Premier League – Resumo do primeiro turno

Embora não tenha uma tabela espelhada, com jogos de ida e volta nas mesmas rodadas do turno e returno, a Premier League atingiu 19 jornadas, o que significa meio caminho andado – exceto para o Manchester United, com duas partidas atrasadas. Por isso, apresentamos o que houve de melhor e pior para as equipes que compõem atualmente o grupo de classificação para as próximas competições européias.

O abismo técnico e econômico já é notado em apenas um turno de Premier League e a distância do líder Liverpool para o sexto colocado Everton é de abissais 13 pontos. Ou, ainda, os Reds têm o dobro de pontos do comentado Manchester City, apenas o 15º. Isso não quer dizer, ao contrário do que se pode imaginar, que faltam emoções. O Campeonato Inglês parece cada vez mais consolidado como o mais atraente, de qualquer ponto de vista que se veja, em todo o mundo.

Sem mais delongas, vamos ao que de melhor houve neste primeiro turno, frisando apenas que os quatro primeiros avançam para a Liga dos Campeões 2009/10 e o quinto colocado, além do campeão da FA Cup e a da Copa da Liga disputam a Liga Europa, sucessora da Copa Uefa.

Lembramos ainda que Bundesliga, Ligue 1, Serie A e La Liga terão o mesmo espaço nos próximos dias. Fique de olho!

Números do primeiro turno

Média de gols: 2,59
Melhor ataque: Chelsea, 38 gols
Melhor defesa: Chelsea, 7 gols
Pior ataque: West Bromwich, 14 gols
Pior defesa: Hull City, 36 gols
Artilheiro: Anelka, 14 gols

Seleção do primeiro turno

Cech; Bosingwa, Rio Ferdinand, Vidic e Lescott; Park, Gerrard, Xabi Alonso e Ashley Young; Agbonlahor e Anelka. Téc: Martin O’Neill.

1-) Liverpool – 42 pontos em 19 jogos

Desde que venceu a Liga dos Campeões em 2005 – após 21 anos, a torcida do Liverpool decidiu que não havia missão mais importante para o mais tradicional clube inglês senão vencer sua própria liga. Assim, e observando o crescimento do Manchester United, bicampeão em 2006/07 e 2007/08, os Reds determinaram o título da Premier League como uma verdadeira obsessão. Esse troféu não é levantado desde 89/90, quando o Campeonato Inglês ainda não vivia em sua era moderna, iniciada a partir de 92. No total, são 18 títulos a 17 a favor do Liverpool.

Posto isso, é possível identificar no time da atual temporada uma força em brigar pelo título que não se via há anos. Essa ansiedade, porém, tem provocado hesitações que um campeonato competitivo como a Premier League não perdoa. Embora só tenha perdido uma partida no turno – para o Tottenham, em Londres -, os de Rafa Benítez vacilaram atuando em Anfield Road, onde empataram com West Ham, Stoke, Fulham e Hull City. O clássico contra o Arsenal no Emirates Stadium era outra partida acessível, mas faltou o espírito vencedor que tanto costuma sobrar aos Reds.

A sombra do Manchester United vindo forte no retrovisor é o maior obstáculo para o título inglês do Liverpool. Rafa Benítez, entretanto, costuma ver sua equipe crescer nos últimos meses da temporada, e Fernando Torres, recuperando-se de lesão, voltará em breve, novinho em folha, para dar o poder de fogo que tem faltado em alguns momentos. Se parar de hesitar em jogos tolos, os Reds podem se manter como os vencedores absolutos do Campeonato Inglês.

Time-base no turno (4-2-3-1): Reina; Arbeloa, Carragher, Agger (Hyypiã) e Fábio Aurélio; Mascherano e Xabi Alonso; Kuyt, Gerrard e Riera; Fernando Torres (Keane). Téc: Rafa Benítez
Colocação na última temporada: 4º
Objetivo: título
Prêmios na temporada: Rafa Benítez, treinador de outubro

Mais utilizados: Reina, Carragher, Xabi Alonso e Kuyt (19j)
Melhor jogador: Gerrard
Artilheiro: Gerrard – 6 gols
Melhor partida: Liverpool 2 x 1 Manchester United (4ª rodada)
Pior partida: Liverpool 0 x 0 West Ham (15ª rodada)
Jogo-chave no returno: 29ª rodada contra o Manchester United, fora de casa

2-) Chelsea – 41 pontos em 19 jogos

Embora a grande missão de Felipão no Chelsea seja colocar a equipe no topo da Europa, não dá para imaginar que o título inglês seja um objetivo descartável para Peter Kenyon e Roman Abramovich. Por isso, a produtividade dos Blues em campo, apesar da boa posição na tabela, tem rendido críticas à Scolari que, deve ser lembrado, quase sempre teve dificuldades em seus inícios de trabalho e também se caracterizou por títulos em competições de mata-mata, e não pontos corridos.

