Meninos, Eu Vi…

Deixando um pouco de lado sua luta contra a impunidade no futebol, o jornalista Juca Kfouri apresenta uma faceta que muitas pessoas desconheciam: a do memorialista. Suas recordações estão presentes em sua mais nova obra, ´´Meninos, Eu Vi´´. Esse livro traz uma série de histórias que foram publicadas originalmente em sua coluna no jornal Lance! entre 2000 e 2001.

São 50 fascinantes histórias que reúnem lembranças do torcedor e do jornalista sobre o futebol brasileiro e mundial. Entre todos essas histórias, merece destaque a referente à Garrincha. Trata-se do conto em que Garrincha sai de campo consolando seu destemido adversário que fora expulso por não querer ser mais um João. Existem ainda outras histórias interessantes que envolvem Pelé.

Além de todos esses grandes jogadores, existem contos que envolvem pessoas menos conhecidas, mas que não deixam de propiciar momentos tão ou mais agradáveis que os relatados anteriormente. A insistência da tia libanesa em duvidar do talento do Tostão, sempre repetindo a mesma frase – ´´Esse Tostão… não sei, não´´ – ou a chuva de bagaços de laranjas sobre a cabeça do garoto corintiano são outras histórias legais.

Falando em Corinthians, Juca não consegue deixar seu lado torcedor de lado no livro. Nota-se pelo fato de a maioria das histórias envolverem o time do Parque São Jorge. Outro ponto em que o jornalista erra é ao não fornecer maiores detalhes sobre os lances descritos no livro. Chega a ser decepcionante não termos descrições mais detalhadas sobre a atuação de Pelé como goleiro do Santos ou o dia em que Sócrates fez chover no Morumbi.

Mesmo em obras saudosistas como esta, o jornalista não deixa de puxar um pouco para o lado da política do futebol. Fora esses detalhes, a leitura do livro é bastante agradável, nada cansativa. Talvez seja por causa do estilo objetivo do jornalista ou pelo fato das histórias não serem maiores do que duas páginas, proporcionando assim uma maior dinâmica na leitura.

Aliás, não posso esquecer de dizer que o prefácio do livro foi escrito por ninguém mais, ninguém menos que o jornalista Armando Nogueira. O mesmo Armando que junto com Tostão recomendou a obra como um livro gostosa de ler. Vindo de quem vieram os elogios, eu acho que não preciso dizer mais nada. Ou melhor, apenas uma coisa: meninos, não deixem de ler!

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