Taiti: Belas paisagens e futuro promissor
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Por muitos anos o Taiti foi considerado um sinônimo de local paradisíaco e ponto turístico conhecido por suas belezas naturais. É bem verdade que o território tem nessas palavras algumas de suas principais características, uma vez que até hoje o turismo é a sua principal atividade econômica. Aos poucos, contudo, a ilha vem ganhando notoriedade também por um outro aspecto: o futebol.
Especialmente depois que a Austrália passou a integrar a Confederação Asiática de Futebol (AFC), o que abriu espaço para melhores desempenhos de equipes de menos tradição na Oceania. Apesar da Nova Zelândia ter tomado a dianteira como nova força dominante do continente, o Taiti já deu mostras de que pode ameaçar esse domínio, principalmente depois da recente classificação de seu selecionado sub-20 para o Mundial da categoria, feito que coloca a equipe como a primeira ilha da Oceania a tomar parte em um torneio Fifa.
O país
O Taiti é a maior ilha da chamada região da Polinésia Francesa, localizada na Oceania. Sua população nativa é formada por polinésios que se estabeleceram no local entre os anos de 800 e 300 A.C, embora haja indícios de que esse processo possa ter sido realizado ainda antes. O solo fértil e oferta abundante de peixes, aliadas à tranqüilidade dos primeiros povos da região e belezas naturais, fizeram com que os espanhóis, primeiros colonizadores europeus, ficassem fascinados com a ilha e seu aspecto paradisíaco.
Apesar de terem chegado ao Taiti antes, os espanhóis não colonizaram a terra, que só foi “descoberta oficialmente” em 1767 com o capitão inglês Samuel Wallis. Ele foi seguido por outros exploradores da Inglaterra e franceses, que acabaram dominando o território a partir de 1842, declarando-o como província da França. O status permaneceu até 1946, quando o Taiti e toda a Polinésia Francesa se tornaram um território ultramarinho francês, e foi alterado novamente em 2004, quando a ilha se tornou um território semi-autônomo da França, ou seja, seus cidadãos são franceses, mas a influência do país europeu está limitada a subsídios, educação e segurança.
Futebol no Taiti
Devido às influências culturais de seus colonizadores, o futebol sempre foi o esporte mais popular do Taiti. Apesar de naquela época ainda não contar com uma federação própria, o território teve sua primeira competição nacional já em 1938, quando foi realizada a primeira Tahiti Cup.
A competição seguiu como a principal do país até 1948, quando a Federação Taitiana de Esportes Atléticos (órgão que comandava todos os esportes do território) criou a Divison Fedérale, o campeonato de primeira divisão dos clubes da ilha. O torneio se mantém até hoje e tem como principal campeão o Central Sport, da capital Papeete, com 12 títulos conquistados entre os anos de 1972 e 1985.
Já a seleção do Taiti fez sua estreia nos gramados no ano de 1952 em um amistoso não-oficial (uma vez que a ilha não era filiada à Fifa) com a Nova Zelândia. O jogo, disputado em Papeete, terminou empatado em 2 a 2. Em 1963, o escrete nacional fez sua primeira aparição em um torneio internacional, chegando em terceiro lugar nos Jogos do Pacífico Sul, competição disputada entre nações da Oceania, mas sem a presença de Austrália e Nova Zelândia. O campeonato, aliás, iria se tornar o primeiro torneio vencido pelo Taiti no ano de 1966, sendo conquistado outras cinco vezes, a última delas em 1995.
Sem contar com uma grande população, clubes fortes no cenário continental e a própria filiação ao quadro da Fifa, o que impedia a equipe de disputar torneios classificatórios para a Copa do Mundo e Olimpíadas, a situação do futebol taitiano ficou em um estado de catarse. Restou ao Taiti apenas disputar torneios regionais e amistosos. Uma dessas partidas, em específico, ficou marcada para a história depois que a equipe aplicou um 30 a 0 nas Ilhas Cook no dia 2 de setembro de 1971.