A questão central das críticas ao início de turno do Chelsea passa pelo desempenho em Stamford Bridge, onde os Blues se acostumaram a ser imbatíveis nos últimos quatro anos, totalizando 86 jogos com vitórias ou empates. Em seus domínios, os de Felipão só venceram quatro de dez partidas nesta Premier League, e perderam para Liverpool e Arsenal, um desempenho fraquíssimo e que passa, também, pela dificuldade de acoplar Deco, Lampard e Ballack no mesmo meio-campo. Lesões importantes também afligiram o elenco azul, que só agora pode desfrutar da plenitude física de Drogba.

Em razão do talento de seus jogadores e da capacidade de Felipão em situações extremas, sobretudo decisivas, o Chelsea jamais pode ser descartado como favorito ao título. Afinal, a distância na pontuação é mínima. Contudo, nota-se uma má fase técnica pairando sobre Stamford Bridge, e os Blues só venceram três dos seis últimos jogos do turno. Uma melhora nesse índice será indispensável para recolocar a equipe em condição de brigar de fato pelo título, condição comum às últimas quatro temporadas.

Time-base (4-1-3-2): Cech; Bosingwa, Ricardo Carvalho (Alex) (Ivanovic), Terry e A.Cole; Mikel; Ballack (Malouda), Deco e Lampard; Joe Cole e Anelka. Téc: Luiz Felipe Scolari
Colocação na última temporada: 2º
Objetivo: título
Prêmios na temporada: Deco, jogador de agosto; Lampard, jogador de outubro; Anelka, jogador de novembro.

Mais utilizados: Bosingwa, Lampard e Anelka (19j)
Melhor jogador: Lampard
Artilheiro: Anelka – 14 gols
Melhor partida: Middlesbrough 0 x 5 Chelsea (8ª rodada)
Pior partida: Chelsea 1 x 1 West Ham (17ª rodada)
Jogo-chave no returno: 21ª rodada contra o Manchester United, fora de casa

3-) Manchester United – 35 pontos em 17 jogos

A exaustiva – e vitoriosa – última temporada fez com que o Manchester United demorasse a engatar em 2008/09. Apenas na 11ª rodada a equipe de Alex Ferguson se integrou às quatro primeiras posições, mas já é possível apontá-la brigando de maneira incisiva pelo tricampeonato inglês, que seria o segundo de sua história. Os Red Devils venceram quatro de seus últimos cinco jogos e não perdem desde 8 de novembro.

Com vitórias simples nos jogos atrasados – contra Fulham e Middlesbrough, ambos no Old Trafford -, o Manchester United se iguala ao Chelsea e põe grande pressão sobre o Liverpool, que já sente ameaçado, a bem da verdade. Outro indicativo de que a equipe de Cristiano Ronaldo vai chegar, de fato, muito forte para o returno, é o fato de enfrentar Arsenal, Chelsea e Liverpool em seus domínios, uma vantagem importantíssima para duelos tão competitivos. Em 2007/08, por exemplo, todos os três integrantes do Big Four foram batidos no Teatro dos Sonhos. Na atual temporada, o melhor desempenho como anfitrião é do United, diga-se de passagem.

Uma constatação importante a se fazer é a respeito da forma de Wayne Rooney, assumindo um papel de maior protagonista do time na temporada enquanto Ronaldo atua em 2/3 de sua capacidade técnica – o que não é pouco. Jogadores experientes como Scholes, Giggs e Gary Neville já não são mais indispensáveis como eram há dois anos, e Park, Fletcher e até o jovem brasileiro Rafael têm tido participações elogiáveis como titulares, rejuvenescendo uma equipe que, quando chega, não dá moleza.

