Futebol inglês

Rosenior rompe silêncio sobre passagem pelo Chelsea: ‘Eu não sou uma piada!’

Ex-comandante dos Blues relata impacto das críticas, questiona narrativa construída sobre sua trajetória e deixa mistério no ar

Liam Rosenior abriu o jogo sobre sua passagem pelo Chelsea e classificou o período no comando do clube londrino como a “melhor experiência” de sua vida, apesar das dificuldades enfrentadas. Atualmente técnico do Paris FC, o inglês de 42 anos afirmou que a experiência na Premier League também foi a mais difícil de sua carreira e deixou no ar a possibilidade de revelar, futuramente, detalhes sobre o que aconteceu nos bastidores.

— Foi a melhor experiência da minha vida, e também a mais difícil. Foi fantástico, mesmo tendo durado apenas quatro meses — disse em entrevista ao “So Foot”.

A chegada de Rosenior, que havia trabalhado no Strasbourg, também integrante do grupo de clubes comandado pelos mesmos proprietários do Chelsea, trouxe inicialmente resultados positivos. O técnico venceu seis dos primeiros sete jogos, tendo como única derrota o confronto contra o Arsenal pela Copa da Liga Inglesa.

O cenário, entretanto, mudou consideravelmente nas semanas seguintes. Nas 16 partidas posteriores, o Chelsea conseguiu apenas quatro vitórias e atravessou uma sequência particularmente negativa, com sete derrotas nos últimos oito compromissos sob o comando do inglês. Em abril, a diretoria decidiu pela demissão do treinador, posteriormente substituído por Xabi Alonso.

Rosenior critica tratamento da imprensa durante sua passagem pelo Chelsea

Liam Rosenior consulta assistentes durante jogo do Chelsea
Liam Rosenior consulta assistentes durante jogo do Chelsea (Foto: Mark Pain / IMAGO)

Embora tenha evitado entrar em detalhes sobre os acontecimentos que marcaram sua saída, Rosenior deixou claro que os problemas enfrentados em Londres não se limitaram ao desempenho esportivo. O técnico afirmou que pretende falar sobre o assunto em outro momento e fez uma declaração que chamou atenção ao relacionar sua experiência a questões que, na visão dele, ultrapassaram os limites do futebol.

— Não quero entrar em detalhes agora; falarei sobre isso um dia, quando for a hora certa. Mas em um país onde a tolerância é um valor importante, o que aconteceu lá não tem nada a ver com futebol.

O treinador também demonstrou insatisfação com a maneira como foi retratado pela imprensa inglesa. Segundo Rosenior, o período de bons resultados no início de sua trajetória no Chelsea acabou acompanhado por uma exposição que rapidamente se transformou em críticas e comentários sobre aspectos de sua personalidade.

— Eu sei, respondi sem responder. Na verdade, o momento que mais me preocupou foi no início, quando passamos por aquela sequência de cinco vitórias consecutivas. Qualquer clube teria ficado feliz com uma sequência dessas, mas não o Chelsea. Você consegue bons resultados e está sob os holofotes.

— Aí, houve uma espécie de efeito bola de neve na mídia. Eles zombaram das instruções que eu dei ao Garnacho num pedaço de papel quando estávamos com 10 jogadores contra o PSG. As roupas que eu usava viraram piada, o jeito que eu falava também. Eu não sou uma piada! Vocês são as primeiras pessoas com quem estou falando sobre isso, e provavelmente as últimas por um bom tempo, mas um dia eu conto o que realmente aconteceu.

Durante sua passagem pelos Blues, Rosenior também foi alvo de comentários sobre seu estilo de comunicação, com algumas críticas sugerindo que ele se expressava como alguém em uma reunião profissional ou em uma publicação no LinkedIn. A repercussão dessas observações, somada às cobranças esportivas, tornou-se parte de uma experiência que o treinador agora avalia sob outra perspectiva.

Técnico aponta influência da mídia na percepção sobre jogadores e treinadores

Liam Rosenior pede desculpas para torcedores do Chelsea após derrota acachapante
Liam Rosenior pede desculpas para torcedores do Chelsea após derrota acachapante (Foto: Paul Terry / Sportimage / IMAGO)

Rosenior reconheceu que sua passagem pelo Chelsea trouxe aprendizados importantes sobre a relação entre os profissionais do futebol e a opinião pública. O inglês afirmou que existe, na Inglaterra, uma expectativa específica sobre o comportamento de um treinador da Premier League, algo que nem sempre corresponde à maneira como cada profissional deseja se apresentar.

— Na Inglaterra, existe essa ideia preconcebida de como um técnico da Premier League deve ser e como deve se comportar. Você tem que se adequar a esse padrão. Quem me conhece sabe que eu tento ser sincero e autêntico.

O técnico também ressaltou que não consegue controlar a forma como jornalistas e veículos de comunicação apresentam seu trabalho. Para ele, a experiência no Chelsea evidenciou o peso que a cobertura midiática pode ter na construção da imagem de um profissional, independentemente dos resultados obtidos em campo.

— Mas eu não tenho controle sobre como a mídia me descreve ou fala de mim. O que eu entendi agora, e isso é importante para todos os treinadores do mundo, é que as redes sociais, ou a mídia em geral, podem ditar a opinião pública sobre a qualidade de um jogador ou de um treinador.

Rosenior encerrou sua reflexão destacando que a influência da imprensa vai além de avaliações individuais e pode alcançar a percepção sobre o próprio percurso de uma equipe. A experiência no time londrino, marcada por um início promissor e uma saída em meio a resultados negativos e críticas públicas, reforçou essa compreensão.

— Isso não é novidade, claro, mas a maior lição da minha passagem pelo Chelsea é saber que eles também são capazes de construir toda a narrativa em torno da trajetória de um clube.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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