Toluca: um time mais do que atrevido

De Toluca, a 45 minutos da Cidade do México, vem a nova sensação do futebol das Américas do Norte e Central. O Deportivo Toluca Futbol Club, nove vezes campeão nacional e duas da Liga dos Campeões da Concacaf, entrou em 2010 querendo vencer tudo de novo.

Nos gabinetes do Estádio Nemesio Díez foram estabelecidas duas honrosas metas. A conquista do décimo campeonato da primeira divisão e a vaga no Mundial de Clubes da Fifa, nos Emirados Árabes, em dezembro.

Nenhum dos objetivos é fácil. Mas ambos são bem viáveis, tanto que o clube sabe como chegar lá. Dono da quinta maior torcida do país, o Toluca precisa desesperadamente de um título de peso. Para o número de fãs continuar crescendo é obrigatório levantar, pelo menos, uma taça por temporada.

Dentro deste projeto, houve também aventuras mais longas – e emocionantes. Os Diabos Vermelhos, são chamados assim em razão da cor do uniforme, desceram para o Sul em 2006 e 2007 para jogarem a Copa Sul-Americana e a Libertadores, respectivamente. E o desempenho foi razoável. Teve até vitória sobre o poderoso Boca Juniors.

Duas décadas que valeram por muitos anos

Fundado em 12 de fevereiro de 1917, o Toluca uniu dois times do município que existiam apenas para disputas amadoras. Um, inclusive, tinha como sede uma fazenda onde os proprietários enfrentavam os peões. Mas o futebol só tornou-se coisa séria na década de 50. Até então, o clube jogava apenas torneios amistosos.

Junto com Cruz Azul, Pumas e Santos Laguna, fundou a Segunda Divisão. Levou o caneco em 1953 e nunca mais voltou para lá. Hoje, é uma das maiores instituições do país. É o terceiro maior vencedor do campeonato nacional (o Chivas tem 11 títulos e o América, 10) e dono do Estádio Nemesio Díez, um caldeirão de 27 mil lugares que recebeu as Copas de 1970 e 1986.

O nome é uma homenagem ao espanhol Nemesio Díez Riega, o melhor presidente da história do clube. Foi por iniciativa dele que o Toluca chutou para escanteio o amadorismo e ingressou na era profissional. Comprou um campo no centro da cidade e construiu o estádio para o time crescer.

No fim dos anos 60, o dirigente foi atrás de Ignacio Trelles, treinador da seleção do México nos Mundiais de 1962 e 1966. Não demorou para o técnico mostrar porque era considerado quase uma majestade. Em 1967 e 1968, foi bicampeão mexicano e ainda ganhou a Liga dos Campeões da Concacaf.

O desmanche do exército

Ignacio Trelles saiu antes do bi da Concacaf, em 1970, que marcou também a despedida de Nemesio Díez. Considerando-se com a tarefa cumprida, passou o bastão adiante.

Se o coronel e o tenente tinham deixado seus postos, o sargento ainda estava a serviço. O atacante Vicente Pereda liderou o time no título do terceiro nacional, em 1975. Trata-se do maior ídolo do Toluca. Atacante, não vestiu outra camiseta durante os 16 anos de carreira. Chegou em 1960 e foi embora em 1976.

Com os três fora, começou uma grave e profunda crise. Foram 14 longos anos sem comemorar nada. A fase ruim parecia que iria terminar em 1989, com a vitória na Copa do México. Parecia. Vieram mais 10 de silêncio, quebrados com o tetracampeonato, em 1998.

O recomeço com São Cardozo

A retomada das conquistas serviu como um combustível. O Toluca recuperou a alegria e a torcida voltou a encher o estádio que ganhou o apelido de “La Bombonera” depois de surgirem as barra bravas. No embalo delas, até 2008, o Toluca emplacou mais cinco títulos mexicanos. E, finalmente, voltou a ser grande e a sonhar.

O paraguaio José Saturnino Cardozo tem muito a ver com isso. É o jogador que mais fez gols defendendo um time do México. Entre 1995 e 2005, foram 249 pelo Toluca. No Apertura 2002, alcançou um recorde. Marcou 29.

Agora, os Diabos Vermelhos procuram um novo ídolo. Ele poderia ter surgido em 2006, quando o time encarou tudo e todos e debutou na Sul-Americana. Foi atropelando quem passasse pela frente até as semifinais, quando caiu para o Colo Colo, do Chile. Ou, então, na Libertadores do ano seguinte. Terminou a fase de grupos em primeiro, com direito a vitória por 2×0 sobre o Boca. Mas parou no inexpressivo Cúcuta, da Colômbia, nas oitavas.

Dois campeonatos, um mesmo caminho

O técnico José Manuel de la Torre sabe que só permanecerá para 2010/11 se vencer o Campeonato Mexicano ou a Liga. Por mais incrível que pareça, ambos têm graus de dificuldade semelhantes. O Toluca é, atualmente, o sétimo no nacional. Faltam quatro rodadas. Se acabasse hoje, estaria classificado (os 8 melhores seguem para os playoffs).

E a Liga é o retrato do futebol da Concacaf. Embora receba times de Estados Unidos, Costa Rica, Honduras, Guatemala, Canadá, El Salvador, Panamá e da União Caribenha, são os mexicanos que mandam.

Eles têm juntos 25 títulos. E terão mais um daqui a alguns dias. Pachuca, Pumas e Cruz Azul brigam com o Toluca pelo 26º. A Costa Rica, país vice no número de taças, exibe apenas seis.

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Equipe Trivela

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