Time-base (4-4-2): Van der Sar; Rafael, Rio Ferdinand, Vidic e Evra; Ronaldo, Carrick, Fletcher e Park; Rooney e Berbatov. Téc: Alex Ferguson
Colocação na última temporada: 1º
Objetivo: título
Prêmios na temporada: nenhum

Mais utilizados: Vidic e Van der Sar (16j)
Melhor jogador: Rooney
Artilheiro: Ronaldo – 8 gols
Melhor partida: Manchester United 4 x 3 Hull City (11ª rodada)
Pior partida: Arsenal 2 x 1 Manchester United (12ª rodada)
Jogo-chave no returno: 29ª rodada contra o Liverpool, em casa

4-) Aston Villa – 35 pontos em 19 jogos

O amadurecimento do trabalho de Martin O’Neill chegou já em sua terceira temporada em Birmingham, e o Aston Villa é uma das poucas coisas fora do script na Premier League 2008/09. Desde o início invicto em 2006/07 e algumas boas atuações na última temporada, esperava-se que o Villa pudesse progredir, mas não a ponto de se infiltrar na zona de classificação para a Liga dos Campeões com tanta autoridade.

O crescimento do Aston Villa passa primeiramente pelo crescimento de Ashley Young e Agbonlahor, 23 e 22 anos respectivamente. Os grandes nomes da equipe receberam o suporte de contratações eficazes e baratas, como do experiente Friedel para o gol e de Shorey e Luke Young para as laterais. O negócio ousado foi a vinda de Milner, um jogador emergente no Newcastle e com o estilo de jogo adequado ao do Villa. Outra atitude firme no mercado foi a manutenção do capitão Gareth Barry, cobiçadíssimo pelo Liverpool.

Com esse respaldo, Martin O’Neill desenvolveu uma equipe de meio-campo firme e criativo, com a verticalidade de Young e Milner pelos lados, o comando seguro de Barry e as incursões de Sidwell à área. Outro ponto notável do Villa é a personalidade firme, demonstrada por exemplo há poucos dias no segundo duelo contra o Arsenal na temporada. Assim, é possível ver o Aston Villa ameaçando o Big Four como não se fazia desde o Tottenham de Martin Jol em 2005/06.

Time-base (4-1-4-1): Friedel; Luke Young, Davies, Laursen e Shorey (Reo-Coker) (Cuellar); Petrov; Milner, Sidwell, Barry e Ashley Young; Agbonlahor. Téc: Martin O’Neill
Colocação na última temporada: 6º
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Prêmios na temporada: Ashley Young, jogador de setembro

Mais utilizados: Friedel, Barry, Ashley Young e Agbonlahor (19j)
Melhor jogador: Ashley Young
Artilheiro: Agbonlahor – 9 gols
Melhor partida: Arsenal 0 x 2 Aston Villa (13ª rodada)
Pior partida: Aston Villa 1 x 2 Middlesbrough (12ª rodada)
Jogo-chave no returno: 26ª rodada contra o Chelsea, em casa

5-) Arsenal – 32 pontos em 19 jogos

Cada vez que gasta pouco e aposta no crescimento de suas promessas, Wenger é criticado, pois os resultados que se esperam do Arsenal têm sido de títulos. Por isso, os 23 milhões de euros investidos na última janela – exatamente o mesmo valor arrecadado com vendas – são motivo de polêmica no comando dos Gunners, e a ameaça de perder a vaga na próxima Liga dos Campeões é real e seria devastadora às finanças. Por isso, o clube é favorito a incorporar nomes ao seu elenco na janela de inverno.

Os problemas em Ashburton Grove se ampliam em razão das várias lesões – a mais recente deixará Fabregas no estaleiro por 4 meses -, como de Walcott, Bendtner e ainda Eduardo da Silva e Rosicky. Além disso, a mentalidade dos Gunners não parecem ter evoluído em relação à última temporada, e se sobram bons resultados em jogos importantes, como contra Manchester United e Chelsea, também há apagões, como perder pontos para Fulham e Hull City, entre outros.

A matemática, entretanto, não apresenta tantos problemas assim. A margem de pontos é pequena e garantir-se na próxima Liga dos Campeões já seria um feito para Wenger, habilidoso o suficiente para atingir esse objetivo. Equacionar esses problemas, trabalhar bem a cabeça do elenco e ser cirúrgico no mercado de inverno deixará o Arsenal em condições de barrar sua maior de cabeça chamada Aston Villa.

Time-base (4-4-2): Almunia; Sagna, Gallas, Silvestre e Clichy; Walcott, Fabregas, Denílson e Nasri; Van Persie e Adebayor. Téc: Arséne Wenger
Colocação na última temporada: 3º
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Prêmios na temporada: nenhum

Mais utilizados: Almunia e Clichy (19j)
Melhor jogador: Van Persie
Artilheiro: Van Persie – 8 gols
Melhor partida: Arsenal 2 x 1 Manchester United (12ª rodada)
Pior partida: Arsenal 1 x 2 Hull City (6ª rodada)
Jogo-chave no returno: 37ª rodada contra o Manchester United, fora de casa

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