Como Real Madrid pode se aproveitar do que foi visto de Bellingham e Mbappé na Copa
Somada, dupla teve 18 gols no Mundial e empolga José Mourinho para a próxima temporada nos Merengues
O saldo da Copa do Mundo traz otimismo para o torcedor do Real Madrid na projeção da próxima temporada. Isso porque, dentre os melhores jogadores, estão Kylian Mbappé, artilheiro do Mundial com dez gols pela seleção francesa, e Jude Bellingham, da Inglaterra, que marcou sete vezes.
O desempenho do francês não é uma novidade e só continua o grande nível que exibe desde que chegou à capital espanhola, em 2024, período marcado por 86 gols em 103 partidas. Ao mesmo tempo, porém, os Merengues não conquistaram títulos importantes a partir da chegada do centroavante.
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Já o meia inglês, com problemas físicos, teve uma temporada recente mais irregular. Tanto que, em oito jogos no Mundial, só marcou um gol a menos do que em 40 pelo time espanhol em 2025/26.
A utilização da dupla por França e Inglaterra dá um caminho interessante para José Mourinho, novo técnico do Real, e pode servir para potencializar os dois na temporada 2026/27.
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Mbappé é mais participativo e dedicado na Copa do Mundo
No Real Madrid, Mbappé normalmente é um atacante muito limitado ao centro do campo e à ponta esquerda. Desde a primeira rodada da Copa, porém, deu para perceber um jogador diferente na França.
Mais participativo fora da área, saindo da referência para apoiar outros setores além do corredor canhoto, e, principalmente, sem a bola, subindo para pressionar e se doando como poucas vezes vistas.
O jogador liderou as estatísticas de “oferta de passe”, que é se oferecer para receber a bola de um companheiro (481), e ofertas atrás das linhas adversárias (191), e esteve entre os principais em passes recebidos atrás das linhas (29), entre a zaga e meio-campo rival (165) e domínio sob pressão (184). As estatísticas são da Fifa.
Dos 385 toques na bola do centroavante na Copa, apenas 69 foram de dentro da área, segundo dados do site “Squawka”. O restante, próximo do último terço do campo ou até mais recuado. Ele terminou a competição com quatro assistências em oito jogos — em 31 jogos na última LaLiga, teve cinco –, sendo três quase como um típico meia camisa 10.
Contra a Noruega, foram duas: na primeira, saiu da referência e tirou da cartola um lançamento de alguns metros para Ousmane Dembélé marcar; na segunda, fez o pivô, sustentou e cedeu para o mesmo colega na direita. Na disputa de terceiro lugar, recebeu em uma posição bem recuada, à esquerda do grande círculo, e esperou Bradley Barcola atacar o espaço para enfiar uma bola em profundidade na medida.
O Barcola fez o segundo e diminuiu para a França… Será que dá? 👀🇫🇷
— CazéTV (@CazeTVOficial) July 18, 2026
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Pela ponta direita, onde raramente pisa por clube, achou um golaço de fora da área sobre o Iraque e mandou uma bomba no travessão contra os noruegueses.
Mais do que a movimentação com bola, chamou atenção como o jogador se dedicou sem ela. Na última temporada, Mbappé foi o jogador que menos pressionou sem a posse nas cinco grandes ligas europeias, com média de apenas 11.6 ações defensivas por partida, de acordo com o site “Insight90”.
Nesta Copa, com uma França intensa para encaixar a marcação individual no campo de ataque, o atacante ficou em 36º em pressões defensivas aplicadas (166) entre todos os jogadores que jogaram a competição, segundo dados da Fifa. Foi mais do que Lamine Yamal, da campeã Espanha, e vários outros conhecidos por se doarem defensivamente.
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Bellingham volta a ser o matador que já foi no Real Madrid
Quando chegou ao Real Madrid, no meio de 2023, Bellingham encontrou um time que estava sem centroavante pela saída de Karim Benzema. O técnico daquele momento, Carlo Ancelotti, optou por fazer uma dupla de ataque com Vinicius Júnior e Rodrygo e deixar o inglês como um camisa 10 de muita chegada à área para compensar as flutuações dos atacantes.
Jude marcou 23 gols, recorde na carreira, em temporada marcada por título da Champions League e de LaLiga. A partir de 2024, porém, ele passou a cada vez ir se afastando mais do gol, principalmente porque Mbappé passou a ocupar essa zona.
Bellingham, então, voltou a ser mais um meio-campista, por vezes com função até de segundo volante, nos dois anos seguintes em Madri. Por isso que, quando ele marcou sete gols na Copa do Mundo, surpreendeu.
O motivo, como ele próprio explicou, foi que voltou a jogar próximo da meta adversária. Com as flutuações de Harry Kane, um camisa 9 que poderia ser um 10 ou até um volante, o meia se aproveitou para pisar na área, se aproveitando de sua estatura (1,88m) e força física.
— No clube, tenho jogado de uma forma diferente, um pouco mais recuado. Pela Inglaterra, atuo como um camisa 10 ou até como um camisa 8 mais avançado. Para mim, não importa onde jogo em campo ou qual é a posição. Eu sempre quero jogar bem pela minha equipe — analisou após a partida contra o Panamá.
🏴 Como atuações de Bellingham na Copa empolgam Mourinho e o Real Madrid
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Meia chegou ao Mundial sem saber se seria titular e mesmo assim é o melhor jogador da Inglaterra no torneio
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Foi assim que Thomas Tuchel retomou o “Belligol”, conhecido no primeiro ano na Espanha. Quatro de seus tentos foram com um só toque, seja de cabeça, completando cruzamento ou pegando rebote. Os outros três, também dentro da área, vieram a partir de passadas largas do inglês para superar os adversários.
Em oito partidas, sendo sete como titular, Bellingham teve 37 toques na área adversária. No Campeonato Espanhol passado, no qual atuou em 28 rodadas (22 titularidades), somou 49 na mesma estatística, apenas 12 a menos com 20 partidas a mais. Os dados são do “Squawka” e do “One-Versus-One”.
Como o Real pode se aproveitar disso
A forma como os dois atuaram tem um claro complemento se forem assim utilizados. Caso Mbappé flutue na função de nove no Real para mais distante da área, como foi em alguns momentos da campanha francesa na Copa, abrirá o espaço para que Bellingham infiltre e possa ser decisivo dentro da área.
Claro que não é uma dinâmica para o tempo todo, afinal, poucos são tão bons e matadores na área como o centroavante francês. É algo a ser explorado em momentos específicos para confundir a marcação adversária, aproveitando-se também da qualidade de Vinicius Júnior em atuar bem aberto na esquerda ou por dentro.
José Mourinho, inclusive, tem o objetivo de usar o inglês como um camisa 10 de muito ataque à área na formação 4-2-3-1. “Espera-se que Bellingham se torne a ligação entre o meio-campo e o ataque, com liberdade para romper linhas, recuar atrás do atacante e ameaçar constantemente a área adversária”, apontou matéria do “Marca” no mês passado.
O técnico português, porém, terá que esperar algumas semanas para contar com os dois, assim como Vini Jr, outro craque dos Merengues. O Real Madrid já iniciou sua pré-temporada com os jogadores que não disputaram a Copa. A equipe fará um jogo-treino com o Alcorcón como o primeiro teste sob o comando do português.