Neeskens: O coadjuvante perfeito

Tal qual Johan Cruyff, Johan Neeskens é o símbolo de uma escola de futebol única, fenomenal, que inspirou toda a geração do futebol moderno. A escola do gênio holandês Rinus Michels, responsável por unir a simplicidade das peladas à vanguarda da preparação física, montando um esquema quase indestrutível. Decantadas são as qualidades de Michels, Cruyff e da Laranja Mecânica de 1974. O nome de Neeskens, embora pouco lembrado pela maioria dos fãs de futebol, alcançou um enorme reconhecimento entre os especialistas, os jogadores da sua época e os torcedores de Ajax e Barcelona.

Rinus Michels mandou o Ajax buscá-lo no Heemstede, em 1969, onde Neeskens apareceu como um lateral direito de grande capacidade física e boa técnica, tanto para o desarme quanto para o passe. Foi na lateral que jogou a final da Copa dos Campeões em 1971, quando seu time venceu o Panathinaikos.

Na temporada seguinte, Michels escalou o jogador no meio campo, aproveitando sua versatilidade – mesmo como zagueiro central ele chegou a jogar. Neeskens ganhou seus maiores títulos na máquina de futebol de Amsterdã, onde foi bicampeão holandês, da Copa da Holanda, tricampeão europeu e campeão mundial em 1972 – na partida decisiva contra o Independiente, marcou um dos três gols da vitória.

Neeskens era o carregador de piano ideal. Tinha extrema dedicação em campo, dava tudo de si para o time jogar com tranqüilidade. Com a bola nos pés, tinha leveza e alta qualidade técnica. Apesar de nunca ser um artilheiro, também fazia gols em partidas decisivas – como na fatídica final da Copa do Mundo de 1974, quando converteu um pênalti ainda no primeiro minuto. A atônita seleção alemã ainda não havia tocado na bola. O desfecho da história todos sabemos – Alemanha Ocidental campeã, seleção holandesa como um daqueles times históricos que nada venceram.

No Barcelona

Johan Neeskens, na época, disse que seu objetivo no Mundial era valorizar o seu passe no mercado internacional. O objetivo foi alcançado – sua atuação rendeu uma transferência para o Barcelona. Johan Cruyff virou ídolo no Camp Nou após conquistar o Campeonato Espanhol para o time azul-grená, acabando com um jejum de 14 anos. Ele e Michels pediram a contratação de Neeskens junto ao Ajax para a vaga de segundo estrangeiro.

Pelo Barça, Neeskens jogou 232 partidas, marcando 57 gols, entre 1974 e 1979. Este período não foi um dos mais vitoriosos na história do clube catalão: o Campeonato Espanhol foi dominado pelos clubes de Madrid, Atlético e Real, mas a Copa do Rei foi conquistada em 1978, permitindo a volta dos catalães ao cenário europeu. Uma volta honrosa: foram campeões da Recopa de 1979, numa final antológica contra o Fortuna Dusseldorf, na qual Neeskens foi um dos heróis.

O jogador era aclamado pelos torcedores mais fanáticos do Barça, devido a sua dedicação em campo. Entretanto, conflitos com a direção encerraram seu contrato, numa decisão polêmica que revoltou a torcida. Johan Segundo, como era chamado, foi ganhar dinheiro no New York Cosmos de Pelé, onde foi campeão americano em 1980.

Ele ficou nos EUA até 1982 e retornou ao clube do coração, o Ajax, aos 32 anos, mas sem a mesma forma. Jogou ainda no Groningen, voltou aos Estados Unidos e encerrou a carreira na Suíça, aos 40 anos.

Neeskens foi auxiliar técnico de Guus Hiddink na Copa de 1998, na qual a Holanda chegou às semifinais e causou polêmica ao mandar Passarella “de volta pra casa” após a vitória sobre a Argentina, nas quartas. Mágoas da Copa perdida para os argentinos 20 anos antes? Não se sabe.

Johan saiu da seleção em 2000, tornando-se treinador do pequeno NEC e levando o clube pela primeira vez a uma competição européia – a Copa Uefa 2003/4, na qual caiu na primeira fase. Para a Copa de 2006, Guus Hiddink mais uma vez convidou Neeskens para seu auxiliar técnico, desta vez na seleção australiana. O objetivo é melhorar as chances dos Socceroos na Copa do Mundo – se Neeskens chegar perto de algum dos seus outros resultados em Mundiais, será um feito histórico para a Austrália.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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