Um gigante completa 120 anos

Completar 120 anos é difícil. Chegar a essa idade esbanjando saúde, como vice-campeão da América também não é tão simples. Mas o Peñarol conseguiu. Dono de um histórico de conquistas invejável, o clube uruguaio comemorou seu aniversário com uma grande festa realizada nesta quarta-feira. Para contar um pouco mais sobre o clube e as comemorações, convidei o amigo Alexandre Aníbal, do Futebolportenho.com.br, para falar um pouco do time carbonero e das comemorações.

Aníbal, que é descendente de argentinos e tem parentes uruguaios, é fã do clube. Acompanha os jogos, torceu durante a Copa Libertadores e conhece bem esses 120 anos de história. As palavras abaixo são dele:

Com cerca de 50 mil sócios e situação financeira muito melhor que em outros tempos, o Peñarol festejou seus 120 anos nesta quarta-feira, no estádio Centenário, lugar adequado para a celebração do aniversário de um gigante do futebol uruguaio.

A festa teve de tudo. Começou com desfiles dos jogadores das categorias de base do clube dos representantes das torcidas do Peñarol espalhadas pelo interior uruguaio, a exibição de um filme com a história do clube, homenagens aos jogadores que conquistaram as Copas Libertadores e os Mundiais Interclubes, além de premiações especiais a Alcides Ghiggia e Fernando Morena, ídolos históricos da equipe. Mais do que isso, a torcida também recebeu uma homenagem especial e levou a maior bandeira do mundo, que foi desfraldada pela primeira vez nesse ano no próprio Estádio Centenário.

No último ato das comemorações, foi disputada uma partida entre o Peñarol e o San Lorenzo, da Argentina. Estiveram em campo nomes como Fernando Morena, Pablo Bengoechea, Rubén Paz e outros jogadores históricos do clube, como Roberto Saralegui e Nicolás Rotundo. O estádio estava completamente lotado, e muitos torcedores foram às lágrimas durante a comemoração.

Essa história toda começou no dia 28 de setembro de 1891, quando um grupo de funcionários da Central Uruguay Railway Company of Montevideo (CUR), companhia que construía as ferrovias no Uruguai, fundou um clube para os momentos de folga do trabalho pesado. O clube foi chamado de Central Uruguay Railway Cricket Club (CURCC) e usava as cores amarela e preta, por causa da Locomotiva Rocket, popular naqueles tempos.

Fundado no bairro montevideano de Peñarol, era extremamente complicado para os habitantes do local pronunciarem aquele nome comprido inglês. Assim, começaram a chamá-lo também pelo nome de Peñarol. Como todo clube com influência britânica, o clube começou a praticar o futebol e vencer os torneios uruguaios promovidos pela Associação Uruguaia de Futebol. Já muito popular, o clube passou a ser objeto de discussões internas. Em 1912, vários sócios que não eram funcionários da CUR propuseram alterar o nome para “CURCC Peñarol”. No ano seguinte, a diretoria da CUR aprovou a entrega do clube aos sócios, separando-o completamente da empresa, e em 1914 o CURCC virou o Club Atlético Peñarol.

Detentor de 46 títulos uruguaios (e mais dois em estudo para que sejam reconhecidos como nacionais), cinco Libertadores, três Mundiais e uma Supercopa de Campeões Intercontinentais, o Peñarol se tornou um dos clubes mais populares do Uruguai, da América do Sul e do mundo. Jogadores como Obdulio Varela, Pedro Rocha, Schiaffino, Piendibene, Ghiggia, Gonçálves, Mazurkiewicz, Spencer, Morena e Bengoechea se consagraram vestindo a belíssima camisa aurinegra do “Carbonero”, apelido mais popular do clube.

A expressão “a lo Peñarol” é usada pelos torcedores aurinegros para sintetizar algo como acreditar no impossível, nunca desistir. E, seja desde 1891 ou 1914, o Peñarol sempre vai ser conhecido pelo fato de acreditar a todo instante, personificando a velha e boa garra uruguaia. E os rivais do continente sabem muito bem disso.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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