Obinna: o aventureiro da Nigéria

Ele tem 21 anos e muita história para contar. Destaque nas Olimpíadas de Pequim, Victor Nsofor Obinna acaba de ser contratado pela poderosa Inter de Milão. Se os dirigentes de Corinthians e Santos quisessem, ele poderia estar no Parque São Jorge ou na Vila Belmiro. No início do ano, foi oferecido aos dois clubes paulistas.

Seria a chance de o jogador recomeçar sua história no Brasil. Em 2005, com mais dois nigerianos, desembarcou em Porto Alegre para atuar pelo time B do Internacional. Empresariado por um argentino, porém, se mandou para o Chievo Verona, da Itália. E aí, veio o pesadelo. Assinou contrato com o clube sem rescindir o vínculo com o Inter. Resultado: ganhou uma suspensão de três meses da Fifa.

O Chievo seguiu apostando nele mesmo assim. E pelo que parece, foi uma decisão acertada. Faturou com a venda do atleta e Obinna chegou à seleção. Em Pequim, foi o capitão e comandou a vice-campeã Nigéria.

Destro que prefere jogar pela esquerda, 1m80, veloz e dono de dribles que desconcertam adversários. Características que fazem com que os mais afoitos digam que trata-se do novo Kanu. Enquanto o debate segue, ele vai encantando italianos e nigerianos, que cobram futuras convocações para a seleção principal.

Conexão Nigéria – Europa – Brasil – Europa

Em 2004, com 17 anos, Obinna começou a sua aventura. Depois de rodar pelos pequenos Plateau United e Kwara United, ambos da Nigéria, assinou contrato profissional com o Enyimba, então campeão daquele país. As boas atuações lhe renderam uma viagem para a Europa no ano seguinte, onde passou por testes na Juventus, Inter de Milão e Perugia. Não foi aprovado em nenhum dos três e veio parar no Brasil. O Inter, de Porto Alegre, resolver apostar na força do futebol africano. De uma tacada só, trouxe três nigerianos. Um deles era Obinna.

O meia se ambientou rápido, apresentou bons resultados nos testes físicos e técnicos e assinou contrato por cinco temporadas. Atuava pelo time B na segunda divisão gaúcha. Teve até o nome gritado por torcedores em algumas apresentações. Mas não foi o suficiente para que seu empresário se contentasse. Achou melhor tirar o atleta do Beira-Rio e mandá-lo outra vez para a Itália. Arrependida por ter dispensado o jogador meses antes, a Inter de Milão o buscou e o mandou para o Chievo Verona.

Obinna fugiu de Porto Alegre. Apareceu dias depois dentro do estádio do Chievo. Com contrato assinado, claro. Estreou no Calcio contra o Parma, em setembro do mesmo ano. O Internacional acionou a Fifa exigindo uma recompensa com a justificativa de que ainda mantinha vínculo com o atleta. O máximo que conseguiu foi uma suspensão de 90 dias ao jogador, cumprida no início de 2006.

Ano em que debutou na seleção principal da Nigéria indo à Copa Africana de Nações, no Egito. O primeiro gol pelo seu país, porém, só saiu na China, nas Olimpíadas, na vitória por 2 x 1 sobre o Japão, na segunda rodada da fase de grupos.

Ele confiava que o time daria uma medalha de ouro à Nigéria, assim como em 1996, em Atlanta, quando os africanos bateram a Argentina na final. Em Pequim, o adversário era o mesmo. Coincidência animadora e resultado frustrante. Mas para Obinna, a excursão à Ásia valeu a pena. Foi considerado um dos melhores atletas do futebol e trocou de endereço na volta à Itália.

Fama de matador

O excelente desempenho do meia esquerdo nas Olimpíadas abriu os olhos do mercado. Roma e Napoli ofereceram tentaram a contratação. Em 2006, após a Copa Africana de Nações, o Lyon tentou levá-lo, mas o Chievo e a Inter de Milão resistiram. Dessa vez, a valorização era maior. A Inter assinou com ele até 2012. Com o grupo de jogadores inflado, quer repassar – mais uma vez – o jogador. Ele chegou a acertar com o Everton, mas seu empréstimo ao clube inglês não foi concretizado por causa da falta do visto de trabalho.

Seja qual for o próximo clube, Obinna chegará com o status de artilheiro, apesar de não ser centroavante. Nas três temporadas pelo Chievo, fez 82 gols. E nas dez partidas em que atuou pelo time B do Inter, de Porto Alegre, fez oito.

O acidente e o Brasil outra vez

Em outubro do ano passado, Victor Obinna se acidentou de carro na saída de um treino. Seguia para casa e capotou. Foi parar no hospital inconsciente e o veículo ficou totalmente destruído. Para acelerar sua recuperação, seus empresários tentaram uma conexão com o Brasil, O plano era emprestá-lo sem custos a um clube brasileiro. Corinthians e Santos, os alvos, rejeitaram. Melhor para o Chievo, que com Obinna voltou à elite do futebol italiano, de onde havia caído na temporada 2006/07.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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