Preview da Euro, parte 2

Euro 2012: Grupo B

Holanda – Time que está ganhando não se mexe

Ter alcançado a final da última Copa do Mundo fez bem para o ego da Holanda. O time está muito confiante e Bert van Marwijk decidiu mexer o mínimo possível no time que tentará repetir o sucesso de 88. Sneijder, o principal jogador na África, fez uma temporada bastante fraca e outros titulares na Oranje são reservas nos seus times. A Euro deve ser a última chance de glória dessa geração.

Time
Bert van Marwijk irá mudar apenas duas posições do time de 2010, confiando na campanha quase perfeita de nove vitórias em dez jogos nas Eliminatórias. A marcação é forte no campo todo e até Robben e Sneijder participam efetivamente. Com dois goleadores em grande fase, van Persie começa sozinho na frente, mas Huntelaar deve ter participação efetiva ao longo do torneio. O time joga com transição rápida e com extremos de pé invertido finalizando bastante.

Defesa
A lateral-esquerda é a única interrogação do time titular. Pieters, que assumiu a posição após a aposentadoria de van Bronckhorst, ficou de fora por lesão. O volante Schaars deve começar improvisado, mas ainda estão no elenco outras duas opções: Bouma, que vem atuando na zaga, e Willems, de apenas 18 anos. Mathijsen se recupera de lesão e, se não puder jogar na estreia, deve ser substituído por Vlaar. Stekelenburg, van der Wiel e Heitinga estão garantidos.

Meio-campo
Reserva no Manchester City, o instável de Jong é o cão de guarda do meio. O capitão, e genro do treinador, van Bommel dá o equilíbrio do meio e garante a liberdade de criação de Sneijder e Robben. Na esquerda, o jovem Afellay desbancou Kuyt, mas a entrega e a estrela do veterano seguem valorizadas. Apesar de vir jogando bem no Tottenham, van der Vaart ainda não conseguiu lugar no time.

Ataque
Huntelaar fez 49 gols na temporada e tem a melhor média de gols pela Seleção, mas o titular continua sendo Robin van Persie. O atacante do Arsenal foi o artilheiro da Premier League e tem mais recursos técnicos. Um excelente alternativa para o decorrer dos jogos será colocá-los juntos.

Opções
Rafael van der Vaart será o 12º jogador, podendo atuar até como volante. No ataque, além de Huntelaar, van Marwijk levou o jovem Luuk de Jong, outro bom jogador de área. Luciano Narsingh, do Heerenveen, compartilha com o belga Hazard o recorde de assistências na temporada europeia, 22.

Dinamarca – Sorte no jogo, azar no sorteio

A campeã de 92 chega como patinho feio do considerado ‘grupo da morte’. O experiente Morten Olsen, há 12 anos no cargo, acompanhou desde muito cedo a evolução de grande parte dos jogadores que irá comandar. Com o grupo na mão, o desafio será mostrar que a Dinamarca está sendo subestimada. Nas Eliminatórias, os dinamarqueses venceram o Grupo H, mandando Portugal para a repescagem.

Time
Longe de ser a Dinamáquina de 86 ou mesmo o time campeão europeu dos tempos de Laudrup, Olsen irá escalar um time ofensivo e que visa bastante o jogo aéreo. Se repetir a estratégia das Eliminatórias, a formação será o 4-3-3, entretanto o time fez jogos amistosos no 4-2-3-1. O treinador admite que ainda há posições em aberto na equipe que estreia contra a Holanda. O garoto Eriksen, de 18 anos, será pela primeira vez o protagonista.

Defesa
A lesão de Sørensen no amistoso contra o Brasil tirou da Dinamarca seu goleiro mais confiável. Andersen será o titular pois tem sequência de jogos no Evian, enquanto Lindegaard é reserva do Manchester United. Kjær e Bjelland disputam a posição de companheiro do capitão Agger, na zaga. Jacobsen e Simon Poulsen serão os laterais titulares, com muita liberdade de apoio.

Meio-campo
Melhores amigos desde criança, Zimling e Kvist farão a dupla de volantes. Zimling desbancou Christian Poulsen como cabeça de área. Kvist cresceu bastante após a troca do København para o Stuttgart e tem mais liberdade para articular. Eriksen será o centro técnico do time. Jovem debutante na Copa de 2010, o meia agora é titular do Ajax e um dos jogadores mais cobiçados do mercado europeu. É o único dinamarquês com potencial para se tornar um fora de série.

Ataque
O veterano Rommedahl já não tem a mesma velocidade mas continua garantido como winger pela direita. Na esquerda, Krohn-Dehli ganhou a posição durante as Eliminatórias e é menos agudo, frequentemente fechando para o meio. Bendtner será a referência de ataque e precisa provar que os torcedores do Arsenal estão errados em odiá-lo.

Opções
Olsen tentou escolher os jogadores em melhor fase técnica, mas o elenco carece de qualidade. O lateral Wass, que pertence ao Benfica, e o meia Schøne, recém-contratado pelo Ajax, devem ser bastante utilizados. O campeão nacional Nordsjælland teve três jovens convocados: o lateral Okore, o atacante Mikkelsen e o zagueiro Bjelland, novo reforço do Twente.

