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Os laterais do Brasil

Dando seqüência ao trabalho iniciado em outubro, a Trivela segue apresentando os nomes que orbitam – ou podem ou deveriam orbitar – nos planos de Dunga para as Eliminatórias. Após dez goleiros apresentados na primeira edição da série, agora vamos aos laterais. Ao todo, são doze os nomes selecionados. Além de preencher os lados da linha defensiva, os laterais da seleção brasileira, desde a última Copa, têm uma árdua missão: preencher as lacunas deixadas por Cafu e Roberto Carlos, verdadeiras bandeiras na história da verde-amarela.

Pela direita, Cafu detém o recorde de atuações à frente da seleção brasileira. São 147 partidas, de 1990 até 2006, contando ainda os títulos mundiais de 1994 e 2002. Pela lateral-esquerda, sucesso semelhante fez Roberto Carlos, muito criticado após a eliminação na Copa passada, mas de ótima trajetória e outras 130 atuações.

Hoje, as duas posições não têm mais referências absolutas, mas há, ao certo, nomes capazes de dar conta do recado. O início das Eliminatórias deixou claro que, inicialmente, Maicon e Gilberto têm a preferência de Dunga, sendo Daniel Alves e Kléber, respectivamente, suas principais ameaças.

Maicon
Internazionale – ITA, 26 anos
Titular da seleção nos títulos das duas últimas Copas Américas, Maicon só não esteve na última Copa graças ao grande sucesso de Cicinho em 2005 e 2006. Presente em onze das doze convocações de Dunga, é parte importante da Internazionale, onde foi bi-campeão italiano. Forte fisicamente e bom marcador, tem também razoável qualidade no apoio. Preferido do treinador para o início das Eliminatórias, fez boa partida contra o Equador, o que deve lhe permitir estabilidade para os próximos jogos.

Daniel Alves
Sevilla – ESP, 24 anos
O sucesso que Daniel Alves faz na Europa, de certa forma, surpreende os brasileiros mais desavisados. Campeão mundial sub-20 em 2003, construiu uma reputação como poucos atuando com a camisa do Sevilla. Contudo, somente Dunga olhou para o seu futebol com mais carinho. No auge da carreira, só não esteve presente em duas das convocações pós-Copa 2006, muito embora, na maioria delas, a primeira opção tenha sido Maicon. Razoável na marcação e letal no apoio, é candidato forte para ter a camisa dois às costas na África do Sul.

Cicinho
Roma – ITA, 27 anos
Se a experiência de disputar uma Copa do Mundo, mesmo como reserva, vier a pesar, Cicinho é candidato único. Fadado como sucessor de Cafu, não foi feliz no Real Madrid, tendo passado por delicada cirurgia no joelho e perdido boa parte das convocações da Era Dunga – só foi lembrado duas vezes. Na Roma, não é titular com regularidade, o que pode lhe atrapalhar ainda mais na corrida por oportunidades. De todos da lista, é o melhor nos cruzamentos, embora um dos mais deficitários na marcação.

Rafinha
Schalke 04 – ALE, 22 anos
Unanimidade entre os que acompanham o futebol europeu, sobretudo o alemão, Rafinha ainda não recebeu chances da comissão técnica brasileira. Um dos poucos a se salvar no Mundial Sub-20 de 2005, o ex-Coritiba já é bastante respeitado pelas atuações no Schalke e, possivelmente, deve ser o titular em Pequim. A tendência é que, a médio-prazo, entre na briga com os três nomes acima. É muito bom no apoio e, na defesa, tem razoável qualidade.

Ilsinho
Shakhtar – UCR, 22 anos
Após um ótimo ano de 2006, em que pintou bem no Palmeiras e terminou o ano em alta no São Paulo, o jovem Ilsinho, chamado uma vez por Dunga, sofreu uma fase razoavelmente irregular. Sua venda ao Shakhtar, no meio deste ano, passou quase despercebida no Morumbi, embora tenha rendido uma quantia interessante ao clube. Atuando como meio-campista na Ucrânia, tende a acentuar suas enormes dificuldades defensivas, embora, apoiando, sobretudo nos dribles, seja muito bom. Concorre com Rafinha pela vaga em Pequim.

