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Nostra stanza

Depois de apresentar todas as Casas da Espanha, a Trivela traz também as origens e um pouco da história das figuras personagens que foram homenageadas com seus nomes nos estádios da Itália.

Não menos esperado, na “Bota” os presidentes e os santos são constantemente lembrados, assim como alguns ainda esperam algum herói que os inspire a gravar na história do clube seu nome em sua própria casa, e optaram por identificar o local de seus jogos de acordo com a sua localização mesmo. Há aqueles que encontraram em militares das Guerras Mundiais a figura imponente que deverá ser relembrada sempre pelos seus torcedores, assim como há também o comitê que gostaria de colocar um conhecidíssimo nome em seu estádio, mas ainda aguarda a morte do ídolo para poder trocar o santo pelo herói de outro país.

Claro, sem esquecer dos grandes jogadores da história da Itália, para quem não poderia faltar toda a glória de ter seu nome marcado em um dos principais estádios do país, dividido por dois de seus principais times . Confira a vida de Giuseppe Meazza, Artemio Franchi, Renato Dall'Ara, Marc'Antonio Bentegodi, e diversos outros figurões que não passaram em branco na vida de seus clubes.

Giuseppe Meazza

Clubes: Internazionale e Milan
Capacidade: 85700

A casa dos dois grandes clubes de Milão, inaugurada em 1926, foi batizada em 1980 com o nome de uma das maiores figuras e ídolos do futebol no país, Giuseppe Meazza. O bicampeão mundial pela Azzurra, em 1934 e 1938, é tido ainda hoje como o maior atacante do país, tendo a marca de 335 gols feitos em toda a carreira, 33 deles nas suas 53 atuações pela seleção.

O estádio, quando construído, levava o nome de San Siro – popular até hoje – em referência ao bairro onde foi construído. Com a morte de Pepp, em 1979, a casa dos jogos de Milão acabou homenageando o antigo ídolo dos nerazzurri – que teve curta passagem no Milan na carreira.

A marca deixada por Meazza, primeiro jogador italiano internacionalmente famoso, não é pouca. O jogador viu seu nome ficar registrado em dribles, “finte alla Meazza”, suas técnicas copiadas, como a da “folha morte”, tão temida pelos goleiros adversários, e, não só seu nome foi eternizado no estádio, como sua geração e a seguintes ficaram marcadas com suas brilhantes atuações, especialmente na década de 30, fase ainda hoje chamada como “os anos Meazza”. O herói da Copa de 34 fez por merecer: é lembrado até hoje pelo gol do desempate contra a Espanha, nas quartas-de-final, cabeceando para as redes bola que garantiria passagem para taça mundial.

Apesar de ter tido passagens nos rivais – Milan, Juventus, Varese, Atalanta – Meazza consagrou-se por sua fase na Internazionale, clube que chegou a tornar-se dirigente, antes de abandonar de vez o futebol.

Artemio Franchi

Clube: Fiorentina
Capacidade: 47.200 pessoas

Clube: Siena
Capacidade: 15.700 pessoas

Apesar do mesmo nome, são dois estádios diferentes. Enquanto o de Florença é a casa da Fiorentina, o de Siena é a “stanza” do clube que levou o nome da cidade. Porém, o personagem obviamente é o mesmo: o ex-presidente da Federeação Italiana de Futebol (FIGC), Artemio Franchi, que morreu em 1983, em acidente de carro próximo à terra do Palio.

Os bianconeri, porém, para diferenciá-lo de seus rivais e para dar crédito ao seu patrocinador, adicionou o epíteto Montepaschi Arena ao nome oficial, em referência ao banco mais antigo sobrevivente no mundo, o Monte dei Paschi di Siena, que apoia o clube.

Franchi também foi presidente da Uefa, a partir de 1972, e membro do comitê executivo da Fifa de 1974 até a data de sua morte. Não só garantiu seu nome gravado em dois estádios, como também apareceu no precursor da Copa das Confederações, o Troféu Artemio Franchi, disputado entre o campeão das Américas e o Europeu. O torneio teve apenas duas edições: 1985, em que a França derrotou o Uruguai por 2 a 0, e 1993, empate em 1 a 1 da Argentina e Dinamarca, em que os hermanos levaram nos pênaltis, por 5 a 4.

Renato Dall'Ara

Clube: Bologna
Capacidade: 39.444 pessoas

A casa do Bologna, que chamava-se Stadio Littoriale, foi rebatizado a partir de 1983, em homenagem ao ex-presidente do clube, Renato Dall'Ara, que esteve no cargo de 1934 até 1964.

Durante seus primeiros anos na dirigência do clube, os rossoblú levaram quatro vezes o scudetto, tornando-se na época a “equipe que faz o mundo tremer”. Já nos anos 60, Dall'Ara trouxe para o comando do Bologna Fulvio Bernardini, que montou a famosa equipe que “jogava sozinha no paraíso.”

