Playboys precisam da Gaviões pra fingir que são povão

Em 2009, escrevi o texto que segue:

“O clássico paulista, como se esperava, acabou em confusão, mas ao contrário do imaginado, a (violenta e encrenqueira) torcida do São Paulo não teve nada a ver com ela. Há três versões para o caso: a da PM, a da gangue organizada e a de torcedores que não fazem parte da gangue.

A versão da gangue é de que a polícia partiu para cima dela “do nada”, ou seja, sem motivo nenhum. A da PM, de que a polícia reagiu a torcedores que “partiram pra cima” dela. O que coincide com a versão dos torcedores corintianos não ligados à gangue. Torcedores, aliás, que foram mantidos fora da partida pela “moderna” diretoria recém-eleita, que só deixou a gangue comprar ingresso para a arquibancada.

Todas as organizadas de São Paulo se comportam como gangues. A do São Paulo, diga-se, costuma ser a mais violenta, e pode ser que só não tenha participado da confusão porque ela começou antes que ela pudesse se envolver. Quem já viu como atua a principal gangue corintiana, porém, deve deduzir que é ela a mais provável culpada pela confusão – aliada, claro, à falta de preparo da PM, com uma parcela bem menor da culpa.

Até aí, tudo igual: a maioria dos times grandes têm gangues ligadas a si. A diferença é que a gangue corintiana é “mainstream”. Um jogador que se apresenta ao clube é obrigado a reconhecê-la, a colocar seu boné. Pessoas “da moda” usam sua camisa. E a diretoria do Timão dá moral a ela todo o tempo. E DEU MORAL NESSE JOGO, DEU EXCLUSIVIDADE ÀS GANGUES PARA A COMPRA DE INGRESSOS. Aliás, não só a diretoria, mas a maioria esmagadora da mídia também. A torcida do Corinthians é seguidas vezes desrespeitada ao ser confundida com esses bandidos. Há quem comemore carnaval dos caras como se fosse conquista do clube.

Não é a primeira vez que esses caras aprontam, não vai ser a última. Enquanto tiver torcedor corintiano legitimando eles, vai ser assim. Portanto, corintiano, acorda: a Gaviões não representa você. Não torce para o seu time. Torce para si mesma, e para seus fins criminosos e violentos. E se você “torce” para ela e usa sua camisa, compactua com isso: crimes e mortes.”

Fevereiro de 2009. Três anos depois e só mudam os detalhes.

Antes de existir gaviões da Fiel existia Corinthians. Antes de existir Gaviões da Fiel o Corinthians jogava futebol, ganhava títulos e arrastava multidões aos estádios. Antes de existir Gaviões da Fiel os corintianos tinham sua escola da samba, a Vai-Vai, o carnaval de São Paulo era igual a hoje, uma droga, mas não tinha violência.

Quem preserva isso é quem bate no peito pra defender as organizadas. É o playboy que vai ao jogo de carro importado mas diz que é da Gaviões pra se sentir povão. Quem vem com o papinho de “comunidade”, “a Gaviões é uma família”. A máfia também é uma família. Não é a Gaviões que é povão, é o Corinthians. A Gaviões é só uma quadrilha que conta com um número enorme de inocentes úteis para protegê-la. E, repito sempre: se você a enaltece, enaltece seus crimes, inclusive seus homicídios.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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