Olimpia: Vice-campeão centenário

Tudo bem, tudo bem. O Real Madrid venceu o Olimpia por 2 a 0 e foi campeão mundial. Mas o bravo time paraguaio teve chances de abrir o placar e até mesmo vencer o jogo em Yokohama. Não é fácil sair de Assunção e chegar ao Japão para encarar feras como Ronaldo, Zidane, Figo, Raul, Roberto Carlos, Hierro e outros mais. O técnico Nery Pumpido (goleiro da seleção Argentina nas Copas de 86 e 90) fez um belo trabalho e caiu realmente diante do melhor time do mundo.

Para chegar ao Mundial, o Olimpia derrotou o São Caetano na final da Libertadores, em pleno estádio do Pacaembu. Alguns disseram que o Azulão amarelou, mas os meninos de Pumpido mostraram-se legítimos paraguaios, honrando a tradição de vencedor de duas taças Libertadores da América, uma intercontinental, uma Supercopa e 39 títulos nacionais (é o clube guarani com mais campeonatos). Se nos últimos anos a seleção paraguaia ganhou prestígio internacional, fazendo o país exportar jogadores para todo o mundo, o Olimpia certamente tem uma grande responsabilidade nisso.

Em seu caminho rumo ao terceiro título do continente, o Olímpia terminou a primeira fase em primeiro lugar, passando pelo brasileiro Flamengo, pelo chileno Universidad Católica e pelo colombiano Once Caldas. Nas oitavas-de-final derrotou duas vezes o Cobreloa, também do Chile (2 a 0 e 2 a 1); nas quartas, passou pelo tradicional Boca Juniors (1 a 1 e 1 a 0) e nas semi-finais despachou o Grêmio, num jogo emocionante disputado em Porto Alegre. Depois de vencer em casa por 3 a 2, os paraguaios precisavam apenas de um empate para garantir a vaga na final. Mas a garra gaúcha entrou em campo, e o tricolor venceu no tempo normal por 1 a 0. Nos pênaltis, mais sorte teve o Olimpia: 5 a 4.

Na grande final, estava de um lado o emergente brasileiro São Caetano e do outro o experiente Olimpia. No primeiro jogo, em Assunção, o Azulão surpreendeu vencendo por 1 a 0, frustrando os torcedores guaranis que já preparavam uma festa antecipada. No jogo de volta, porém, o resultado foi 2 a 1 no tempo normal, o que forçou a disputa nos pênaltis. Foi quando o Olimpia mostrou que é um time grande e um grande clube. Resultado: 5 a 4 e madrugada de festa em Assunção. Destaques em todo o torneio para o zagueiro Cáceres, o meia Miguel 'Peque' Benítez e o atacante Orterman.

História recheada de títulos

Assim como o Real Madrid, campeão mundial, o clube paraguaio também completou um século de existência em 2002. Foi por iniciativa de um professor holandês apaixonado por futebol, William Paats, que o futebol foi introduzido naquele país e fundado o Club Olimpia em 1902. Depois de divulgar o esporte na Escuela Normal de Asunción, Paats junta-se a alguns de seus alunos e cria o novo time, que já em 1912 vence seu primeiro campeonato, superando o futuro e eterno rival Cerro Porteño, o outro grande clube da cidade.

Ao longo de sua história de triunfos, o clube do bairro Para Uno tem revelado inúmeros craques ao futebol guarani. Os nomes de Aurelio González, César López Fretes, Juan Ángel Romero e Flaminio Sosa ficaram gravados no tricampeonato de 1936/7/8 e no penta do final dos anos 50. Mas foi a partir de 1960 que o clube ganhou patente definitiva de grande do futebol sul-americano, chegando à final da Libertadores (derrota para o Peñarol). Foram, porém, necessários quase 20 anos para quebrar a supremacia dos clubes argentinos, brasileiros e uruguaios e levantar pela primeira vez a Copa Libertadores, derrotando na final o Boca Juniors, campeão anterior. O merecido triunfo levou o futebol paraguaio ao topo do futebol continental e a seleção, formada em base por jogadores do Olimpia, venceu no mesmo ano a Copa América. Os destaques da época foram Carlos Alberto Kiesse, o artilheiro Aquino, o habilidoso meia Hugo Talavera e o zagueiro Villalba.

Depois da inédita vitória, a profunda crise econômica em que mergulhou o Paraguai acabou atingindo o Olimpia: seus melhores jogadores precisaram ser negociados, e o vitorioso treinador uruguaio Luis Cubilla obrigado a retornar a seu país. Depois de alguns anos de maus resultados, o clube finalmente encontrou forças para se reerguer graças a jogadores saídos das categorias de base. Em 1990, com o retorno de Cubilla, vence sua segunda Libertadores e no ano seguinte a Supercopa e a Recopa. Os craques da equipe eram os atacantes Amarilla e Samaniego e o meia Guash.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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