Dall'Ara morreu após ataque cardíaco em Milão, antes de uma reunião da Lega Calcio, com Moratti, presidente da Internazionale, que definiria os detalhes da disputa que aconteceria três dias mais tarde, em Roma. Assim, o ex-presidente não chegou a ver sua equipe sagrar-se campeã italiana pela sétima, e última vez, sob o comando de Bernardini.

O estádio que leva o nome de grande figura para os rossoblú é um dos grandes italianos que recebeu partidas da Copa do Mundo de 1990, incluindo a disputa das oitavas-de-final entre Inglaterra e Bélgica, que terminou 1 a 0 para os ingleses, com emocionante gol de David Platt no último minuto da prorrogação.

Marc'Antonio Bentegodi

Clube: Chievo Verona e Hellas Verona
Capacidade: 39.211 pessoas

O personagem que cede seu nome à casa dos dois clubes veronenses, Marc'antonio Bentegodi, foi o precursor do esporte na cidade, no século XIX.

Buscou sempre a disseminação do esporte entre os jovens de Verona, tendo deixado, na ocasião de sua morte, um testamento que destinava um quarto da sua herança para o financiamento dos esportes.

Por sua iniciativa, há até hoje na cidade a instituição Comunale Bentegodi, sociedade esportiva que procura promover o atletismo, ginástica, esgrima, musculação, natação e pólo aquático. Bentegodi é tão lembrado por lá, que tem em Verona uma rua e uma escola primária em sua homenagem, além do estádio inaugurado em 1963.

Renzo Barbera

Clube: Palermo
Capacidade: 36.980 pessoas

O estádio do Palermo foi um dos que mais mudou de nomes desde sua inauguração, em 1932. Inicialmente como Stadio Littorio, fazia homenagem ao governo fascita e, quatro anos depois, já trocava para Stadio Michele Marrone, pela memória do soldado morto durante a Guerra Civil Espanhola. No final da Segunda Guerra Mundial, seu nome mudou novamente, desta vez para o que viraria sua alcunha até hoje, La Favorita.

Em setembro de 2002, o clube decide homenagear seu ex-presidente, que havia falecido no mesmo ano. Barbera ficou no cargo por toda a década de 70, tendo saído em 1980, e, em seu mandato, o time conseguiu voltar para a primeira divisão, e chegou à duas finais da Copa da Itália. Em uma delas, de 1974, o Palermo perdeu de forma muito controversa, mas ainda permanece na memória dos fãs a postura de Barbera, o primeiro a estender a mão ao capitão da equipe adversária.

Maurizio Zamparini, atual presidente, já anunciou seus planos de construir um novo estádio para o clube rosanero.

Luigi Ferraris

Clube: Sampdoria e Genoa
Capacidade: 41.917 pessoas

Localizado no bairro de Marassi, de onde vem seu apelido, o estádio da cidade de Gênova homenageou um herói de guerra italiano.

Luigi Ferraris foi um jogador de futebol e militar italiano, que morreu durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915, tendo levado medalha por honra ao mérito. Antes de seguir carreira no exército, defendeu oas cores do Genoa, tendo usado a braçadeira de capitão da equipe até 1912. Foi para a guerra como voluntário, e alcançou o posto de tenente, tendo caído em campo de combate heroicamente após uma missão pelo seu país.

Angelo Massimino

Clube: Catania
Capacidade: 26.806 pessoas

O antigo Stadio Cibali mudou de nome em, em homenagem ao presidente que ficou no cargo por 25 anos. Com o investimento do empresário, o clube logo ascendeu para a Serie A, porém, um ano depois, ele renunciaria ao seu cargo, após volta para a Serie B. Voltou para a equipe dois anos depois, após má fase na segunda divisão italiana. Em 1983, o Catania voltaria para ficar entre os mais fortes. Quatro anos depois, ele novamente deixa o cargo, em 1987, após rebaixamento para a Serie C1, para voltar outra vez em 1992, salvando o clube da falência.

O dirigente faleceu em 1996, em acidente de carrro, e contou com mais de mil pessoas em seu funeral. Até hoje é lembrado entre os tocedores como o presidente que mais os representou, e o estádio ganhou seu nome em 2002. Tornou-se conhecido também por seu fraco conhecimento da língua italiana, prejudicado pela ascendência siciliana.

Olimpico di Roma

Clubes: Lazio e Roma
Capacidade: 82.922 pessoas

Um dos maiores estádios da Itália, a casa da Lazio e da Roma recebe o nome devido à sua grandeza e finalidade: é um local apto a receber jogos das Olimpíadas, e é a principal casa da seleção nacional italiana.

