Schwenck: “O que conta é ser campeão”
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Cléber Schwenck, 27 anos, vice-artilheiro do Brasileirão 2006 pelo Figueirense, com 14 gols, chegou há pouco mais de um mês ao Beitar Jerusalém, de Israel, sério candidato ao título na Terra Santa. Nesta conversa com a Trivela, o atacante nos conta suas primeiras impressões desta nova aventura na sua carreira, da explosiva rivalidade entre os clubes israelenses, dos bastidores de sua nova equipe, além da emoção de jogar no Teddy Stadium, onde o Beitar Jerusalém manda suas partidas, apoiado pelos torcedores mais fanáticos do país. “É impossível não arrepiar” afirma o jogador carioca, que também falou um pouco de sua experiência no Japão. Confira!
Nos últimos nove anos, o Beitar Jerusalém nunca esteve tão perto para ganhar o título israelense. Você estreou em janeiro no clube. Desde então, sentiu que a equipe é superior ao Maccabi Haifa, atual tricampeão, e aos tradicionais Hapoel e Maccabi, ambos de Tel-Aviv?
Estamos seis pontos à frente do segundo colocado e oito do terceiro. Jogamos contra o Maccabi Haifa e vencemos por 3 a 0, mas foi um jogo duro, não foi mole não. Sobre o Hapoel e o Maccabi, de Tel Aviv, ainda não joguei contra eles, mas é uma rivalidade tremenda. Acho que temos tudo para ganhar o campeonato.
Quais as principais diferenças que você notou em relação ao futebol brasileiro? Em Israel, o jogo é mais rápido?
Aqui, o futebol é tecnicamente muito bom, veloz, mas se usa demais a força. No geral, é um futebol bem jogado.
A torcida do Beitar Jerusalém é uma das mais fanáticas de Israel, e seu estádio, o Teddy Stadium, é conhecido como ‘inferno’. Quando você entrou em campo nesse estádio, pela primeira vez, você arrepiou?
Nossa, foi uma sensação muito boa. A torcida aqui é muito vibrante e não pára até o jogo acabar… É impossível não arrepiar.
O Beitar começou a temporada com o técnico argentino Osvaldo Ardiles no comando, depois entrou Yossi Mizrahi, atual treinador, e muita coisa mudou. O Mizrahi é um técnico frio e muito sério. Como é trabalhar com ele? A relação dele com o elenco é boa?
Eu não tenho nada do que reclamar. Ele me deixa bem à vontade. A relação dele com o grupo é boa. A coisa que ele mais pede é a posse da bola.
Quais os jogadores que mais te impressionaram, no elenco do Beitar Jerusalém, em termos de qualidade?
Tem três jogadores que são da seleção israelense que fazem a diferença. O Shimon (Gershon, zagueiro), o Gal (Alberman, volante) e o Zandberg (Michael, meia).
Você está se adaptando bem ao país, já fez amizade com alguns jogadores?
Sim, converso mais com o Gal, que jogou muito tempo no Tenerife e fala muito bem o espanhol. No geral, todos são muito legais e me receberam bem.
Você faz dupla de ataque com Toto Tammuz, que tem só 18 anos e é o artilheiro da Liga, em Israel, com 10 gols. Ele poderá triunfar na Europa, no futuro?
É um grande jogador, e creio que com o tempo ele será muito melhor. Hoje, ele está muito bem na liga, mas ainda falta um pouco de experiência. Isso é uma coisa que só se pega jogando e ele vai chegar lá.
O dono do clube, Arkady Gaydamak, investiu pesado no time. Ele é um milionário com histórico suspeito. Como é a relação dele com os jogadores e a comissão técnica? Ele é respeitado por aí ou é muito investigado como era o Kia Joorabchian, no Corinthians?
Nós chamamos ele só de Gaydamak. Ele é o dono do time, é um cara que tem muita grana, mas quase não aparece, fica sempre por trás. Eu já estou aqui há um mês e nunca falei com ele. É um cara muito respeitado por todos aqui. Ele investiu muita grana para ser campeão e não aceita outra coisa que não seja o título.
Nunca um brasileiro fez história vestindo a camisa do Beitar Jerusalém. Você pretende continuar no clube e deixar sua marca ou você tem intenção de deixar o time em breve?
Não sei, tenho contrato até maio. Se as coisas continuarem dando certo, não tenho motivos para não ficar. Na verdade, o que conta agora é sermos campeões.
Do meio para frente, o Beitar tem opções incríveis: Zandberg, Ben Shushan, Toto, Tuto, Schwenck, Yitzhaki, Mirosevic… Existe muita rivalidade entre vocês na briga por uma vaga na equipe? Os que ficam de fora demonstram insatisfação? Como é essa disputa?
Tem aquela rivalidade, mas é bom para que todos fiquem em melhor forma. Fica a critério do treinador escolher o que é melhor para equipe.
No clássico contra o Maccabi Haifa, que vocês venceram por 3 a 0, você fez uma grande partida, deu dois passes para o Toto Tammuz marcar os gols da equipe. Naquela vitória, em cima do atual tricampeão, você sentiu que a equipe deslanchou?
Ali demos um passo muito grande, mas não tem nada ganho ainda. Daquela vitória para cá, ainda não perdemos e pegamos muita confiança para as partidas.
Se estivesse em Israel desde o inicio da temporada, você seria o artilheiro da competição ou não é fácil marcar gols no país?
Eu não sei afirmar se seria ou não o artilheiro, mas com certeza já estaria bem adaptado à maneira deles jogarem aqui e estaria num estágio muito melhor.
Depois de ser o vice-artilheiro do Brasileirão 2006 pelo Figueirense,você quase foi para o Ulsan Hiyundai, da Coréia do Sul. O que faltou para concretizar essa negociação?
O que pesou foi o lado financeiro. Eu e meu empresário fizemos uma contra-proposta, e eles não aceitaram. Seria um contrato de 1 ano, então teria que ser algo bom para mim e minha família.
Você teve uma passagem pelo Vegalta Sendai, do Japão, em 2005. Mesmo jogando na segunda divisão japonesa, você achou que o nível é bom ou precisa melhorar? Em qual aspecto o futebol japonês é deficiente? O problema é tático, técnico, físico ou vem da base?
Eu acho que vem da base, porque lá todos começam nas faculdades. Aí, quando começam a jogar profissionalmente, a partir dos 18, 19 anos, perderam um processo muito grande de aprendizado. Eu achei que, com a ida de brasileiros para lá, o futebol japonês está bastante competitivo.
No Vegalta, você trabalhou com Satoshi Tsunami. Ele fez história na seleção japonesa e foi companheiro do Hidetoshi Nakata no Bellmare Hiratsuka, antes do Nakata ir para Europa. Como treinador, o Tsunami tem futuro?
Acho que tem sim. Ele estuda muito e passou um ano na Argentina fazendo estágio, tem tudo para ser um bom treinador. Comigo, ele sempre foi honesto, até mesmo quando eu fiquei no banco por quatro partidas. Ele me falou que eu tinha que me acostumar com o futebol de lá. Depois, foi só me entrosar mais.
A cidade de Sendai é conhecida como ‘cidade das árvores’. Você gostou de viver um ano lá?
Eu e minha família adoramos a cidade. Na época das cerejeiras, fica uma cidade muito linda. É um dos principais pontos turísticos do país.
Quais são seus planos este ano?
Trabalhar forte para continuar aqui ou que apareça algum clube grande que queira meu trabalho no Brasil ou na Europa.