Metalist: terceira força ucraniana
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
Foram 20 anos de fracassos e insucessos, marcados por duas quedas à segunda divisão. Desde 1988, com o título da extinta Copa da União Soviética, a vida do pequeno e desconhecido ucraniano Metalist Kharkiv era um marasmo. A rotina do clube mudou com a terceira colocação no campeonato nacional da temporada passada.
A posição o levou para dois confrontos contra o mais poderoso e estruturado Besiktas, da Turquia. O vencedor do mata-mata ganharia uma vaga na fase de grupos da Copa da Uefa.
O Besiktas largou na frente e abriu vantagem. Venceu por 1×0 em Istambul e encaminhou a classificação. Na partida de volta, em Carcóvia, no leste da Ucrânia, o jogo do século. O Metalist reverteu. Fez 4×1 e carimbou passaporte para, finalmente, disputar um torneio internacional. A vitória teve peso de título. Com dois gols, a estrela foi o centroavante ex-Flamengo Jajá, de 22 anos. E os jogadores, que fizeram história, se tornaram ídolos.
Terceira força do futebol da Ucrânia, (bem) atrás de Dinamo de Kiev e Shakhtar Donetsk, o clube tem apenas três títulos em 83 anos de história. No ranking da Uefa, é o 148º, e no da Federação de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), o 277º. Até a sonhada e desejada qualificação para o segundo torneio mais badalado do planeta, só era notícia na imprensa européia por ser proprietário do Estádio Metalist, em reformas para a Euro 2012, cujos anfitriões serão Ucrânia e Polônia.
Mudar o nome para tentar mudar a história
A arrancada em 2008/09 jogou um balde de esperança nos torcedores do Metalist, chamados de azuis-amarelos e acostumados com as derrotas. São conhecidos assim em razão das cores do uniforme do clube, as mesmas da bandeira do país.
A trajetória na Copa da Uefa já é melhor do que a do ano passado, quando o Metalist foi eliminado pelo Everton, da Inglaterra, na fase classificatória. O momento também é favorável no campeonato nacional. Dez jogos, cinco vitórias, só duas derrotas e o terceiro lugar, com 18 pontos, sete atrás do líder Dinamo e seis à frente do Shaktar. O esqueleto da equipe é o goleiro Olexandr Goriainov, o zagueiro Papa Gueye, o meia brasileiro Edmar e os atacantes Marko Devi? e Jajá.
Foi preciso paciência para, finalmente, voltar a atravessar um período sem turbulências. A missão agora é manter as vitórias em Carcóvia por um bom tempo, o que jamais aconteceu. O sucesso sempre passou rápido demais pelo Estádio Metalist. Fora feitas até mesmo trocas no nome para tentar mudar a situação. Quatro desde a fundação, em 1925. KHPZ (1925-1946); Dzerzhinets (1947-1956); Avangard (1957-1965); Metallist (1966-1991) e FC Metalist Kharkiv desde 2002.
A primeira taça foi erguida em 1935. E o campeonato era o Torneio da Cidade, absolutamente inexpressivo. A segunda conquista veio 43 anos depois, com a Liga Soviética, em 1978. E a última e mais importante, a Copa da União Soviética, em 1988.
O exemplo dos maiores
A dissolução da União Soviética fez mal ao Metalist. O campeonato ucraniano foi criado em 1992, e teoricamente havia ficado mais fácil a conquista do título e as vagas nas competições européias. Porém, mal administrado e atolado em dívidas, o clube parou na segunda divisão. Caiu em 1994 e demorou quatro anos para subir. Desabou outra vez em 2003, voltando no ano seguinte.
O Dínamo de Kiev, ao contrário, aproveitou – e bem – o novo campeonato. Já o conquistou 12 vezes, e ruma, sem dificuldades, para a décimo terceiro. O segundo maior ganhador é o Shakhtar Donets'k, tetracampeão.
Depois de passar pelo estrondoso vexame de ser rebaixado em um campeonato com nível técnico baixíssimo, o Metalist resolveu copiar o modelo dos dois vencedores. Pelo menos em parte. Não há dinheiro no caixa para grandes investimentos e pré-temporadas no exterior. O que não impede algumas contrações modestas, mas bem feitas.
Os brasileiros no Desafio dos 20 Anos
Nos últimos anos, Dinamo e Shaktar têm buscado brasileiros. E a resposta tem sido satisfatória. O Metalist também apostou em atletas saídos daqui. E até agora deu certo. No início do ano, anunciou Jajá, com passagem pelo Flamengo, em 2006, e que tem média superior a um gol por jogo na atual temporada. E em 2007, havia contratado o meia Edmar, 28, ex-Internacional e Paulista.
Os dois são peças-chave para o Desafio dos 20 Anos, como a Copa da Uefa vem sendo rotulada na Ucrânia. Uma das zebras da competição, o Metalist sabe que suas chances são pequenas. Ainda mais que a fase quente, quando os terceiros lugares da Liga dos Campeões caem na disputa, sequer começou. Antes de pensar nela, o negócio é se concentrar em Hertha Berlim, Olympiacos, Benfica e Galatasaray, os adversários do grupo B. Três vão passar adiante. A luta para o Metalist começa em casa, em seis de novembro, diante do Hertha.