Pisa: a Torre está voltando

Nesta Série B, os favoritos para o acesso, até começara temporada, eram os times que caíram recentemente: Brescia, Chievo, Bologna, Lecce. Mas se você der uma olhada na tabela da competição verá que o líder, com 24 pontos ganhos nas 10 primeiras rodadas é o modesto Pisa. Com 100% de aproveitamento em casa, o time ‘nerazzurro’ da cidade toscana é a sensação da temporada e é um dos favoritos para ganhar a vaga na elite.

Para se começar a falar da cidade, é inevitável falar da torre de Pisa. Um dos pontos turísticos mais famosos do planeta, a famosa torre inclinada começou a ser construída em 1174 e, em função do afundamento do terreno, começou a sofrer a inclinação. O clube foi fundado bem depois, na primavera de 1909, mas sofreu várias quedas na sua história que vem a seguir.

As atividades do Pisa Sporting Club começaram oficialmente em 1914 na Copa Federale Toscana, defendendo suas cores na Piazza d'Armi, e o time neroazzurri conquistou o título cincos vezes consecutivas de 1914 a 1921, lembrando que, por causa da I Guerra Mundial, o torneio foi suspenso de 1917 a 1919. O quinto título já foi conquistado no estádio Arena Garibaldi, batendo o Livorno por 3 a 0. Na época, o scudetto era disputado pelos campeões de cada região. O mítico Pisa, vencedor da região centro-sul, disputou o título com o poderoso Pro Vercelli, mas, mesmo com uma atuação fantástica do goleiro Gianni, perdeu o título.

Na década de 1920, o Campeonato Italiano sofreu várias alterações e o Pisa fez campanhas regulares na série B. Nas décadas seguintes, o Pisa passou por situações financeiras dramáticas e passeou pelas divisões de acesso do Campeonato Italiano.

Com a eleição de Giuseppe Donati para a presidência, o clube sofreu uma reforma radical na sua estrutura, levando o time a conquistar a segunda divisão de 67-68, com um time histórico, mas que só se manteve por uma temporada na divisão de elite. Depois disso, tal qual a torre, o time foi caindo até passar grande parte dos anos 70 na terceira divisão. Mais uma vez com um novo presidente, agora o ardente Romeo Anconetani (atualmente ele dá nome à Arena Garibaldi), o time voltou a crescer, até chegar – após 13 anos – à divisão principal em 1982.

O grande destaque do time da cidade da torre nos anos 80 foi o dinamarquês Klaus Bergreen, que marcou 29 gols em 124 jogos. Foram mais anos de sobe-e-desce do Pisa, mas também foram os anos em que o time conquistou títulos internacionais. Em 86 e 88, os Torri (é desnecessário explicar o apelido) conquistaram a Coppa Mitropa (nome derivado da contração alemã Mitteleurope = Europa Central). A temporada de 88, também será lembrada pelo gol Dunga, atual técnico da seleção brasileira, contra a Internazionale.

A temporada 90-91 foi a última na divisão principal da Itália, o Pisa mais uma vez caía. Em 1990, uma avaliação de engenheiros indicou que a Torre de Pisa corria o perigo de cair de vez, chegou a ficar inclinada 4,5 metros em relação a seu eixo original. A torre foi então fechada para a visitação, e um comitê internacional foi criado para realizar uma obra visando salvar o monumento. O clube foi caindo até que, devido a uma série crise financeira, teve que trocar de nome para Associazione Calcio Pisa, que deveria que disputar a sexta divisão.

A Torre de Pisa foi salva por pelo menos 300 anos. O time, na última temporada, conquistou, enfim, uma vaga na segunda divisão após 13 anos de sofrimento. Alguns dos destaques da boa campanha foram o goleiro Puggioni, que passou 594 minutos sem levar gol, e o meio-campista D’Anna.

Série B

Neste início de campeonato, na Série B, pensava-se que o Pisa pudesse sofrer para manter a sua presença na segunda divisão, mas o clube vem liderando com 8 vitórias em 10 jogos, sendo que venceu todos cotejos fora da Arena. Os artilheiros da equipe são o argentino Nacho Castillo com 8 gols e Cerci com 5. Outro destaque é o atacante da seleção da Bielorrússia, Kutuzov.

O elenco deste ano não tem nenhum grande destaque (talvez o bielorusso, que vinha de várias temporada na primeira divisão). Giampiero Ventura, que caiu com o Verona para a Série C1. Ao escolher o Pisa, optou por tentar a sorte num clube que não chega à Série A desde 1991. O brasileiro Juliano, que passou por Palmeiras, Coritiba e Flamengo, também faz parte da aventura ‘pisana’. A torre está firme e o time está subindo mais uma vez.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo