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O milagre de Fratton Park

Apertadamente o Fulham se salvou do rebaixamento na última rodada da Premier League Inglesa ao bater o Portsmouth fora de casa – em Fratton Park – com gol de Danny Murphy. Para contar os bastidores dessa dramática salvação dos ‘Cottagers’, batemos um papo com o carismático preparador físico da equipe, Andrew Young (foto), ex-seleção da Austrália. Confira o que ‘Andy’ nos contou.

Qual foi o segredo para salvar o Fulham do rebaixamento?
Para vencer os jogos foi necessário nada mais do que trabalho duro e atitude positiva. Claro, a liderança e experiência do treinador Roy Hodgson foi um grande fator. Ele é calmo e positivo e essa atitude influenciou poderosamente os jogadores. A metodologia de treino não foi diferente em relação ao resto da temporada. Sem dúvida, a atitude positiva e auto-confiança que os jogadores adotaram na reta final foi o fator mais importante.

Sob o ponto de vista da preparação física, onde você está inserido, houve um trabalho especifico nesta reta final?
Nós do departamento físico, usamos um programa chamado “Periodização”, onde nós tentamos manipular a qualidade física do treino sem que a equipe tenha fadigas e mantenha altos desempenhos físicos. A fantástica performance nos últimos jogos indica que nosso modelo de Periodização foi um sucesso e o time atingiu o auge no momento certo. No final da temporada nós tentamos aplicar um método onde o volume de treinos é reduzido, mas a intensidade se mantém. É um método similar aos atletas olímpicos. Existem muitas coisas envolvidas no sucesso de um time, e a periodização de um programa físico pode ser muito importante, como foi para o Fulham.

Foi um fechamento de Premier League muito bom do Fulham, 4 vitórias nos últimos 5 jogos.
Roy Hodgson não mudou sua metodologia. Apesar da equipe ter acumulado péssimos resultados desde o Natal, Roy sempre teve confiança que se os jogadores mantivessem positivos e trabalhando, os resultados viriam. Os retornos de McBride e Bullard, que estavam lesionados até janeiro, foi uma massiva motivação para todos. Foi como contratar dois jogadores.

Eles são tão especiais, assim?
Brian McBride, capitão dos Estados Unidos, é líder e um artilheiro. A experiência dele veio num momento em que estávamos em dificuldade e ele marcou gols em situações criticas. Já o Jimmy (Bullard) é criativo, estava fora há 18 meses por problemas no joelho e ele trouxe grande entusiasmo para o plantel. Ele é como um “Zico do Fulham” (Andy morou no Brasil e viu Zico em ação várias vezes), pode criar algo especial do nada. Claro, não na mesma proporção! (risos).

Dempsey, Murphy e McBride mostraram muito caráter na reta final.
Muitos dos novos jogadores contribuíram bastante para boas performances no final. Brede Hangeland, o defensor norueguês, foi uma ‘rocha’, acreditam que ele será o futuro capitão da Noruega. O entendimento dele com Aaron Hughes foi a melhor coisa depois da liderança de Hodgson. Hughes é um dos atletas mais profissionais que eu já trabalhei, ele dá 100%. A experiência de Danny Murphy, bem como o ‘gol da nossa salvação’ marcado por ele, sempre tiveram um efeito calmo na equipe. Com sua grande experiência dos tempos de Liverpool, Danny sempre via tudo com antecedência e sempre pensou que nosso time tinha muita qualidade para ser rebaixado.

Qual era a atmosfera dentro de campo e o sentimento entre os jogadores após bater o Portsmouth na última rodada? Foi uma vivência única?
Estávamos extasiados, os jogadores e nosso ‘staff’. Portsmouth é um lugar difícil para se jogar. Acho que o sentimento foi mais de alivio do que qualquer outra coisa. O time teve performances espantosas nos últimos cinco jogos para evitar o rebaixamento. Não foi uma temporada boa, mas existe a determinação para chegar muito melhor no próximo ano.

Qual a lição que todos vocês aprenderam?
Uma das coisas mais importantes que aprendemos foi o efeito e o estrago que é perder dois dos melhores jogadores, no nosso caso, McBride e Bullard. Gostaria que o clube fortalecesse o elenco na próxima temporada de modo que tivéssemos bons reservas para cobrir eventuais lesionados que são figuras-chave. Os outros clubes da Premier possuem elencos enormes e isso é algo que o Fulham precisa melhorar.

Você deixou a seleção australiana?
Infelizmente. O mais importante é que temos um grupo que conseguirá se classificar para a Copa de 2010. Se isso acontecer, espero que desta vez não encontremos o Brasil como na última Copa! Irei para Austrália com minha esposa e depois gostaria de retornar a Inglaterra ou ir para outra liga….quem sabe o Brasil? (risos)
 

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Equipe Trivela

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