Nabi, morto em 2006, comanda o Bragantino de 2012 rumo ao acesso
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O Bragantino paga pouco, atrasa pouco, trocou todo o time para o segundo turno e conta com a presença de Nabi Abi Chedid para conseguir o acesso à Série A em 2012. Na final do campeonato, contra o Paraná, em Curitiba ele estará presente ao lado do filho, Marquinhos e, com certeza participará da volta olímpica, caso a vaga seja conquistada. Tudo muito natural, a não ser o fato de Nabi haver falecido em 27/11/2005, de câncer no pulmão, cinco anos antes do último jogo desse Brasileirão da Série B.
“Eu tenho sentido a presença do meu pai ao meu lado. É uma presença muito forte, não dá para duvidar. Não sou espírita, mas sinto que ele tem ajudado muito. Se a gente se classificar, ele vai comemorar também, como sempre fez”, diz Marquinhos, presidente do Braga.
Em 2008, Marquinhos mudou o nome do estádio de Marcelo Stefani (um ex-jogador) para Nabi Abi Chedid. Na camisa do clube, abaixo do escudo, está a inscrição “Eternamente Nabi”. Marquinhos foi criticado, mas tem certeza de haver agido gem. “Meu pai começou a comandar o Braga em 1958. Com ele, o time foi campeão paulista e vice-brasileiro. Como achar que não foi justo dar o nome dele ao estádio”?
Ele diz que o último pedido do pai foi muita luta para que o Braga, que devia 32 milhões não acabasse. Hoje, deve 5 milhões e está construindo um centro de treinamentos e um hotel. A receita, segundo Marquinhos foi austeridade. E a tomada de duas decisões administrativas.
1) o término das categorias de base – “Não adianta ficar revelando jogadores. Qual é a segurança que se tem? Revela e empresário leva embora. O Braga é um time pequeno que faz futebol profissional. Tem 30 jogadores e espera que todo ano consiga a venda de dois ou três, que podem dar lucro e fazer o time funcionar nos outros anos”.
2) Jogador ganha pouco – “Quando contrato um jogador, explico para ele que não vai ficar rico no Bragantino. Longe disso. Vai ganhar pouco. Vai ser parceiro do clube. Quando sair daqui, o dinheiro vai entrar na vida dele. O último exemplo é o Paulinho. Ganhava 4 mil aqui. Agora, deve faturar uns 200 mil no Corinthians.
Com essa premissa, os jogadores que chegam ao Bragantino tem, segundo Marquinhos, vontade de jogar e se doar ao clube. É o estilo também de Marcelo Veiga treinador há sete anos – exceção de uma passagem de um mês pelo Paulista de Jundiaí e que recentemente completou 350 jogos pelo clube.
A receita tem dado certo. Em 2007, o Bragantino foi terceiro colocado no campeonato paulista e vendeu Felipe, Moradei, Zelão, Kadu e Everton Santos ao Corinthians. Depois, vendeu Paulinho e, em 2012, o zagueiro Felipe.
Quando as coisas não dão certo, Marquinhos age rápido. Foi assim na Série B desse ano. O time terminou o primeiro turno com 21 pontos, na zona de rebaixamento. Agora, tem 58 e está em quarto lugar, na bica para subir. “Só ficou o Gilvan. Vieram o Lincom, o Astorga, o Romarinho e outros. O time mudou e chegou ao quarto lugar.
A situação é a seguinte:
Portuguesa – 75 pontos, campeã, pega Duque de Caxias em casa e Icasa, fora
Náutico – 63 pontos – Boa, fora, e Ponte Preta, em casa
Ponte Preta – 59 pontos – ABC em casa e e Náutico, fora
Bragantino – 58 pontos – ASA em casa e Paraná, fora
Vitória – 57 pontos – São Caetano, em casa, e ASA, fora
Sport – 55 pontos – Paraná, em casa, e Vila Nova, fora
O Braga só depende de suas forças. Marquinhos acha que é muito difícil. “O Braga é um time pequeno do interior e está enfrentando times gigantes e de grande torcida, como Vitória e Sport. Eu digo que é como comer churrrasco de elefante. Demora muito para fatiar a carne. Tem de ir pouco a pouco, jogo a jogo.”
Com Nabi segurando a faca, Marquinhos acredita que ficará mais fácil o trabalho de fatiar o elefante.