O seu talento é a sua ruína

No post logo abaixo, sobre os jogos da Liga dos Campeões ocorridos na terça, eu escrevi que uma eventual eliminação do Bayern de Munique, na Liga dos Campeões, feriria de morte o trabalho de Louis van Gaal no clube alemão. Nem mesmo ir para a Liga Europa amenizaria a decepção a ser causada, já que o Bayern investiu bastante na tentativa de recuperar o domínio na Alemanha – tarefa que não tem êxito, pelo menos no começo.

Baseado na antipatia que Van Gaal atrai entre brasileiros, pelos problemas com Rivaldo e com a dispensa de Lúcio (o caso de Zé Roberto teve mais influência da diretoria, que não quis oferecer contrato por maior tempo), muita gente aproveita a má campanha do Bayern na LC, e até na Bundesliga, para fazer gozações com Van Gaal, zombar de sua suposta falta de habilidade. Mas, afinal de contas, como perguntou o leitor Marcus, por que cargas d'água esse ódio com Van Gaal?

Bem, o fato de seus problemas com brasileiros de nome ajudam a sujar sua imagem aqui. Porém, dizer “ele é xenófobo” é simplificar o problema. Van Gaal já trabalhou com brasileiros. Repita-se, em caixa alta: JÁ TRABALHOU COM BRASILEIROS. Treinou Márcio Santos, no Ajax; Fabio Rochemback e Geovanni, no Barcelona; Ari, no AZ; e, agora, tem Breno em seu elenco, no Bayern (muito embora a saída do ex-são-paulino seja prevista, em janeiro).

O problema que faz com Van Gaal não tenha uma sequência regular de bons trabalhos é justamente a sua maior qualidade: o fato de chegar a um clube tendo exatamente o esquema que quer implementar, na equipe. Até aí, tudo bem. Entretanto, Van Gaal é absolutamente inflexível na busca desse esquema. Caso o jogador se enquadre dentro dele, é bem-vindo; caso o técnico não o ache útil, descarta-o com facilidade até cruel. Foi isso que minou sua convivência com Rivaldo – e que tirou Lúcio do Bayern. Modo polêmico de se montar um time. Mas tem de ser respeitado, como qualquer outro.

Entretanto, Van Gaal não compreendeu que, no futebol moderno, são cada vez mais raras as chances de um trabalho partir desde o começo, com jogadores pinçados da base, ou de clubes menores e que se acostumem a jogar sob seu esquema. Como ele fez no Ajax campeão da LC 1994/95, como ele fez no AZ campeão holandês. Ao chegar já querendo impor seu estilo e seu modo tático sem discussão, Van Gaal acaba sendo teimoso em excesso. E, de trabalho ruim em trabalho ruim, vai apagando a imagem de um dos últimos grandes técnicos holandeses.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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