Sonho impossível
Jogador holandês. Casado com uma brasileira. Que declarou seu desejo de jogar no Brasil. Se o nome de Clarence Seedorf já surgiu em sua cabeça, pode tirá-lo imediatamente. Esse desejo foi revelado pelo atacante Frank Demouge, de 29 anos, em entrevista à edição desta semana da revista “Voetbal International”.
Demouge é conhecido por ser um daqueles atacantes destemidos. Limitado tecnicamente, mas sem demonstrar medo de entrar em dividida. Seu estilo rompedor o fez entrar em duríssimas batalhas dentro dos campos holandeses, como ele lembrou: “Ainda posso me lembrar de marcadores que eram carne-de-pescoço, principalmente nos meus primeiros anos de carreira. Jaap Stam, Daniel Majstorovic, Dejan Stefanovic, José Fortes Rodriguez. Aqueles eram duelos que, geralmente, pareciam pequenas guerras. Nos últimos anos, isso acontece bem menos. Há muito mais zagueiros que sabem jogar com a bola nos pés, e menos 'assassinos'.”
E foi exatamente aí que ele lembrou do Brasil. Falando sobre a experiência de assistir a jogos aqui, Demouge se mostrou impressionado com a competitividade: “Todo mundo voa, lá. Os atacantes e meias podem fazer de tudo com uma bola nos pés, e os zagueiros são daqueles carniceiros, que podem dividir você em três pedaços.”
Provavelmente, o atacante nascido em Nijmegen, que jamais saiu da Holanda em sua carreira, não vai atrair clube brasileiro algum: ele até foi razoável em sua primeira temporada no Utrecht, mas passou longe de assumir o protagonismo dos Utregs, após a saída de Ricky van Wolfswinkel. Deixou de ser titular nesta temporada, mesmo tendo participado de 23 jogos no Campeonato Holandês recém-encerrado. E, na reserva, fez poucos gols: sete.
Pelo menos, Demouge mostra realismo com suas mínimas chances de atuar em campos brasileiros: “Seria certamente maravilhoso jogar lá, mas a chance é muito pequena. O futebol brasileiro não foi feito para um jogador como Frank Demouge. É muito técnico para mim.” Autocrítica elogiável.



