Suíça: talento importado e violência

A Eurocopa é, de longe, o torneio futebolístico mais importante a acontecer na Suíça desde a Copa do Mundo de 1954. Sabendo disso, a federação local começou a dar tratos à bola – literalmente – para não chegar ao evento com um time capaz de dar vexame, problema que aflige os co-anfitriões austríacos.

Sem grandes centros de tradição na formação de jogadores, a Suíça se contenta em ter clubes que servem como “fornecedores” para os clubes das ligas mais poderosas. Em 2005, a federação e o governo lançaram uma campanha chamada “Suíça Nação de Futebol”, com o intuito de estimular jovens a procurarem o esporte.

Com um alto índice de imigrantes na sua população, a Suíça acabou tendo um grande afluxo de jogadores das mais diversas origens sendo “nacionalizados” para jogarem na seleção. Cinco entre os 23 convocados pelo técnico Kobi Kühn nasceram em outros países e outros sete são filhos de imigrantes que nasceram já em solo helvético.

A presença de estrangeiros nas categorias de base suíças é tão intensa que a própria seleção do país acaba perdendo jogadores. O meia Zdravko Kuzmanovic jogou nas seleções inferiores pela Suíça, mas preferiu defender a Sérvia, que o chamou primeiro para o time nacional; Ivan Rakitic, do Schalke 04-ALE, estava na mesma situação, mas foi “repatriado” pela Croácia. Perder a identidade não é um risco que os suíços temam muito, uma vez que a nação em si tem uma história que longamente conviveu com aportes estrangeiros.

Mas um problema inesperado apareceu com o crescimento da quantidade de jogadores jovens estrangeiros. A federação suíça informa que a quantidade de ocorrências envolvendo atos de violência entre jogadores estrangeiros aumentou vertiginosamente. Juízes e atletas são ameaçados com seriedade por meninos de 13 ou 14 anos a ponto de terem de ser escoltados para fora do campo, segundo informa uma nota do site swissinfo.ch. Segundo a federação suíça (SFA), 80% dos casos são causados por pelo menos um atleta de outro país.

Não é difícil entender o mecanismo que faz a cifra. A origem da maioria dos imigrantes na Suíça – e em qualquer outro lugar – é simples e as famílias têm dificuldades materiais, o que facilita os desvios comportamentais nas crianças e adolescentes. Dirigentes da SFA indicam estudos que acusam crescimento da violência entre adolescentes na sociedade como um todo.

Ligar a violência simplesmente à origem dos jovens também é uma explicação simplista. Um estudo da Universidade de Lausanne apontou que a violência juvenil em países como a Sérvia – um dos locais de onde vêm mais imigrantes para a Suíça – é menor do que em lugares como Zurique ou Basiléia.

O governo se preocupa com a questão e também com o estrago que o problema possa fazer na imagem do país às vésperas da Euro-2008. O futebol suíço continua a se desenvolver (mais de 250 clubes novos aparecem todos os anos nas divisões de base), mas a tensão também aumenta. Vozes que pedem fechamento de clubes lenientes com a violência e medidas mais duras na punição dos casos estão crescendo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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