O sucesso de uma ideal realizado

“Creio que estamos em um momento do futebol que o importante é ganhar. Todos os estilos estão bem se estão vencendo. Todos os estilos são bons, todos”.

“Eu tentarei convencer os jogadores e todas as pessoas no vestiário do estilo que sinto. E não posso ganhar sem transmitir o estilo que sinto. E sinto o que sinto. E sei que este é o caminho que pode nos levar à vitória, que é o de ser protagonistas”.

“Sou um fã absoluto do jogo de ataque simplesmente por uma questão muito fácil: se vejo a bola no campo adversário, estou mais tranquilo. Se a tenho perto do meu goleiro, sofro mais”.

“Festejava os jogos e vi as partidas já quando jogava e como poder causar danos ao adversário. Isso não significa que por ter mais atacantes atacará melhor, nem que por ter mais defensores defenderá melhor. Não significa que por contratar mais defensores defenderá melhor. Atacará melhor se defender melhor e defenderá melhor se atacar bem. Todos participam”.

“Não entendo o futebol como uns servem apenas para defender e outros só para atacar. Isso não estará na nossa equipe, vocês verão. Os atacantes terão uma responsabilidade defensiva e os defensores terão uma responsabilidade ofensiva. Passo a passo, sabemos que não temos tempo. Sabemos que desde já temos que nos esforçar para assimilar esses conceitos e colocarmos a bateria”.

“A partida contra o Hibernian, contra o Dundee United e contra a Fiorentina, que são as três primeiras partidas da temporada já se verão algumas coisas para tentar chegar ao dia 12 ou 13 de agosto da melhor maneira possível, porque a prioridade é a fase preliminar da Liga dos Campeões. Tornou-se o objetivo fundamental da pré-temporada”.

Estes são alguns trechos da coletiva de apresentação de Pep Guardiola no comando do Barcelona. E nas partidas inaugurais da temporada, uma prévia do que viria. Goleadas por 6 a 0 sobre o Hibernian, 5 a 1 sobre o Dundee United e 6 a 2 no New York Red Bulls. Na fase preliminar da Liga dos Campeões, 4 a 0 sobre o Wisla, da Polônia. Era só o início.

Guardiola assumiu o Barcelona em um momento de crise dos Blaugranas. O time tinha ficado em terceiro lugar no Campeonato Espanhol, 18 pontos atrás do campeão Real Madrid e dez atrás do vice, Villarreal. Tinha um craque decadente e que não rendia mais em campo, Ronaldinho, além de outros em má fase. A situação não era fácil para Guardiola.

A temporada 2008/09, quando Guardiola assumiu, marcou também a mudança de Lionel Messi, em vários sentidos. O então camisa 19 ganhou a camisa 10 com a saída de Ronaldinho. De atacante aberto pela direita, tornou-se um jogador livre para circular pelo campo. Passou a ser um dos melhores do mundo (ficou em 2º no prêmio de melhor do mundo da Fifa em 2008 e depois passou a ganhar seguidamente em 2009, 2010 e 2011). Tornou-se o maior artilheiro da história do Barcelona. E, por que não dizer, um dos melhores jogadores da história.

Guardiola tornou o Barcelona um time fascinado pela posse de bola. Assim como disse que faria, nas palavras da sua apresentação. O time criou um estilo de uma posse tão forte que os times passaram a se configurar de forma diferente para enfrentar o Barcelona. O time de Guardiola tornou clubes gigantescos como Real Madrid, Arsenal, Manchester United, Milan e outros reféns. Assistiram, como se estivessem atados, o jogo do Barça. Um jogo que encantou o mundo e marcará o time como um dos maiores da história.

Foram 265 jogos no comando do Barcelona até agora, com 188 vitórias, 51 empates e 26 derrotas. Um aproveitamento de pontos de mais de 77%. Foram 13 títulos ganhos em 18 campeonatos disputados. E esses números ainda podem aumentar, com os quatro jogos finais da temporada no Campeonato Espanhol e a possibilidade de ganhar o título da Copa do Rei, contra o Athletic Bilbao.

Guardiola deixa o Barça se dizendo cansado. A imagem de Pep Guardiola quando assumiu o time, em 2008, e de quando deixa o cargo, em 2012, mostra o desgaste em seu rosto, em sua expressão. O envelhecimento de Guardiola nestes quatro anos mostra que o seu trabalho não é fácil. O turbilhão político que é o Barcelona, principal palanque para políticos catalães, torna o trabalho difícil. É sabido que Rosell e Guardiola tiveram desavenças. E, ainda assim, Rosell, segundo a imprensa catalã, ofereceu um cheque em branco para que Guardiola ficasse. E ele não ficou.

A saída de Guardiola é um marco. O fim de uma era, a era Guardiola no Barça. Mas não necessariamente o fim de um ciclo. O Barcelona tem jogadores fantásticos e a escolha de Tito Vilanova, assistente de Guardiola, para comandar o time é um claro sinal que a ideia é manter a mesma filosofia, o mesmo estilo. E esse é um indício que o time continuará forte, ainda que deva passar por uma mudança e muitas incertezas. Como disse André Kfouri no Twitter, se Guardiola não treinar nenhum time ou não ganhar nunca mais um jogo sequer, já estará na história.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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