Rússia: Dinheiro que gera resultados

Em 2005, pela primeira vez na história, um clube russo venceu uma competição européia. O CSKA Moscou, movido pelo dinheiro da Sibneft – hoje um braço da Gazprom no ramo de petróleo, venceu a Copa Uefa com uma vitória por 3 a 1 sobre o Sporting, em Lisboa. O time, hoje, é praticamente o mesmo daquela época.

Em 2008, pela segunda vez na história, outro clube russo faturou a Copa Uefa. Desta vez a honra coube ao Zenit St. Petersburg, que turbinado diretamente pelos investimentos da Gazprom no clube, ficou com o troféu do torneio após uma campanha épica, que culminou com a vitória por 2 a 0 sobre o Glasgow Rangers, em Manchester.

Obviamente as duas conquistas têm muito em comum. Primeiro, marcam o ressurgimento dos clubes russos no cenário europeu. Mesmo nos tempos da União Soviética, nunca as equipes russas estiveram tanto em evidência na Europa. Segundo, registram, de forma bem clara, a presença de grandes empresas no futebol do país – a maioria oriunda do setor energético russo e fonte da fortuna de novos ricos pós privatizações da URSS – e o enriquecimento da competição.

Hoje, a Premier Liga, naturalmente, não possui o status de um dos principais campeonatos europeus, no entanto, já figura em uma posição intermediária. Mas acima de tudo, os clubes russos voltaram a ser respeitados fora de suas fronteiras.

Aliado a esse boom do futebol nacional, a federação russa soube aproveitar o bom momento e investiu pesado na seleção. Na verdade, o investimento tem uma origem já conhecida dos clubes: Roman Abramovich.

O bilionário russo, que vendeu a Sibneft para a Gazprom, paga os salários de Guus Hiddink, treinador da seleção russa, contratado a peso de ouro. Além disso, é o responsável pelo investimento no novo centro de treinamentos da seleção, que está sendo construído na região de Samara, na Rússia.

Essa conflitante relação entre poder e futebol na Rússia gera diversas dúvidas acerca do futuro do esporte no país. Até quando os investimentos existirão? Até onde se sabe se todo o dinheiro é legal? Como ficam os jovens talentos, com a chegada de diversos estrangeiros?

Esse último ponto, no entanto, não é uma preocupação. Com os ótimos salários pagos pelos clubes russos, a maioria dos jogadores não se seduz por propostas de outros campeonatos – até porque irão receber valores similares, mas ficarão longe de seus familiares, amigos, casa.

O próprio Guus Hiddink costuma apontar, como um dos maiores defeitos da seleção russa, a falta de experiência internacional de seus atletas. Para exemplificar isso, somente um dos convocados para a Euro atua fora dos limites da Rússia: Ivan Saenko, atacante do Nuremberg.

Em um passado recente, havia um bom número de atletas russos jogando pela Europa. Um deles, Andrei Kanchelskis, no ano passado também criticou essa postura dos atuais jogadores. “Os jogadores russos conseguem tudo que querem na Rússia e não se transferem para clubes do exterior. São muitos que optam por permanecer no país, e isso impossibilita o nosso progresso”, afirmou Kanchelskis.

Nesse cenário, a Rússia tem se reerguido no mundo do futebol. Com dúvidas acerca do dinheiro gasto por clubes e seleção, mas com resultados em campo.

Ninguém duvida que o Zenit será um adversário duríssimo de ser batido na próxima Liga dos Campeões, assim como todos adversários enfrentarão a Rússia na Euro com um respeito que há tempos não existia.

O passado soviético não deixa dúvidas sobre a tradição dos russos no futebol. Um país que produziu jogadores como Lev Yashin e Igor Netto, membros da seleção soviética campeã européia em 1960, deve ser sempre respeitado.

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Equipe Trivela

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