Novidades entre os doze

As eliminatórias da Concacaf têm mantido quase o mesmo sistema de disputa, com pequenas variações, desde a qualificação para a Copa de 1998. Em linhas gerais, a competição tem apresentado o seguinte desenrolar: depois de estágios preliminares, chega-se a uma etapa em que doze times são divididos em três grupos de quatro; os dois primeiros de cada grupo avançam à fase decisiva, na qual todos jogam contra todos em ida e volta; os três mais bem colocados nesse último round asseguram vaga no Mundial, e o quarto lugar, desde 2006, tem direito a encarar a repescagem.

Durante todo o tempo de vigência desse regulamento, a fase de grupos – que, como já se viu, conta com doze participantes – tem sido dominada por um clubinho fechado. Nada menos que onze equipes (Estados Unidos, México, Costa Rica, Honduras, Panamá, Trinidad e Tobago, Jamaica, São Vicente e Granadinas, Guatemala, Canadá e El Salvador) não faltaram a uma sequer nos últimos tempos, permitindo a presença de apenas uma “invasora” a cada edição – Cuba, em 1998, Barbados, em 2002, e São Cristóvão e Nevis, em 2006. Nas eliminatórias para 2010, porém, as portas do clubinho vão ficar, se não escancaradas, ao menos entreabertas.

Em junho, serão realizados os doze confrontos da segunda fase preliminar, que decidem vagas no estágio de grupos. Dois desses duelos, – o sul-americaníssimo Suriname x Guiana e Haiti x Antilhas Holandesas – envolvem seleções que não têm carteirinha de sócio do clube, o que significa que, desta vez, haverá, no mínimo, dois penetras.

Dos outros dez encontros do mata-mata junino, dois põem frente a frente países acostumados a tomar parte na fase de grupos: Panamá x El Salvador e São Vicente e Granadinas x Canadá. As guinadas de Haiti e Guiana no ranking da Fifa não permitiram que o sorteio da Concacaf preservasse os membros da “elite”. A seleção haitiana se sagrou, em 2007, campeã da Copa do Caribe, ao passo que a guianense venceu 13 jogos consecutivos em 2005/2006.

 Haiti, Guiana e seus adversários

Para alcançarem a fase de grupos, os dois emergentes da Concacaf terão de superar desafios de pesos diferentes. O de Guiana é mais leve. Se tivesse pela frente um esquadrão munido de Seedorf, Castelen, e Hasselbaink, todos nascidos em solo surinamês, a equipe guianense não atingiria a fase de grupos. Mas, como a seleção do Suriname não usa jogadores que deixaram o país, pode-se dizer que os vizinhos detêm o favoritismo. Em 2007, os times se enfrentaram e deu Guiana, fácil: 5 a 0.

O obstáculo do Haiti, que disputou a Copa de 1974, é mais complicado. As Antilhas Holandesas, talvez por estarem próximas do fim – sim, o país deixará de existir; leia mais a respeito num texto de Luiz Fernando Bindi para a seção Conheça a Seleção –, resolveram, finalmente, insistir em que seus nativos espalhados pelo futebol europeu defendessem as cores do arquipélago. Com isso, jogadores como Robin Nelisse, 30 anos, ex-Feyenoord e AZ Alkmaar, atualmente no Utrecht, puderam estrear pelo modesto selecionado caribenho.

Nelisse, quarto maior marcador do Campeonato Holandês 2007/8, é o destaque do time, que dispõe ainda dos defensores Shelton Martis (West Bromwich – ING) e Tyrone Loran (NAC Breda – HOL). Há, também, entre os comandados do técnico Leen Looyen, vários atletas empregados na segunda divisão holandesa. Reforçada por esses profissionais habituados a níveis médios ou altos de competitividade, a seleção das Antilhas Holandesas bateu a Nicarágua na primeira fase preliminar e representa uma ameaça às pretensões haitianas.

O Haiti tem um treinador novo, nos dois sentidos. Wagneau Éloi, 34 anos, ex-atacante do Monaco, do Nancy e do Lens, assumiu o cargo há poucas semanas. Em seu início de trabalho, tem se dedicado a tentar convencer alguns talentos de ascendência haitiana radicados na Europa a não optarem por outra nacionalidade. Dessa forma, eles poderiam unir-se aos “estrangeiros” que já fazem parte do grupo.

Além de Guiana ou Suriname e Haiti ou Antilhas Holandesas, a fase de grupos da Concacaf pode apresentar mais novatos, embora as chances de isso ocorrer sejam exíguas. Os integrantes do “clubinho” devem obter êxito nos duelos Estados Unidos x Barbados, Guatemala x Santa Lúcia, Trinidad e Tobago x Bermuda, México x Belize, Jamaica x Bahamas, Costa Rica x Granada e Honduras x Porto Rico. E a seleção de Cuba, que se infiltrou na fase de grupos nas eliminatórias de 1998, deve passar por Antígua e Barbuda.
 

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