Uganda: Novas esperanças

Por Leonardo Rossatto

Uganda é um país localizado na região central da África, conhecido por abrigar a nascente do Rio Nilo (que fica no Lago Vitória). A seleção tem destaque local – é fundadora da CECAFA (Conselho das Associações de Futebol do Centro e Leste Africano), e maior campeã da Copa CECAFA, com 11 conquistas – mas nunca conseguiu destaque continental, tendo como resultado mais expressivo o vice-campeonato da Copa Africana de Nações de 1978. Que, por sinal, foi a última disputada pela seleção ugandense.

No entanto, é um fato triste para o país o fato dos melhores desempenhos ugandenses em competições locais terem se dado com o país sob a égide cruel do ditador Idi Amin, que patrocinava o esporte, mas promoveu intensa limpeza étnica – a intenção era tornar Uganda um “país de negros” – e o maior genocídio da história do país (para conhecer melhor a história, uma opção é assitir o filme “O Último Rei da Escócia”, lançado em 2006).

A seleção nacional tem o simpático apelido de “The Uganda Cranes” (os guindastes de Uganda). De fato, como é comum em todo o território africano, os habitantes do país são extremamente fanáticos pelo esporte, sendo comuns manifestações violentas da torcida em desempenhos sofríveis da seleção nacional.

Depois disso, a seleção deixou de participar de muitas competições até o início da década de 1990, em virtude da situação política do país, envolto em uma guerra civil que durou uma década e resultou em três golpes de Estado sangrentos entre 1979 e 1986, com constantes abusos. A situação só se estabilizou em 1996, quando foram realizadas as primeiras eleições democráticas no país desde a década de 60.

O renascimento

Desde 1996, existe um esforço de internacionalização da seleção do país. Para a seleção adquirir experiência internacional, a FUFA (Federation of Uganda Football Associations) decidiu que uma boa opção seria a contratação de treinadores estrangeiros para a equipe. No entanto, a primeira experiência foi um fracasso, com o treinador nigeriano Harrison Okagbue conseguindo péssimos resultados, a seleção sendo vítima da violência da torcida e o treinador deixando o comando da equipe em 2001, declarando que “Uganda era um inferno”.

Devido à experiência traumática, a seleção só contratou treinadores estrangeiros novamente em 2006. O húngaro Csaba Laszló chegou com a missão de classificar Uganda para a Copa Africana de Nações de 2010, dado que a classificação para a Copa do Mundo era um objetivo irreal. Para isso, contou com o reforço de alguns bons jogadores revelados no país, que conseguiram experiência atuando na Europa e em campeonatos maiores, no continete africano. Alguns deles estão na seleção até hoje, como Ibrahim Sekagya (atualmente atuando pelo Red Bull Salzburg), David Obua (atualmente no Heart of Midlothnian) e Andrew Mwesigwa.

Nas eliminatórias para a Copa de 2010, o time ficou em terceiro, em um grupo com Benin, Angola e Níger, empatados em pontuação com os Palancas Negras e com dois pontos a menos que a equipe do antigo reino de Daomé. No entanto, apesar do fracasso, o resultado mostra a evolução da equipe, que atualmente disputa espaço com relativo equilíbrio entre as equipes mais fortes do continente. No entanto, o bom futebol apresentado não foi suficiente para garantir a permanência do treinador húngaro no cargo, e um novo projeto foi iniciado em 2008, visando a CAN 2012.

Novas esperanças

As esperanças de sucesso nessa nova empreitada são aumentadas pela curva ascendente no desempenho da seleção. Desde que Bobby Williamson, treinador escocês com experiência em times como Kilmarnock e Hibernian, assumiu a seleção, em 2008, Uganda já venceu duas Copas CECAFA (em 2008 e 2009), e vem tendo desempenho razoável nos últimos amistosos, com vitórias sobre Tanzânia e Ruanda e um empate com a seleção de Zâmbia, no mês de agosto.

Para a CAN 2012, a seleção de Uganda encontrou um grupo relativamente acessível. Além da favorita seleção de Angola, o time enfrentará o Quênia, rival local sobre o qual Uganda vem tendo certa vantagem nos últimos confrontos, e a seleção de Guiné-Bissau, que deve ser o sparing do grupo. Existem chances razoáveis do time se qualificar como um dos três melhores segundos colocados ou de surpreender a seleção angolana.

No jogo de estreia, a seleção deixou a melhor impressão possível: goleou a seleção angolana, em casa, por 3 a 0. Tirando o aparte do Mandela National Stadium estar em péssimas condições, o time se impôs sobre a forte seleção angolana, e mostrou que vai lutar arduamente pela qualificação para sua primeira Copa Africana de Nações em 34 anos.

O objetivo agora é continuar no caminho certo e relembrar o desempenho das boas seleções anteriores à guerra da década de 80, conseguindo novamente um lugar de destaque entre as seleções do continente. Mas, desta vez, sem ter sobre si o peso de representar alguém que matou milhares de pessoas em nome de sua loucura e ostentação.

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Equipe Trivela

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