O que falta ao Zenit?

Na ida foi um jogo emocionante que, sob o frio de São Petersburgo, terminou com vitória do Zenit por 3 a 2. Escrevi na semana passada que o placar foi pouco para o que a equipe russa precisava, e nesta terça veio a confirmação da eliminação na Liga dos Campeões, com o triunfo do Benfica por 2 a 0 no Estádio da Luz.

Desde que o Zenit ganhou notoriedade internacional com os altos investimentos feitos por sua proprietária, a Gazprom, a pergunta que mais me fazem em relação ao futebol russo é “o que falta para o Zenit se tornar um time grande da Europa?”. Falta muita coisa.

Para começo de conversa, dinheiro não compra tradição. Esta é conquistada com o passar de décadas, a formação de times que entram para a história, craques imortais vestindo seu uniforme, legiões e legiões de torcedores. O dinheiro da Gazprom pode contratar muitos jogadores caros para o Zenit (falta escolher melhor alguns reforços), mas não vai trazer imediatamente a tradição internacional que o clube precisa para se tornar grande fora da Rússia também e ter força suficiente para confrontos contra gigantes europeus, como o Benfica. Títulos nacionais chegam rápido com muito investimento, mas conquistas continentais demoram bem mais, se é que chegam.

Tenho certeza que, ao ler as linhas acima, os leitores já se lembraram de outros exemplos bem recentes, como o Manchester City contra o Napoli na fase de grupos da LC, o Chelsea… No entanto, não vou ampliar o tema, retendo a análise apenas ao clube russo.

Além da tradição, já citada, falta coragem ao Zenit. Coragem para encarar seus adversários como um time grande que é do futebol russo, que se não é o mesmo do passado soviético, vem se tornando cada vez mais forte e rico. Nesta temporada, por exemplo, a liga russa foi a quinta que mais investiu em reforços no mundo (€ 225 milhões).

Contra o Benfica, nesta terça (sim, assisti a esse jogo), a equipe de São Petersburgo entrou em campo apenas para se defender. Até aí, nenhum problema, mas quando se arma um esquema defensivo sem saída de bola vira burrice. Saber se defender com eficiência e ter um contra-ataque perigoso é uma arte. Você chama o adversário, faz ele acreditar que domina a partida e, em uma recuperação de bola e poucos toques, gol. No entanto, com Luciano Spalletti, o Zenit parece muitas vezes um time pequeno.

E mesmo na fase de grupos a equipe apresentou um futebol pobre, burocrático, sem qualquer sinal de criatividade. Teve muita sorte em encarar um Porto na curva descendente e um Shakhtar que acreditou ser já grande na Europa. Os ucranianos caíram do cavalo e servirão de exemplo para o Zenit se espelhar na próxima temporada, quando certamente estará novamente na fase de grupos da Champions.

Por fim, além de tradição e coragem, o Zenit precisa dar o passo além da ignorância de parte dos seus torcedores. É de conhecimento público o racismo existente, principalmente, nas torcidas organizadas da equipe. Isso diminui o Zenit. E, em campo, deixa o time mais fraco e limitado.

Adendo: pessoal, obviamente não esqueci a conquista do Zenit na Liga Europa, mas vocês não estão comparando esse título com uma boa campanha na Champions, né? Há uma distância gigantesca entre as duas competições, por mais que eu adore a Europa League.

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Equipe Trivela

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