Sotirios Ninis: um bom presente grego
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A Grécia nunca foi tão falada no futebol antes de conquistar a Eurocopa 2004. Daquela seleção, praticamente todos passaram a ter mais conhecimento e respeito com o título europeu. Hoje, quem não conhece, de fato, Zagourakis, Karagounis, Katsouranis, Setaridis… A reformulação grega começou e terminou nesses jogadores, muitos acima dos 30 anos de idade, mas que ainda estão na seleção.
A não ida à Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, mesmo depois do sucesso da Euro, é prova disso de que era preciso uma nova geração, um novo “boom” de jogadores no país. Hoje, esse “boom” parece ter acontecido. E o nome mais falado é Sotirios Ninis. Junto com Sokratis Papastathopoulos e Kostantinos Mitroglou, Ninis liderou a Grécia no vice-campeonato histórico do Campeonato Europeu Sub-19, em 2007, na Áustria.
Mesmo sendo o mais novo – na época com 16 anos – da seleção nacional mais jovem do país, Ninis não se intimidou. Depois do vice-campeonato, o franzino, mas habilidoso meia-atacante, teve um 2007 formidável, considerando que seis meses antes do Europeu, Ninis era apenas mais um dos jogadores da equipe de juniores do Panathinaikos e gandula nos jogos da equipe principal.
Estréia no profissional, recordes e mais recordes…
Mas as coisas começaram a mudar em janeiro do ano passado, quando estreou no time principal do Panathinaikos, com apenas 16 anos – se tornou o segundo jogador mais novo a vestir a camisa do clube. O técnico Víctor Múñoz o viu jogar pelos juniores e o convocou para uma partida do Campeonato Grego, a Super League, contra o Aigaleo, no dia 7. Ninis estreou, jogou bem e foi eleito o melhor jogador da partida!
No dia 27 do mesmo mês da estréia no profissional, Ninis fez história na Grécia. Ele se tornou o mais jovem jogador a fazer um gol na Super League. Ninis tinha 16 anos, 8 meses e 17 dias quando marcou na vitória do Panathinaikos sobre o Panionios.
Mas, para isso acontecer, estrear e fazer o primeiro gol no profissional, Ninis antes teve de assinar um contrato como profissional, contrato rápido, ainda não o “verdadeiro”. “Não tinha qualquer contrato profissional e assinei um com o clube para poder jogar. Houve algumas lesões que também me favoreceram”, conta, Ninis.
Em fevereiro seguinte, outro recorde. No dia 15, Ninis virou o jogador com menos idade a entrar em campo por um time grego numa partida continental. Foi contra o Lens, da França, pela Copa da Uefa, ainda com 16 anos.
O sucesso não parou por aí. No clube desde os 13 anos, Ninis se fixou no profissional e fez mais 13 jogos como titular na temporada e marcou mais duas vezes, entre Copa da Uefa, Super Legue e Copa da Grécia, quando ficou com o vice-campeonato. O ápice de sua curta carreira foi o clássico contra o AEK, em 18 de fevereiro do ano passado. Ele fez um gol e deu duas assistências.
A seqüência de recordes só aumentava. No dia 6 de julho, o camisa 7 do Panathinaikos assinou o seu primeiro contrato como profissional, com cláusula de rescisão estipulada em 15 milhões de euros, sendo assim o jogador com 17 anos de idade com a multa rescisória mais alta do futebol mundial.
A assinatura o animou, e em dezembro passado, Ninis se tornou o jogador mais novo a receber o prêmio de Jogador Mais Jovem do Ano pela Hellenic Football Federation, a Federação Grega. A conquista teve grande valor porque foi votada por jogadores e técnicos.
Albanês de coração, Grécia de seleção
Ninis nasceu em 3 de abril de 1990, na cidade de Himara, na Albânia, lugar de minoridade grega. Filho de gregos, se mudou com os pais para a Grécia com apenas 1 ano de idade, no mesmo ano em que grande parte dos gregos que moravam na Albânia fizeram a mesma coisa, depois da queda do comunismo.
Com um vínculo muito forte com a Grécia, em determinado momento da carreira Ninis teria de decidir por qual seleção atuaria. Sabendo que o jogador não havia sido chamado para nenhuma seleção de base grega, a Albania Football Federation notificou formalmente a vontade de convocar Ninis para a seleção nacional. Mas, no entanto, os esforços não foram recompensados.
Melhor para os gregos, que viram Ninis com a camisa azul ficar com o já mencionado histórico vice-campeonato Europeu Sub-19. Agora, a torcida grega quer mais. Quer ver Ninis na seleção principal, o que já aconteceu com o zagueiro Sokratis Papastathopoulos, companheiro de Ninis no Europeu.
Porém, uma série de lesões atrapalhou a temporada 2007/2008 de Ninis. Até agora, ele só entrou em campo três vezes, duas pela Super League e uma na Copa da Uefa, sem marcar qualquer gol. Segundo o clube grego, as lesões são em decorrência do grande número de jogos que Ninis fez quando muito garoto. Ele voltou ao time em dezembro, mas não está sendo relacionado para os jogos porque o clube não quer apressar a sua volta, o que poderia causar outras lesões.
Real Madrid, Roma, Chelsea…
Indicado pela Fifa como promessa para 2008, Ninis já foi e está sendo observado por grandes clubes europeus. Com o estilo Messi de pegar a bola, partir pra cima dos adversários em busca do gol – com a perna direita –, o jovem grego chamou a atenção do Real Madrid. Muito dizem que o interesse por Ninis foi apenas uma resposta ao rival Barcelona, que ofereceu milhões ao turco Muhammad Demirci, de apenas 12 anos.
Como Grécia e Turquia também são rivais históricos, o Real agiu rápido e quis contratar Ninis, assim como a italiana Roma, o alemão Schalke 04 e o todo-poderoso inglês Chelsea. No entanto, Ninis deve ficar no Panathinaikos, resguardado pela alta multa rescisória para um garoto de 17 anos – completa 18 em abril –, e pela vontade de terminar seus estudos. Será?
Sotirios Ninis terá mais alguns anos pela frente para provar que pode ser a mais nova estrela do futebol grego, corresponder às expectativas do Panathinaikos, dos grandes clubes interessados nele e, por que não, bater mais alguns recordes.