SOS Itália

Luca Toni e Giuseppe Rossi foram os únicos italianos que balançaram as redes pela Liga dos Campeões esta semana – ambos por clubes estrangeiros. Toni marcou duas vezes na goleada de 5 a 0 do Bayern de Munique sobre o Sporting, e Rossi livrou o Villarreal de uma surpreendente derrota em casa para o Panathinaikos Os três times da Série A que entraram em campo passaram em branco, no prenúncio de uma semana que terminaria de forma desastrosa para os representantes do país.
A Internazionale foi a única italiana que não perdeu nos jogos de ida das oitavas-de-final da LC, mas também foi a única que jogou em casa. No empate por 0 a 0 com o Manchester United, a equipe de José Mourinho só escapou da derrota por causa de uma atuação soberba do goleiro Júlio César, que em pelo menos três ocasiões claras de gol salvou a Inter. Roma e Juventus estiveram em Londres e perderam pelo mesmo placar de 1 a 0 para Arsenal e Chelsea – diferença pequena, mas a ausência de um gol como visitante diminui muito a margem de erro para o jogo de volta. Um gol sofrido em casa obrigará os italianos a marcar pelo menos três.
Na Copa Uefa, três dos quatro italianos se despediram nesta semana, com destaque para a queda do Milan diante do Werder Bremen. O time rossonero teve uma atuação abaixo da crítica, conseguiu ainda assim abrir 2 a 0, mas sucumbiu no segundo tempo e permitiu que os alemães, que não fazem uma grande temporada, buscassem o empate por 2 a 2 e a classificação pelos gols fora de casa.
A Sampdoria, depois de perder em casa para o Metalist Kharkiv, jogou a toalha e poupou titulares na visita à Ucrânia. Foi novamente derrotada – muito pouco para um clube que já jogou final de Liga dos Campeões, enfrentando um rival inexpressivo no cenário continental. De qualquer forma, vale reconhecer que o Metalist passou toda a fase de grupos e os dois jogos com a Samp sem levar gol.
A Fiorentina pagou pela ineficiência no jogo de ida contra o Ajax, quando desperdiçou oportunidades e perdeu por 1 a 0. Na Holanda, ia fazendo um bom jogo e devolvendo o placar até os minutos finais, mas o brasileiro Leonardo deu o empate e a classificação aos donos da casa. No geral, uma temporada europeia decepcionante para a Viola, que já havia feito menos que o esperado em sua participação na LC.
Sobrou, então, a Udinese. O jogo contra o Lech Poznan parecia tranquilo, depois de empatar por 2 a 2 na Polônia, mas os visitantes saíram na frente no estádio Friuli e viraram o primeiro tempo em vantagem. Pepe empatou na segunda parte, mas o gol da tranquilidade só saiu nos acréscimos, com Di Natale.
Existe uma possibilidade realista de que apenas a Udinese carregue a bandeira italiana dentro de duas semanas. Os três times da Série A na LC estão vivos nos confrontos, mas não saíram de campo mais próximos das quartas que seu rivais ingleses.
Nunca é demais lembrar que, na temporada passada, três italianos foram eliminados por times da Premier League, sem balançar as redes em todos os jogos: a Roma contra o Manchester United (2 a 0 e 1 a 0), o Milan contra o Arsenal (0 a 0 e 2 a 0) e a Inter contra o Liverpool (2 a 0 e 1 a 0). Trocando em miúdos, os ingleses não levaram gols dos italianos nos últimos nove jogos eliminatórios pela LC.
Desde a final entre Milan e Juventus em 2003, a Itália se transformou em coadjuvante da Inglaterra. Quatro times ingleses diferentes chegaram à final nas últimas quatro temporadas – Liverpool em 2005 e 2007, Arsenal em 2006, Manchester United e Chelsea em 2008. Foram três italianos entre os semifinalistas em 2003, mas hoje este cenário parece improvável. Enquanto isso, a Inglaterra conseguiu o feito nos últimos dois anos e não será surpresa se conseguir de novo.
A Copa Uefa tem sido encarada como uma competição menos importante pelos clubes italianos, mas não justifica um jejum de dez anos desde a conquista do Parma em 1999. Este ano, a Udinese já é a única esperança, mas são poucos a acreditar que os friulani possam superar o Zenit nas oitavas.
A festa da periferia
Um inglês (Manchester City), um italiano (Udinese) e nenhum espanhol. Apenas dois entre os dezesseis classificados para as oitavas-de-final da Copa Uefa pertencem às três principais ligas do continente.
O fenômeno se explica em boa parte pelas outras prioridades de alguns participantes, que pouparam jogadores, mas não se pode fechar os olhos para o bom papel dos representantes de países periféricos.
Três clubes ucranianos (Dynamo Kiev, Shakhtar Donetsk e Metalist) e dois russos (CSKA Moscou e Zenit) chegaram às oitavas após uma longa inatividade.
Antes do reinício da Copa Uefa, eles haviam disputado suas últimas partidas oficiais no ano passado. Falta ritmo de jogo, mas também não há o mesmo desgaste de quem vem jogando desde agosto.
Veja como ficaram os confrontos das oitavas-de-final (jogos de ida dia 12/3, volta dias 18 e 19/3):
Udinese x Zenit
Manchester City x Aalborg
Olympique de Marseille x Ajax
Werder Bremen x Saint-Etienne
CSKA Moscou x Shakhtar Donetsk
Paris Saint-Germain x Braga
Dynamo Kiev x Metalist Kharkiv
Hamburg x Galatasaray



