O Ringo Starr do Camp Nou

Depois da vitória do Barcelona nesta quarta-feira, fala-se muito, obviamente, dos gols de Messi, da entrada de Affelay, das expulsões de Pepe e Mourinho, do esquema do treinador português, da posse de bola absurda do Barcelona (maior do que a própria média da equipe em alguns momentos), etc. Todos temas pertinentes ao jogo, é verdade, assim como é certo que um personagem recebe muito menos elogios do que deveria nesse momento: trata-se de Pep Guardiola.

Pep é low profile, um tipo que não ama propriamente os holofotes. Tranquilo,faz questão de não assinar contratos longos e nunca se proclamou o melhor técnico do mundo em entrevistas. Não precisa. É o técnico do melhor time do mundo, e só o fato de Mourinho escalar o Real Madrid como escalou atesta isso por si só. O catalão foi fundamental na montagem dessa equipe que, quando assumiu, acabava de perder Ronaldinho e Deco e vinha com a moral em frangalhos após um terceiro lugar no Campeonato Espanhol de 2008.

Quando Pep chegou, Iniesta era reserva, Messi vestia a 19 (ok, já jogava muita bola), Sergio Busquets e Pedro estavam no time B e, por terem estourado a idade dos juniores, a tendência era que fossem emprestados ou dispensados. Piqué vinha de uma temporada sem muitas oportunidades no Manchester United. Além de ser resultado de uma filosofia de futebol aplicada há muitos anos, esse Barcelona também é produto da cabeça de Guardiola, que chegou a ser tratado como um técnico comum após a derrota para a Internazionale na semifinal da Liga dos Campeões passada.

Trazendo para o ramo musical, pode se dizer que Guardiola é para o Barcelona o que Ringo Starr era para os Beatles. Ringo,esteve e está longe de ser o melhor baterista do mundo, mas era o baterista dos Beatles, e isso basta. Embora ofuscado por John, Paul e George, ele era fundamental na criação dos arranjos em vários momentos e dificilmente atravessava o tempo nas músicas. Além disso, o Barcelona de hoje, assim como os Fab Four, conquista cada vez mais e mais fãs por todo o mundo através da grande sincronia coletiva que exibe. A estrela, indubitavelmente, é o grupo, e o treinador também faz parte do grupo.

Há quem diga que Guardiola não faria em outro clube o que faz no Barcelona. Mas não precisa. Mesmo que perca a vaga para a decisão, o que é muito improvável, Pep já está na história. E, se virar um velho ex-treinador saudosista histérico, poderá dizer, não sem boa dose de razão, a algum jornalista: “Meu filho, eu joguei no segundo melhor Barcelona da história e treinei o melhor. Isso basta”. Alguém contesta?

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Equipe Trivela

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