Stoke City: o segundo mais velho
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A tarefa não era das mais complicadas. O jogo, fora de casa, na última rodada da segunda divisão inglesa, valia a vaga na elite na temporada 2008/09 para o Stoke City. O adversário e time local, Leicester, estava rebaixado. Um empate era suficiente. E assim aconteceu. O zero a zero devolveu o Stoke para a Premier League (divisão principal do futebol inglês) 23 anos depois.
O time terminou em segundo na série B, com 79 pontos, dois a menos do que o campeão West Bromwich. A festa iniciada no gramado e, em seguida, estendida para as ruas de Stoke-on-Trent, foi tão grande quanto a do único título de expressão que o clube tem: Copa da Liga, em 1971/72. Também pudera. Foram mais de vinte anos convivendo com crises financeiras e insucessos dentro de campo. Pela história que carrega e se orgulha de ter, era vergonhoso estar afastado há tanto tempo do convívio com os “grandes”.
É o segundo clube de futebol mais antigo do mundo. Por lá passaram, por exemplo, o ex-goleiro e ídolo dos ingleses Gordon Banks, e Stanley Matthews, jogador que mais atuou pela seleção da Inglaterra. Fundado em 1863, o Stoke só fica atrás do Sheffield, criado em 1857.
Além da idade, o clube é também conhecido entre os britânicos por sua violenta – e pequena – torcida. O Stoke tem sérios problemas com os hooligans. E, inclusive, se viu obrigado a pôr em prática um sistema de monitoramento, restringindo a atuação desses torcedores.
Nada que atrapalhe, entretanto, os planos dos Potters (em inglês, ceramistas). Os fãs (os comportados) têm esse apelido, exibido no distintivo do clube, devido ao patrocinador. A Cerâmica Britannia patrocina e dá nome ao estádio do Stoke.
O primeiro ídolo e o primeiro título
O Stoke City nasceu a partir de uma iniciativa de um grupo de estudantes da cidade. Em 1863, decidiram fundar o Stoke Ramblers, com o objetivo de disputar amistosos. Porém, a estréia tardou. Documentos registram que somente cinco anos depois o time foi mandado a campo.
Como o clube não conseguiu crescer nos anos seguintes, os fundadores, que passaram a ser dirigentes, optaram por uma união com o Stoke Victoria Cricket Club, em 1878. Foi quando, finalmente, houve uma série de avanços institucionais. O primeiro, a escolha do nome. Stoke Football Club. Depois, definidas as cores vermelha e branca.
Alguns anos e torneios amistosos depois, o clube obteve a profissionalização, em agosto de 1885. Foi um dos doze a contribuir para a implantação da Liga de Futebol Inglesa, em 1888. Vinte anos mais tarde, ergueu o Victoria Ground, estádio para 50 mil torcedores. E em seguida, mudou, pela última vez de nome: Stoke City.
A boa administração, e o crescimento da torcida, resultaram no primeiro grande ídolo. O atacante Stanley Matthews, cujo currículo apresenta 23 anos a serviço da seleção inglesa, iniciou a carreira no Stoke. Levantou um troféu já na primeira temporada, em 1932/33, com o título da segunda divisão.
A conquista o mandou direto para a seleção. O sucesso foi tão grande que em 1938, ele se reuniu com a direção do Stoke e pediu para ser negociado com um clube de maior expressão. A torcida enlouqueceu. Três mil pessoas sairam às ruas gritando e exbindo cartazes para que Matthews mudasse de idéia.
O manifesto o comoveu e ele ficou. E ficou por mais nove anos, até ser vendido, em 1947, para o Blackpool. Dez anos antes, havia ajudado o Stoke no maior jogo de sua história: 10 a 3 sobre o West Bromwich, pela primeira divisão. A identificação torcida-Matthews era tão grande, que a rua onde é situado o o estádio do Stoke leva o nome do ídolo.
De Gordon Banks a Salf Diao
Stanley Matthews saiu, e outro ídolo nacional chegou. Demorou, é verdade. Depois da Copa de 1966, Gordon Banks aterrisou em Stoke-on-Trent, onde, atualmente, vivem cerca de 240 mil pessoas. E, de novo, a história se repetiu.
No primeiro ano a serviço do time, assim como Matthews, Banks festejou um título, até hoje, o maior do clube. Em 1972, o Stoke foi campeão da Copa da Liga, ao derrotar o Chelsea por 2 a 1, na final. Em 1964, terminou como vice da mesma competição.
O ex-goleiro encerrou a carreira por lá. No próximo mês, vai ser receber uma homenagem dos Potters. Uma estátua do melhor goleiro dos ingleses, segundo os próprios, será exposta no Britannia Stadium. Até Pelé vai participar da festa.
Banks não jogou onde será homenageado. O Britannia Stadium foi inaugurado há dez anos, e tem capacidade para menos de 30 mil torcedores. É onde têm brilhado dois atletas que também querem escrever seus nomes na história do clube.
O jamaicano Ricardo Fuller, de 28 anos, é a sensação do momento. Atacante, marcou 15 gols na última temporada. Foi comprado ao Southampton, em 2005, por 90 mil libras (aproximadamente 325 mil reais). Hoje, vale dez vezes mais. O meio-campista Liam Lawrence, 27, se destacou nas assistências. 16 passes saídos dos pés dele terminaram em gols. Custou 500 mil libras (1,8 milhão de reais), um dos maiores investimentos do Stoke em toda a história.
Mais conhecido que eles só Salf Diao. Aquele mesmo que defendeu Senegal na Copa de 2002. Rodou a Europa, e há dois anos abastece o time do Stoke.