Inaugurado em 1937, e recebeu os Jogos Olímpicos de 1960 e Copa do Mundo de 1990, e será a sede da final da Liga dos Campeões de 2009, dia 27 de maio, entre Manchester United e Barcelona.

San Paolo

Clube: Napoli
Capacidade: 78.210 pessoas

O estádio que recebeu a semifinal da Copa do Mundo de 1990 entre Itália e Argentina, e viu a Azzurra cair nos pênaltis diante dos latinos, recebe o nome em homenagem ao apóstolo da religião católica.

A tradição do atual treinador da Argentina no Napoli é tão grande que, diz-se, o conselho da cidade votou pela alteração do nome do estádio de San Paolo para Diego Maradona, em homanagem ao ex-jogador que colaborou para os títulos da Seria A conquistados em 1987 e 1990. Porém, segundo as leis italianas, o edifício público não pode receber o nome de alguém que ainda esteja vivo, e os planos de agraciar a estrela argentina terão que esperar ainda alguns anos…

Stadio San Nicola

Clube: Bari
Capacidade: 58.248 pessoas

Mais um clube que homenagem aos santos, a cidade de Bari deu ao seu estádio o nome do padroeiro da cidade, São Nicolau, no local que recebeu a última partida da Azzurra, contra a Irlanda, em que a seleção italiana saiu de campo sob vaias de uma torcida desacreditada com o empate arrancado pelos visitantes, aos 42 minutos do segundo tempo.

O estádio é novo, foi construído em 1987, com arquitetura moderna, que parece conter 26 pétalas ao redor de suas dependências, de maneira a ficarem separadas. A ousada e vanguardista estética garantiu-lhe a alcunha de “Astronave”. Foi erguido no lugar do Stadio della Vittoria, e recebeu jogos importantes, como a disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 1990 entre Itália e Inglaterra, em que os donos da casa venceram por 2 a 1.

Friuli

Clube: Udinese
Capacidade: 41.652 pessoas

A casa dos Bianconeri fica na região de Friuli-Venezia Giulia, que possui as províncias de Udine, Pordenone, Gorizia e Trieste, daí o nome do estádio. O local também é utilizado para treinamentos de atletismo, artes marciais, ginásticas. Também recebeu jogos durante a Copa do Mundo de 1990, mas seu espaço é mais conhecido por ser utilizado para shows de grande público. Previamente, o estádio levava o nome do local onde se encontra, Rizzi, mas acabou sendo rebatizado depois para Stadio Comunale del Friuli, e finalmente o atual, Stadio Friuli.

Via del Mare

Clube: Lecce
Capacidade: 36.285 pessoas

O estádio do Lecce leva o nome da região em que se encontra, substituindo o anterior, Stadio Carlo Pranzo, que homenageava jovem da cidade morto na Primeira Guerra Mundial.

O local, inaugurado em 1966, passou por diversas reformas em 1985, quando o Lecce ascendeu à Serie A, para aumentar sua capacidade.

Atleti Azzurri D’Italia

Clube: Atalanta
Capacidade: 26.638 pessoas

O estádio de Bérgamo, situado na Viale Giulio Cesare, não é considerado dentro dos padrões impostos na Serie A, devido à fragilidade de suas instalações, má distribuição de suas áreas e pela falta de cobertura.

É um dos mais antigos da Itália, construído em 1928, sob o nome do fascista Mario Brumana, que caiu em Gallarate durante os movimentos que antecederam o advento do regime.

Comunale Sant'Elia

Clube: Cagliari
Capacidade: 39.905 pessoas

Após a conquista do primeiro e único titulo nacional da história do Cagliari, em 1970, o clube optou pela construção de seu novo estádio, tomando o lugar do antigo Amsicora.

O local ainda passou por reformas para receber a Copa de 1990. Na temporada de 2002/03, sofreu nova reformulação, para reduzir e aproveitar melhor seu espaço, já que a fraca campanha do clube não empolgava a torcida para comparecer aos jogos.

Olimpico di Torino

Clubes: Juventus e Torino
Capacidade: 25.370 pessoas

Inaugurado para a Copa do Mundo de 1934, o estádio inicialmente se chamava Stadio Mussolini, mas, após a Segundo Guerra Mundial, foi rebatizado de Stadio Comunale. Depois de reformas para os jogos Paraolímpicos e de Inverno de 2006, ele se chamaria Stadio Grande Torino, mas se manteve neutro para o uso das duas equipes. A Juventus aguarda a reconstrução do Stadio delle Alpi para voltar para casa.

Oreste Granillo

Clube: Reggina
Capacidade: 27.763 pessoas

Oreste Granillo foi grande político, ex-presidente da Reggina, e empresário. Morreu muito jovem, devido a uma grave doença.

O estádio, reinaugurado em 1999, chegou a trocar de nome várias vezes mas, o mais conhecido é o de Comunale.

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Equipe Trivela

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