Alemanha – Futebol eficiente e bonito

O terceiro lugar nas últimas duas Copas e o vice na Euro 2008 não fazem justiça ao futebol que a Alemanha vem jogando nos últimos seis anos. Joachim Löw vem comandando com maestria uma geração brilhante de jogadores germânicos. Jovens, dedicados e incrivelmente talentosos, os alemães entram como favoritos em qualquer competição pelos próximos anos.

Time
O futebol bonito e eficiente da Alemanha na última Copa do Mundo é um dos fatores preponderantes para a massificação do 4-2-3-1 no futebol de alto nível. O time é compacto, coeso e consegue ter superioridade numérica no meio sem abdicar do ataque. A recuperação de Schweinsteiger será fundamental para que a ideia de Löw seja bem sucedida.

Defesa
Se ainda não é, Neuer será em breve o melhor goleiro do mundo. Talvez a maior experiência de Buffon e Casillas lhe deixe provisoriamente em terceiro. Hummels melhorou o miolo de zaga, mas Mertesacker não está na melhor forma e pode acabar deixando a equipe. Uma possibilidade é a entrada de Schmelzer, com Lahm passando para a direita e Boateng para a zaga central.

Meio-campo
Schweinsteiger dita o ritmo e controla o jogo de trás, acompanhado pelo dinâmico Khedira. Müller, Özil e Podolski fazem com perfeição o papel dos meias na formação alemã. Todos auxiliam na recuperação de bola ainda no campo de ataque e têm movimentação intensa, jamais deixando o atacante isolado. O prodígio Mario Götze vem sendo testado por Löw em diversas funções e certamente irá acumular minutos na Euro.

Ataque
Segundo maior artilheiro da história da Alemanha, atrás de Gerd Müller, e segundo com mais jogos pela Seleção, atrás de Lothar Matthäus, Miroslav Klose irá começar a Euro no banco. Isso se deve à grande forma de Mario Gómez na temporada. O atacante do Bayern marcou 42 gols na temporada e garantiu um lugar entre os 11.

Opções
A nova geração alemã impressiona pela qualidade e quantidade. Löw tem ótimas opções em quase todas as posições. Kroos, Götze e Reus seriam titulares em praticamente todas as demais participantes da Euro.

Portugal – É preciso mais, inclusive de Cristiano Ronaldo

Participante dos últimos sete torneios mais importantes do futebol internacional, Portugal precisa de vez mostrar em que patamar está. Os quinas colheram bons frutos da passagem de Luiz Felipe Scolari no comando, alcançando a final da Euro 2004 e a semi da Copa do Mundo 2006. No entanto, após a saída do brasileiro e da ascensão de Cristiano Ronaldo como craque do time, os resultados sumiram. O atacante do Real Madrid entrará em campo com a cobrança de ter pelo país o mesmo impacto que tem pelo clube.

Time
A equipe que começa a Euro é a mesma que passou pela Bósnia no playoff das Eliminatórias. Sem conseguir encontrar um pensador nos moldes de Deco e Rui Costa, Paulo Bento optou por um 4-3-3. Nani e Cristiano Ronaldo acabam sobrecarregados com as funções de armar e concluir. É uma equipe que gosta de jogar com a posse da bola, mas que apresenta poucas alternativas ofensivas.

Defesa
A péssima passagem de Eduardo pelo Genoa o derrubou do posto de goleiro de Portugal. Rui Patrício, mais regular no Sporting, será o titular. Com a aposentadoria internacional de Ricardo Carvalho, Bruno Alves assumiu a zaga ao lado de Pepe. Uma dupla de imposição e muito forte pelo alto. João Pereira e Coentrão foram incontestáveis nas laterais desde que Bento assumiu.

Meio-campo
O trio Veloso, Meireles e Moutinho tem qualidade técnica e é fundamental na manutenção da posse de bola. Entretanto, a falta de combatividade por vezes faz falta na proteção à defesa. Em algumas partidas, Meireles foi utilizado à frente da zaga, com Veloso na esquerda e Moutinho na direita. Carlos Martins ficou de fora da Euro, lesionado.

Ataque
Pauleta ainda deixa saudades em Portugal. Desde sua aposentadoria, ninguém tomou conta da camisa 9 dos Quinas. Hélder Postiga jogou pouco no Zaragoza, mas deve começar pelos gols importantes que já marcou. Nani e Cristiano Ronaldo não tem concorrência mas vêm sucumbindo à responsabilidade que carregam.

Opções
Talvez Hugo Viana possa acabar sendo o camisa 10 que faz tanta falta. Ele fez sua melhor temporada na carreira, jogando pelo Braga. Quaresma continua muito irregular para ser titular, mas é um bom substituto. O jovem Nelson Oliveira, destaque do último Mundial sub-20, tem muito potencial mas jogou muito pouco pelo Benfica.

Palpite do Marcação Pressão   
Melhor time da Europa no momento, a Alemanha é meu favorito para campeão. Portugal tem chance se fizer o que até agora ainda não conseguiu, mas a tendência é que a Holanda avance em segundo no grupo. A Oranje pode inclusive reencontrar os alemães na final. A Dinamarca teria condições de alcançar as quartas de final se não estivesse nessa chave.

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