Roda JC: Na boca do túnel

Na pequenina Kerkrade (cerca de 22km²), que tem uma população igualmente modesta (48 mil habitantes, pouco mais do que Jales, no interior paulista), um clube marca seu espaço no futebol holandês e eventualmente até no europeu. O Roda JC, aliás, hoje está em condições até mesmo de se arriscar a uma vaguinha na Liga dos Campeões, graças ao sistema de ‘playoffs’ na Eredivisie.

Para tanto, você esqueça de milionários excêntricos injetando dinheiro ou de uma eventual geração de craques formados na base. O clube é simplesmente administrado com sensatez, preservando treinadores (foram só 28 em quase 50 anos – e isso num clube que frequentemente fornece técnicos às equipes maiores). Assim, sem milagres, o time se mantém há 34 anos na primeira divisão, praticamente sem nunca ter sido rebaixado desde sua criação em 1962 (quando surgiu da fusão de outros clubes).

Mais um “fundido”

O Roda JC (que na verdade se chama Sport Vereniging Roda Juliana Combinatie) é o resultado da união de seis clubes (ou dois, que já eram resultado da formação de outros dois cada um). Em 1954, o Kerkrade e o Bleijerheide se uniram formando o Roda Sport num lado da cidade. Do outro, no mesmo ano, o Rapid 54 e o Juliana (que era uma agremiação amadora) deram origem ao Rapid JC.

O Rapid JC alcançaria sucesso rapidamente. Em 1955, a Holanda teria a introdução do futebol profissional no país, sagrando o Willem II como seu primeiro campeão. No ano seguinte, era o Rapid que levantaria o troféu. Seis anos depois, o Rapid JC e o Roda Sport se uniriam formando o Roda JC.

Caindo duas vezes em dois anos depois da fundação (por problemas financeiros), o Roda JC não conheceria mais o rebaixamento. Em 1966 passou para a terceira divisão; em 1971, para a segunda e desde 1973 está na divisão máxima, sempre fazendo um papel digno.

A região onde está o clube era o local onde estavam as minas de carvão do país. O distrito de Limburg (onde fica Kerkrade) é conhecido como Mijnstreek (região das minas), embora a mineração de carvão tenha deixado de ser a principal atividade econômica há décadas. Mas a história ficou: as canções locais e as referências aos mineiros e mineração ainda são o cerne da cultura local e fazem parte do folclore da torcida do Roda JC. Entre os 11 titulares do time campeão de 1956 do Rapid, dez eram mineradores.

Rivalidades

A rivalidade local é com outros clubes do distrito de Limburg, como o MVV, o VVV e o Fortuna Sittard. Hoje, nenhum deles está na primeira divisão e o Roda reina sozinho. Sem ter públicos gigantescos (a média em 2006-07 foi de cerca de 12 mil pagantes), o Roda é extremamente regular. Desde a promoção à Eredivisie em 1973, o clube terminou 20 vezes na parte de cima da tabela. Além de duas Copas da Holanda (mais três finais perdidas), o Roda teve sete campanhas na Copa Uefa e em 1994-95, foi vice-campeão, sendo o único time a não perder para o campeão Ajax.

O atual time do Roda JC é modesto, mas sempre apostando em novos talentos. O belga Matondo, o defensor turco Fatih Sonkaya e o volante marfinense Tioté são cotados no clube (embora o último esteja por empréstimo do Anderlecht-BEL). O técnico Raymond Atteveld teve uma carreira modesta como jogador, passando por Everton e West Ham, da Inglaterra. Nesta temporada, o Roda dificilmente fará frente aos grandes, mas com os ‘playoffs’, pode perfeitamente acabar surpreendendo por mais uma vaguinha na Europa.

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Equipe Trivela

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