A partir de 1973, além das participações nos Jogos do Pacífico Sul, a seleção taitiana passou a disputar também a Copa de Nações da OFC. Logo na primeira edição do torneio, que não contou com fases classificatórias e nem com a presença da Austrália, o Taiti apostou no talento de Errol Bennet, artilheiro do campeonato nacional 11 vezes no auge do Central Sport e um dos responsáveis pelos títulos da seleção nos Jogos do Pacífico Sul, para alcançar a final do torneio. Na decisão, porém, os taitianos perderam para a Nova Zelândia, que jogava em casa. O escrete do Taiti ainda alcançou duas finais do torneio, em 1980 e 1996, não conseguindo, porém, o título.
História recente
Quarenta anos depois de jogar a sua primeira partida, a seleção do Taiti realizou a sua estreia oficial em uma partida contra as Ilhas Salomão no dia 11 de julho de 1992. O jogo, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, marcou o início de uma nova fase do futebol taitiano, com a equipe nacional disputando competições em nível internacional e se aproveitando da experiência e intercâmbio conseguidos para alçar novos objetivos.
Apesar de contar com uma federação e selecionados próprios, a dependência política da França continuou a ser um empecilho para o selecionado taitiano. Devido a um acordo firmado entre as federações do país europeu e do território semi-autônomo, todos os jogadores taitianos podem ser convocados para a seleção francesa, mesmo os que não possuem qualquer grau de parentesco com o território dominante. Embora essa particularidade não se aplique a atletas que já têm passagem pela equipe do Taiti, a ilha acabou perdendo pelo menos dois jogadores de grande qualidade para a seleção da França: Pascal Vahirua, que jogou no Auxerre e disputou a Eurocopa de 1992 pelo escrete europeu, e Marama Vahirua, primo de Pascal e jogador francês desde 2002.
Ou seja, não bastasse a dificuldade em formar atletas de nível internacional dentro do próprio país, o Taiti ainda precisa lidar com o fato de que seus melhores jogadores podem parar na seleção da França a qualquer momento.
O futuro
Os prognósticos para os próximos anos do futebol taitiano pareciam pouco propensos a uma mudança. No entanto, a situação começou a mudar de figura a partir de 2006, quando a Austrália deixou a OFC para se integrar à Confederação Asiática de Futebol, abrindo caminho para que as seleções menores da Oceania pudessem disputar efetivamente por vagas nos principais torneios do futebol.
A Nova Zelândia logo foi apontada como a grande favorita para herdar a hegemonia australiana. O time mostrou sinais claros de domínio no continente, passando facilmente por seus adversários em classificatórias para as Olimpíadas e para os playoffs da Copa do Mundo de 2010. Assim, a expectativa era de que a seleção neozelandesa passasse com facilidade também na eliminatória da Oceania para o Mundial de futebol sub-20, que será realizado no Egito entre setembro e outubro desse ano. Mas, o que se viu na verdade foi o Taiti surpreendendo a todos e faturando a competição em 2008.
O título não foi mera coincidência. Desde o início do ano passado a federação taitiana investiu em uma estratégia para consolidar o selecionado sub-20 entre as potências do continente. Para isso, trouxe o treinador Lionel Charbonnier, que foi o terceiro goleiro da França na conquista da Copa do Mundo de 1998 e que teve passagens pelo Auxerre e pelo Rangers, e promoveu a participação do selecionado no campeonato da primeira divisão do país para ganhar experiência. O resultado não poderia ser melhor e Charbonier já avisou: vai levar o time para fazer amistosos de preparação na Europa antes do mundial.
O Taiti provavelmente será mero figurante na disputa do Mundial Sub-20. No entanto, é necessário atentar que, mais do que obter resultados, a participação é um marco na história do futebol da ilha e, principalmente, um símbolo de que é possível sim sonhar com objetivos maiores.