Pearce: Atrás das revelações

Dentre diversos nome que apareceram nos últimos anos na Inglaterra, alguns parecem ser fadados ao esquecimento ou a serem lembrados raramente, enquanto outros fazem o caminho inverso.

Um dos que se enquadram no primeiro caso é Stuart Pearce. Defensor de grandes qualidades e tido como um dos melhores da década de 90 em sua posição, o atual técnico da seleção sub-21 inglesa não apareceu bem no cenário internacional. Mas, no caso dele, isso não foi tão ruim assim.

Jogador, encanador e eletricista

Nascido nos arredores de Londres, Pearce teve um começo de carreira comum a vários outros atletas: rejeitado em testes no Queens Park Rangers, ele rejeitou uma oferta do Hull para jogar no pequeno Wealdstone, time da região de Middlesex. Enquanto atuava em ligas amadoras, trabalhava como encanador e eletricista.

O atleta atuou de 1978 a 1983 no Wealdstone, depois se transferindo para o Coventry, pelo valor de 30 mil libras. O estilo de jogo do Pearce agradou muito o então técnico dos skyblues, Bobby Gould, que fez questão de ter o atleta jogando pela esquerda em seu time.

A carreira dele em Coventry durou apenas duas temporadas. Por 300 mil libras, ele deixou o clube para ir para o Nottingham Forest, a pedido do lendário Brian Clough. Pelo Forest, Stuart Pearce faria história pelo clube e também no futebol inglês.

Os anos em Nottingham

Foram 12 temporadas atuando pelo Forest. Temporadas estas que mostraram que Pearce era um combativo defensor que marcava duro seus adversários sem ser violento. Mas logo nos primeiros dias, ele temia por seu futuro como futebolista, tanto que anunciava os próprios serviços de eletricista nos programas das partidas.

Além de chances pelo English Team, o defensor ganhou duas Copas da Liga e uma Full Members Cup (competição criada durante a época em que os clubes ingleses estavam suspensos de competições internacionais). Seu momento máximo pelo clube foi um gol de falta na Final da FA Cup de 1991, quando perderam para o Tottenham.

Os anos finais não foram dos melhores. Viveu o rebaixamento em 1993, superado pelo retorno a Premier League na temporada seguinte. Em 1996, viveu uma experiência não muito estranha por lá: foi técnico-jogador do Forest durante parte da temporada, sendo até técnico do mês em uma oportunidade. O rebaixamento do clube ao final daquela temporada foi determinante para sua saída do clube

Sai o jogador, entra o técnico

Pearce permaneceu na Premiership, agora vestindo a camisa alvinegra do Newcastle. Pelos magpies, chegou à outra final da FA Cup, em 1998, mas acabou sendo novamente o vice-campeão. Em 1999, após problemas com o então técnico do clube, Ruud Gullit, deixou o Newcastle para defender o West Ham. Encerrou a carreira de jogador na temporada 2001/02, pelo Manchester City.

Foi no próprio City que o “Psycho” (apelido dado pelos torcedores do Nottingham Forest, pelo jeito dele jogar) iniciou de vez sua carreira de treinador, em 2005. Ficou dois anos no clube, até trocar o futebol de clubes pelo de seleções. Desde 2007, é o treinador da seleção inglesa sub-21, além de ser auxiliar da seleção principal inglesa desde a chegada de Fabio Capello ao English Team.

Seu maior sucesso até aqui foi chegar às semifinais do Europeu sub-21 de 2007. Com jogadores como Matt Derbyshire e Leroy Lita, acabou eliminado nos pênaltis pela seleção da casa, a Holanda

Pelo English Team

A carreira na seleção deste fã de punk rock e de teatro começou em 1987, justamente em uma partida contra o Brasil. A partir daí, se tornou figura obrigatória nas convocações da seleção inglesa desde então, assumindo a lateral-esquerda com fervor.

Pearce perdeu a Eurocopa de 1988 por causa de uma contusão, mas estaria dentro do grupo que foi à Copa de 1990, na Itália, onde acabou por perder um pênalti na disputa de penalidades da semifinal contra a Alemanha Ocidental. Ele ainda participaria das Euros de 1992 e 1996. Pouco tempo após o final desta competição, abandonou o English Team.

Uma última curiosidade: Pearce é, desde janeiro de 1999, membro da Ordem do Império Britânico, honraria concedida pela própria Rainha Elizabeth II.
 

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Equipe Trivela

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