Não era só o Milan

Já se podia prever. Afinal de contas, só a conquista da Liga dos Campeões pela Internazionale evitou que a Itália já entrasse na temporada 2010/11 tendo somente três vagas em disputa para a Liga dos Campeões. E, de certa forma, a queda do futebol transalpino já se exibia, nos últimos tempos. Tanto pela perda de poder dos seus clubes, causada pelo escândalo devastador que foi o Calciopoli, quando pelo desempenho vexatório que uma seleção envelhecida protagonizou na última Copa do Mundo.
E o cenário desalentador para o Belpaese foi confirmado nesta semana. Na semana passada, o Milan já causara forte decepção, ao perder para o Tottenham e ver a chance de classificação às quartas de final na Liga dos Campeões diminuir bastante. E a continuação das oitavas da LC – bem como a definição dos duelos pelas oitavas da Liga Europa – deu a certeza de que o problema não era especificamente com o time rossonero, mas com os clubes como um todo.
Primeiramente, porque a Internazionale se revelou excessivamente recolhida contra o Bayern Munique, na reprise da partida que definiu a última Liga dos Campeões. Mesmo jogando em casa, e experimentando uma ascensão que reavivou as chances do hexacampeonato na Serie A, o time de Leonardo se portou em campo de maneira defensiva, na maior parte das vezes. Até teve momentos de maior pressão (como, por exemplo, na metade do segundo tempo), mas foi muito mais perturbado pelos bávaros. E, no final, o Bayern conseguiu o seu prêmio: um gol, obtido a partir de uma falha de Júlio César, que deixou o time em ótimas condições para conseguir a vaga na Allianz Arena.
Mas pior ainda foi ver o destino do Napoli, na Liga Europa. Mesmo que os Azuis tivessem de definir a classificação contra o Villarreal na Espanha, após o empate tenso e fechado no San Paolo, a possibilidade da vaga nas oitavas de final chegar era plausível. Tanto pelo ótimo desempenho dos Partenopei na temporada, como pelo alto equilíbrio existente entre as duas equipes. E o cenário pareceu ainda melhor, com o gol de Marek Hamsik que colocou os italianos em vantagem – e o alambrado do setor onde estava a torcida da equipe, abaixo.
No entanto, veio o empate de Nilmar, no final do primeiro tempo. As coisas ainda estariam sob controle (o empate com gols fora de casa dava a vaga à equipe de Walter Mazzarri, pelo 0 a 0 na ida), mas uma maior atenção era necessária. O azar não permitiu: pouco depois do primeiro gol, Giuseppe Rossi chegou à área e chutou cruzado, a bola desviou em Juan Camilo Zúñiga, e enganou Morgan de Sanctis, indo para as redes e sacramentando a virada do Villarreal. Cenário que o Napoli não conseguiu reverter. E assim caiu a primeira das três equipes italianas que ainda resistia nas competições europeias.
Já Internazionale e Milan, por sua vez, ainda têm uma chance. Mas será difícil, uma vez que ambos definirão as oitavas de final da Liga dos Campeões fora de seus domínios. E contra equipes em ascensão, como Tottenham (no caso rossonero) e Bayern (no caso nerazzurro). Mesmo que haja a vitória de ambos, já não será suficiente para evitar que a Alemanha continue à frente no ranking dos coeficientes da Uefa: enquanto os alemães têm 68,103, os italianos ficam com 59,981. O significado é que, para a temporada 2012/13, a Bundesliga dará quatro vagas na Liga dos Campeões, e a Série A perderia uma delas.
E, caso a Internazionale veja o sonho do bicampeonato se encerrar, e o Milan não resista à rapidez do Tottenham, o futebol italiano já não terá mais representantes nas competições europeias. Um cenário ruim como não se via desde a temporada 2000/01, quando, das quartas de final de Liga dos Campeões e Liga Europa em diante, já não havia mais italianos. Um fim triste e esperado para um país que ainda sofre com um cenário combalido.
Outras disputas
O último confronto histórico entre Rússia e Holanda ocorreu nas quartas de final da Euro 2008. E a equipe de Guus Hiddink aproveitou-se da rapidez, do esforço e da obediência tática para vencer uma cansada Oranje, fazendo 3 a 1. Tempos depois, agora são os clubes russos e holandeses que se encontram. E são duelos mais importantes.
Tendo perdido espaço para Rússia e Ucrânia nas competições europeias, os holandeses se beneficiaram de sorteios bastante benéficos (e, vá lá, de uma ligeira melhora de nível) para conseguirem um melhor desempenho na temporada. E caberá a Ajax e Twente tentarem ampliar essa retomada.
Tarefa mais difícil para os Tukkers: a vantagem de 2 a 0 sobre o Rubin Kazan, conseguida no jogo de ida, em Kazan, foi rapidamente destruída, quando Ansaldi e Noboa fizeram 2 a 0 para a equipe russa. Janssen e Douglas salvaram a classificação, mas desatenções desse tipo não serão permitidas contra o Zenit, uma das melhores equipes da competição.
Já o Ajax teve dificuldades mínimas contra o Anderlecht. E tem boas chances de voltar às quartas de final de uma competição da Uefa, contra o Spartak Moscou – que é um rival respeitável, contará com as voltas de Wellinton e Ibson, mas tem um nível muito parecido com o dos Godenzonen. E, como o PSV parece favorito contra o Rangers, a Holanda tem uma pequena chance de aumentar seu coeficiente na disputa contra russos e ucranianos.
A disputa também promete ser interessante entre Portugal (6º no ranking) e a França, que vem logo na frente. Tudo porque há um confronto direto entre os países na Liga Europa, com Benfica x Paris Saint-Germain. E as possibilidades portuguesas parecem mais otimistas, já que Lyon e Olympique de Marseille terão de definir sua sorte fora de casa, na Liga dos Campeões. E com dois grandes rivais, Real Madrid e Manchester United. É mais um confronto interessante entre países. Mesmo que suas seleções não se enfrentem.



