Três volantes
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Um extra-terrestre que caísse hoje no Brasil e lesse as análises de São Paulo x Corinthians teria a certeza de que a humanidade não tem jeito. Teve de tudo, como de costume, mas desta vez a pobre “realidade” foi solenemente ignorada. A começar pela descrição do jogo como “sonolento”. Pode não ter sido um primor de técnica, mas sonolento? Só se o indivíduo já tinha tomado umas e outras.
Vi também críticas a Adílson dizendo que ele “mexeu pouco” no time. Estas eu não vou comentar. O cara passa meses cagando no time, colocando meia na zaga, goleiro na ponta e centroavante no gol e, quando estabelece um time e ele começa a jogar bem, neguinho diz que ele “mexeu pouco”!?
A ignorância maior e mais repetida, entretanto, foi a de que o São Paulo jogou retrancado, e com três volantes. É uma bobagem, além de ser uma falácia. Se Adílson pode ser criticado nesta partida é justamente porque, no final do jogo, seu time foi de maneira kamikaze ao ataque e quase levou um gol. O São Paulo atacou o jogo inteiro, e não marcou o gol porque 1- Lucas é muito pior do que os são-paulinos gostariam que ele fosse e 2- o time não tem centroavante.
Mas a bobagem maior é dos três volantes. Carlinhos Paraíba, meia. Welington, segundo volante. Casemiro, showman, cara que tenta ser um meia mas não é, mas que a única coisa que não é, é volante. O São Paulo jogou, portanto, para quem enxerga futebol, sem nenhum volante, e não com três.
Sim, o São Paulo poderia ter ganho o jogo. Por outro lado, teria sido estúpido correr riscos exagerados para chegar a isso. Carpegiani o fez, e tomou de cinco. Perder do Botafogo é uma coisa; do Corinthians, outra totalmente diversa. Adílson acertou no time, não mexeu no que estava funcionando e nem expôs sua equipe mais do que deveria. E mesmo assim o São Paulo matou o Corinthians.
Por que não ganhou? Porque Cícero é ridículo. Porque Casemiro é ridículo. Porque Lucas é menos decisivo que Denílson, o antigo. E porque o são-paulino insiste em achar que os caras são craques.
Fosse eu o presidente vendia logo os dois – e o Henrique. Não vão valer nem 10 milhões muito em breve. Acham que são craques formados, quando não são, e nem serão. Casemiro tem potencial, mas é evidente que a máscara o segurará. E Lucas, desculpem, é apenas um pouquinho melhor do que Oscar. Que, qualquer um que veja o futebol sabe, é o novo Sérgio Mota.