Olha a China aí gente!
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A China tem a maior população mundial, com 1.344.970.000 habitantes. Aliada a isso, é uma das economias que sustenta maior taxa de crescimento anual há anos e possui PIB estimado em US$ 10.084 trilhões, o segundo maior do mundo. A fórmula “muita gente + muito dinheiro” não garante um futebol forte, e basta analisar as listas dos países mais populosos e das nações mais ricas para fazer essa constatação. No entanto, quando bem aliados, esses fatores podem trabalhar conjuntamente em perfeita sintonia. Basta um pouco de organização, e ao que parece, os chineses estão buscando esse caminho.
Nesta quarta-feira a federação chinesa de futebol (CFA) acertou patrocínio de US$ 77 milhões com a Dalian Wanda, gigante do ramo de empreendimentos imobiliários no país – e como a construção civil não para de crescer na China, a fortuna de seus proprietários cresce na mesma medida. Pelo acordo, válido por três anos, o dinheiro será investido na infra-estrutura do futebol, nas categorias de base, formação de árbitros e intercâmbio com treinadores estrangeiros.
E a notícia surge na mesma semana em que o Guangzhou Evergrande contratou o melhor jogador do último Campeonato Brasil, Darío Conca. Pelo atleta argentino, a equipe chinesa desembolsou cerca de US$ 10 milhões e pagará salários astronômicos e fora da realidade brasileira. Mais sobre o novo rico do futebol chinês você pode ler na coluna de Anderson Lopes, aqui na Trivela, da semana passada. A questão que fica é: surge no mundo uma nova liga forte?
O Campeonato Chinês se tornou profissional em 2004, e com o passar dos anos teve o número de times aumentado, assim como o nível do futebol. Os empresários chineses, e o próprio Governo, passaram a ver o futebol como uma boa forma de investimento, com retorno de imagem garantido. Não à toa a quantidade de atletas internacionais sendo contratados aumenta a cada temporada.
No Guangzhou, por exemplo, Conca encontrará o zagueiro Paulão, ex-Grêmio, o meia Renato, ex-Ponte Preta e Botafogo, o atacante Muriqui, ex-Vasco e Atlético Mineiro, e até mesmo o centroavante Cleo, brasileiro naturalizado sérvio, ex-Partizan e Estrela Vermelha. A equipe, campeã da segunda divisão no ano passado, lidera a atual edição. Há alguns meses outro time apareceu no noticiário tupiniquim: o Shandong Luneng, atual campeão nacional, que contratou o defensor Renato Silva e o folclórico Obina.
Hoje, o principal alvo dos clubes chineses no mercado internacional é a América do Sul. Com o dinheiro que eles têm demonstrado ter, é correto imaginar que mais jogadores daqui seguirão para o Oriente. Certamente o Campeonato Chinês não se tornará uma das principais competições do mundo. Isso cabe à Europa e ao próprio continente americano. No entanto, é inegável que a competição melhora a cada ano, aumenta o intercâmbio com o futebol internacional (ponto fundamental) e tende a alcançar um padrão de qualidade alto, talvez similar à da J-League, por exemplo.
Quando os investimentos acontecem aliados à organização eficiente, como citei no início, os resultados aparecem. A Major League Soccer é um outro exemplo do que quero mostrar que a liga chinesa pode se tornar. Claro que há uma cultura esportiva ainda a ser desenvolvida no país, algo que já existia em proporção bem maior nos Estados Unidos em outras modalidades – o que, se fizermos uma comparação, também já existe na China. Mas uma provável evolução do futebol chinês deve ser aguardada.
Afinal, ao que parece, esse novo momento do esporte no país não é apenas fruto da boa vontade de um governo ou um governante.
Conca: primeiro reforço milionário de muitos na China?