de 1973, disputada na Nova Zelândia e vencida pelos donos da casa.

Mas o grande momento da seleção aurinegra veio na disputa pela vaga na Copa de 2006, quando venceram por 4 a 2 os All Whites da Nova Zelândia (considerada a segunda força da Oceania quando a Austrália ainda jogava por lá) na histórica data de 2 de junho de 2004. Os gols foram marcados por Seimata Chillia, Lexa Bibi, Jean Maleb e Alphonse Qorig, imediatamente alçados à categoria de ídolos eternos. Vanuatu não passou à fase final – a vaga ficou com as Ilhas Salomão –, mas já valeu como uma recompensa pelo bom trabalho dos vanuatuenses, especialmente graças ao comando do uruguai Juan Carlos Buzzetti.

Evolução

O futebol em Vanuatu ainda é amador e não tem uma liga de futebol profissional: a Premia Divisen, primeira divisão nacional, é disputada desde 1994 e faz parte de uma pirâmide que ainda conta com a Fes Divisen (a Segundona local) e a Division Two (que, apesar do nome, é a terceira divisão).

Em 2008, um novo modelo de torneio foi implantado, com grupos regionalizados classificatórios: Port Vila, Espiritu Santo, Malampa, Penama, Sanma, Tafea, Shefa e Torba, cada uma representando as províncias locais. Ainda em curso, o previsível é que o Tafea vença o campeonato pela 15ª vez seguida, o que bateria o recorde do letão Skonto Riga, que venceu um campeonato nacional 14 vezes em seqüência. Outra grande curiosidade é que o goleiro do Tafea, David Chilia, além de ser pai do goleador Seimata Chilia, está no gol do time vermelho desde o primeiro título, em 1994.

O Tafea, que atua na capital Port Vila, chegou à fase semifinal da Liga dos Campeõs da Oceania e foi eliminado pelo Kossa, das Ilhas Salomão, que foi à final e enfrentou o Waitakere United, da Nova Zelândia, quando perdeu. O time neozelandês estará no Mundial de Clubes da Fifa pelo segundo ano consecutivo.

Os destaques da seleção vanuatuense atual são o atacante Seule Soromon (que atua no Tapuji Imere, o primeiro time-empresa do país), o meia Ettiene Mermer, que joga no taitiano Manu Ura e o jovem goleiro Chikau Mansale, do Tapuji Imere, de apenas 17 anos e considerado um dos melhores valores da nova geração do futebol da Oceania.

(Colaborou Luiz Fernando Bindi)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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