Leonardo Moura
Flamengo, 29 anos
Imaginar Leonardo Moura na África do Sul, dada a presença dos nomes citados acima, seria um desatino, tamanha a rodagem do flamenguista, hoje com 29 anos. Contudo, jogando muito bem em 2007, é cabível incluir o carioca na relação. Sem nenhuma chance com a verde-amarela ao longo da carreira, Léo tem excepcional preparo físico e chega bem à frente. Porém, precisa de um esquema tático moldado ao seu estilo de jogo, em que uma cobertura eficiente ganhe status de imprescindível.

Gilberto
Hertha Berlim – ALE, 31 anos
Reserva de Roberto Carlos na última Copa, o experiente Gilberto vem tendo a preferência de Dunga. De fora só de duas das doze convocações do treinador, se destaca pela regularidade e capacidade de passe e marcação. Porém, ao contrário do que o brasileiro está acostumado a ver, raras são as vezes em que o jogador vai até a linha de fundo. Em 2010, terá 34 anos, o que lhe exigirá um nível alto de exibições para manter um lugar entre os onze.

Kléber
Santos, 27 anos
Presente em seis das últimas sete listas de Dunga, o santista Kléber carrega o peso de ser, após a delicada lesão de Alex Silva, teoricamente, na cabeça do treinador, o único convocável em território nacional. Experiente e milimétrico nos cruzamentos, é também discreto e, dentro do possível, razoável na marcação. Cotado para jogar na Europa em 2008, corre o risco de fazer uma escolha equivocada e perder espaço, tal qual ocorreu em 2003.

Marcelo
Real Madrid – ESP, 19 anos
Após debutar com gol na seleção principal, frente ao País de Gales, o ex-Fluminense ralou para conquistar seu espaço entre as primeiras opções no Real Madrid. Neste período, perdeu terreno na briga por lembranças de Dunga, tendo também passado despercebido no último Mundial Sub-20. Subindo de produção e possivelmente titular em Pequim, o jovem Marcelo terá, fatalmente, chances de readquirir a preferência do treinador.

Adriano Correia
Sevilla-ESP, 23 anos
06 de fevereiro de 2007. Lá se vão mais de nove meses da última convocação de Adriano, que também perdeu algum espaço no Sevilla. Jovem, versátil e com potencial, porém, o sevillista tem tempo suficiente para correr atrás de novas oportunidades. Ambidestro e eventualmente capaz de jogar no meio-campo, é regular no ataque e na defesa, características que dão, claramente, margem de manobra para qualquer treinador.

Jorge Wagner
São Paulo, 28 anos
Transferências pouco felizes para Lokomotiv Moscou e Real Betis, nos últimos anos, provocaram efeito nocivo para a carreira de Jorge Wagner, jamais lembrado para a seleção brasileira. Adaptado como lateral-esquerdo por Muricy Ramalho desde o Internacional, o são-paulino, porém, tem atuado com extrema regularidade e, possivelmente, permanecerá no Morumbi em 2008. Assim, cabe imaginar uma convocação para ele. Acima da média nos cruzamentos e eventualmente meia ou volante, oferece opções ao time em que joga.

Fábio
Fluminense, 17 anos
Projetar a convocação de qualquer jogador de 17 anos, claro, já é um exagero por si só. Contudo, a falta de nomes consistentes e a expectativa que gira em torno de Fábio, ainda não profissionalizado no Flu, permite sua inclusão na lista. Dotado de prestígio mundial na categoria sub-17, o destro, porém lateral-esquerdo, já é do Manchester United, para onde irá em 2008 com o irmão Rafael. Como nove em cada dez laterais brasileiros, é ultra-ofensivo, o que fatalmente lhe prejudicará na Europa, assim como as dificuldades iniciais para atuar. É azarão, mas pode se beneficiar de um declínio, até certo ponto previsto, de Kléber e Gilberto.

Os goleiros do Brasil

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Equipe Trivela

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