Nice: Rubro-negro centenário

Quando Nice e Lyon entrarem no estádio du Ray, em 6 de agosto, a partida marcará mais do que o início da temporada 2004/5. Para os rubro-negros, nada melhor do que enfrentar os tricampeões franceses para comemorar uma data especial. Em 2004, o clube da Côte d’Azur completa 100 anos de existência. E pensar que toda esta história começou com a ginástica…

Na verdade, em 1904 foram lançados os primórdios da formação do atual rubro-negro. No começo do século passado, o futebol não passava de um esporte menor dentro da França, nem merecendo grande destaque da imprensa. Na cidade, havia o Football Vélo Club de Nice, clube poliesportivo mas forte no futebol. Suas cores eram o vermelho e o negro. No dia 5 de julho, na avenida Carlone, no bairro de Baumettes, nasceu o Gymnaste Club de Nice (GCN). O ancestral do Nice de hoje começou como um clube de ginástica e exercícios físicos, adotando o azul e o preto como suas cores oficiais.

O GCN agrupou outras modalidades, mas em 1908 o clube se dividiu em dois. Uma das partes, o Gimnastes Amateurs Club de Nice (GACN), filiou-se à União Esportiva Francesa de Esportes Atléticos. Logo o GACN criou um departamento de futebol. Em sua primeira participação em um torneio oficial, o time terminou em quinto na 3a divisão regional. Mas não demorou muito para os dois clubes voltarem a ser um só. Em 1910, ressurgiu o GCN, filiado à mesma entidade.

Enquanto isso, o Football Vélo Club de Nice mudou duas vezes de nome: FC Libertas (1912) e Football Athlétic Club de Nice (FACN, em 1913), sem obter resultados marcantes. Em campo, o GCN atingiu a 1a divisão regional em 1913/14. A Primeira Guerra interrompeu as atividades do clube até 1917. Em 1919, o FACN funde-se com o Gallia Sports de Nice para formar o Gallia Football Athlétic Club. Como o novo time não manteve o mesmo nível, o GCN decidiu fundir-se a ele.

Título suado

No ano de 1924, em 22 de dezembro, sairia de uma assembléia geral a decisão sobre a mudança do nome do clube. A partir de então, ele passaria a se chamar Olympique Gymnaste Club de Nice, denominação atual. O termo Olympique foi adotado por ser uma palavra na moda, em virtude dos Jogos Olímpicos realizados na França. Em homenagem ao antigo Football Vélo Club de Nice, foram mantidas as cores vermelha e negra.

O Nice participou do primeiro campeonato francês da era do profissionalismo, em 1932. No ano seguinte, cairia para a segunda divisão, mas acabou excluído dela. O motivo: a comissão do torneio, para agradar os times da região norte, impediu a participação das equipes do sul para evitar longas viagens. Por isso, o Nice viveu de amistosos neste período. O veto terminou em 35/36.

Nos anos da Segunda Guerra, o campeonato francês se resumiu a disputas regionais. O Nice venceu a liga do sudeste em 1940. Em 1943, o retorno do profissionalismo deu-se com equipes federais. O Nice fazia parte do time Nice-Côte dÁzur, dissolvido um ano depois. Campeões da segunda divisão em 47/48, o OGCN chegava pela primeira vez à elite do futebol nacional.

Os anos 50 trouxeram o período mais glorioso da história do Nice. Em 50/51, o primeiro título francês foi conquistado de maneira heróica. A campanha no início preocupava, pois após seis rodadas o time segurava a lanterna. A situação melhorou ao longo do torneio, mas a 13 rodadas do final o Nice ocupava a nona posição. Uma seqüência impressionante de vitórias impulsionou o time ao primeiro lugar, empatado com o Lille em número de pontos. A taça foi para a Côte d’Azur graças ao critério do goal average (1,587 contra 1,325).

Declínio financeiro

Em seguida, veio o primeiro bicampeonato da história do profissionalismo francês. Como se não bastasse, o Nice levou também a Copa da França de 1952, selando sua hegemonia. Outro título nacional veio em 55/56, e na disputa da Copa dos Campeões o Nice parou nas quartas-de-final, diante do poderoso Real Madrid. A temporada 58/59 trouxe o último título francês.

Depois deste período marcante, o Nice mergulhou aos poucos numa época sombria. Chegou a freqüentar por duas vezes a segunda divisão nos anos 60. Com a vinda de muitos jogadores estrangeiros com altos salários, a equipe recebeu o apelido nada glorioso de “milionários da Côte”. Como era de se esperar, em campo os resultados apareciam pouco. O Nice cumpriu campanhas regulares na liga nacional, terminado em posições intermediárias na tabela. Na década de 80, o Nice procurou manter-se na elite baseado em um elenco de jovens. A estratégia equivocada provocou novo rebaixamento em 82.

Passadas três temporadas, o Nice reencontrou a elite. Em 91, por culpa da crise financeira, o clube novamente caiu. Sem conseguir se firmar, o time subiu em 94 e voltou para a segundona em 97. Porém, neste ano o Nice quebraria o jejum ao trazer a Copa da França, vencida no Parc des Princes diante do Paris Saint-Germain em emocionante disputa por pênaltis.

A conquista não garantiu novos rumos ao clube. Um grupo de italianos passou a administrar o Nice a partir de 97/98, mas os resultados foram desastrosos. Com desempenho fraco, o time quase caiu para a terceira divisão. Houve intensa troca de técnicos e a chegada de vários jogadores de qualidade duvidosa contribuíram para esta performance fraca.

Os italianos deixaram o comando em 2001/2 e, coincidentemente, a situação melhorou. Terceiro colocado, o time obteve o passaporte para a primeira divisão. Porém, a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG) atravessou mais uma vez o caminho do time. Por conta de novos problemas financeiros, o Nice foi rebaixado para a terceira divisão. A direção do OGCN recorreu ao Comitê Olímpico francês e o Conselho Federal revogou a decisão da DNCG. De volta à elite, o Nice cumpre campanhas medianas. Mas o clube sonha voltar em breve ao mesmo domínio exercido nos anos 50.

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