O espírito esportivo venceu

Depois de dois duelos cheios de malandragem e catimba (sempre por parte dos pitaqueiros, óbvio), foi marcada para esta segunda mais uma edição do clássico Pitaqueiros x Trivela. Local do encontro: Bom Retiro, bairro central de São Paulo onde foi fundado o Corinthians e é famoso por reunir as colônias judaica, grega, boliviana e coreana.

Como mostra de que o clima de Natal poderia estar tranqüilizando (vou sentir saudade do trema) os ânimos depois de tudo o que rolou na segunda edição do dérbi, o time da Trivela até levou Danilo X, capitão e líder ardiloso dos pitaqueiros, para o estádio. Veja só: até ajudamos os inimigos a estarem completos para o encontro.

Chegando ao Bom Retirão, surpresa! Tremendo de medo depois da goleada sofrida no último encontro, vários integrantes do time dos pitaqueiros simplesmente desistiram da partida. Não havia gente suficiente para completar o time. Assim, ficou registrada a vitória por walkover (o famoso WO) para a Trivela.

Para não terminar o ano de duelos de modo tão melancólico, o time trivelista emprestou alguns jogadores para o adversário. Assim, houve um confronto Trivela x Combinado Tri-Pit. Sim, alguns membros do time da Trivela colocaram o desportivismo acima de qualquer rixa, esqueceram o passado e aceitaram se juntar aos odiados rivais para um amistoso.

Entre os jogadores emprestados, a Trivela cedeu um de seus goleiros (ou seja, impedindo que o encontro se transformasse em um massacre inominável), Leonardo “João Leite” Bertozzi, e um de seus melhores jogadores, Bruno “Edno” Diniz. Isso porque os trivelistas já estavam desfalcados de Gustavo “Tymoschuk” Hofman, outro de seus melhores jogadores. Menos mal que Bia, a craque do time, estava de volta (não quero insinuar nada, mas é curioso como ela só passou mal no dia em que LVN resolveu mexer na água da redação…)

O excesso de desfalques da Trivela foi sentido. No começo do jogo, o Combinado Tri-Pit fez 3 a 1, com um gol de Bruno Edno. Depois, chegou mais um pitaqueiro, Rafael. Bruno Edno voltou para o time Trivela. Os trivelistas ainda estavam desorganizados defensivamente e os atacantes do Combinado Tri-Pit – Caio, Rafael e Danilo X – chegavam várias vezes à cara do gol.

Para piorar, logo nos primeiros minutos de jogo, o sempre maldoso Danilo X agrediu sem bola o goleiro trivelista, que teve seu pé destruído e ficou o resto da partida jogando no sacrifício, com dificuldade para caminhar e impossibilidade de chutar a bola (é sério, ainda dói e isso deve causar mais um desfalque, pelo menos até o final da temporada). Assim, era inevitável que o marcador ficasse dilatado: 13 a 7 pouco depois da metade do prélio.

Aí, os trivelistas começaram a se encontrar em campo. Fábio “Kazuo” Fujita se posicionou um pouco mais atrás para ajudar na saída de bola, Luciano “Augenthaler” Arnold ficava de líbero, Bruno Edno fazia a ligação para o ataque, composto por Ricardo “Dhorasoo” Espina e Bia “Prinz” Gomes. Atrás, o autor desse texto superou as dores e fazia a torcida que lotava o Bom Retirão relembrar Gordon Banks.

Aos poucos, a vantagem foi diminuindo. Até que chegou a 13 a 12. Pânico geral no Combinado Tri-Pit. No desespero, conseguiram marcar mais alguns gols, sempre com reação imediata. Faltando um minuto, o placar registrava 17 a 17.

A Trivela pressionava pela virada, mas, em um contra-ataque, Rafael recebeu livre. Quanto tentou arrematar, foi travado pelo goleiro trivelista, mas ficou com o rebote e colocou o Combinado Tri-Pit na frente. Faltavam apenas 40 segundos para o final do jogo.

A emoção continuava. Ciente de que a vantagem era frágil e injusta, o Combinado Tri-Pit se fechou na defesa. Começou o bombardeio. Foram os 40 segundos mais demorados da história do futebol mundial. Zagueiro salvando em cima da linha, goleiro espalmando. Na última jogada, Bruno Edno chutou cruzado, de fora da área. A bola foi direitinho no ângulo, mas acabou se chocando contra o travessão.

O Combinado Tri-Pit comemorou como se fosse um título. Mas, não podemos esquecer, o jogo normal terminou em WO. Além disso, se for excetuada a primeira parte do duelo, com vários jogadores da Trivela entre os Pitaqueiros, o placar seria 16 a 15 para os trivelistas. Por isso, o que fica marcado é que o espírito esportivo venceu. Pelo menos até o próximo encontro, quando Danilo X e seus asseclas devem tentar mais algum ardil para vencer o duelo que se consolida como um dos mais acirrados do futebol brasileiro.
 

Veja os relatos das edições anteriores:
Vexame (jogo 1)
Anatomia de uma vingança (jogo 2)
 

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Equipe Trivela

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