O que quer o Fluminense?

Há algumas semanas rolou na redação uma discussão na qual um dos repórteres da revista tentava me convencer de que o Fluminense estava de fato se estruturando para ganhar a Libertadores. Apresentava as contratações de Dodô, Washington e Leandro Amaral como provas disso. Discordei e lembrei que, no ano passado, o Flu fez o mesmo: contratou todos os atacantes que estavam no mercado, incluindo os dois nomes “quentes” do Figueirense, Cícero e Soares (e não Moraes, como eu tinha escrito). Que não se sabe por onde andam.

Não é só uma questão da qualidade dos nomes, altamente questionável, a não ser o de Washington – Dodô some quando se precisa dele, e Leandro Amaral teve um ano bom, contra dez ruins. A questão é: por que o Fluminense só contrata atacantes? A resposta veio na forma da contratação de um lateral, Gustavo Nery: porque seu interesse não é futebolístico, mas sim midiático.

É sintomático – e preocupante – que a mídia carioca aceite que o dono do patrocinador do Tricolor fale pelo clube. Manchetes do tipo “Celso Barros diz que Flu” vai fazer isso ou aquilo são frequentes. Alguém já viu o presidente da LG falando pelo São Paulo? Nem o da Parmalat falava pelo Palmeiras. A pergunta é: se o Fluminense fracassar de novo, o que vai dizer Celso Barros? Provavelmente, e com razão, dirá que só manda a grana, e que administrar o clube não é função dele.

O problema é que, se não é dele, parece não ser de ninguém. O Fluminense precisa de goleiro, laterais, zagueiros reservas, mas só contrata atacantes. E refugos perigosos, comoo Gustavo Nery. É fato que jogadores que não se dão bem em alguns clubes se recuperam em outros, como foi o caso de Léo Moura. Nery, entretanto, tem um problema sério de atitude, de não assumir suas broncas. Não é o tipo do jogador com o qual se possa contar na hora da necessidade – e a Libertadoras é, inteira, uma hora de necessidade. Assim como Dodô. Os dois, porém, dão mídia, e a imprensa clubística adora.

Em tempo: quando leu a notícia sobre a contratação de Nery, o repórter, em cujo time o lateral já jogou, deu o braço a torcer. Se tem algum time no Rio se estruturando minimamente para qualquer coisa, não é o Fluminense, e nem o Botafogo, com o qual muita gente já se enganou: é o Flamengo, que começou em 2007 a montar seu time para 2008.

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Equipe Trivela

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