Matthäus: o craque da eficiência

No último dia 12, Cristiano Ronaldo ganhou o troféu de melhor jogador do mundo em 2008. O português foi o 13° jogador a receber o prêmio da Fifa. O primeiro foi o alemão Lothar Matthäus, em 1991. Matthäus nunca foi um gênio da bola, mas se notabilizou como um dos maiores jogadores da história do futebol alemão, além de ter um currículo como o de poucos. Ele é o atleta com mais partidas na história das Copas do Mundo, foram 25, e é, ao lado do goleiro mexicano Carbajal, o único a participar de cinco mundiais. Pela seleção alemã, é quem mais atuou, com 142 partidas. Sem falar, é claro, de seus inúmeros títulos ao longo da carreira, onde ganhou quase tudo o que era possível. Certa vez, ao analisar a sua vida futebolística, Matthäus disse a seguinte frase: “Nunca fui um artista da bola, apenas um obcecado pela eficiência”.

Matthäus iniciou a carreira profissional no Borussia Mönchengladbach, em 1979. Meio-campista completo e dono de um potente chute, ele logo foi convocado para a seleção alemã que disputou a Eurocopa de 1980. Porém, a sua estreia não foi muito animadora. Na partida contra a Holanda, pela primeira fase daquela Euro, a Alemanha vencia por 3 a 0. Foi quando, aos 28 minutos do segundo tempo, Matthäus, então com 19 anos, entrou no lugar de Bernhard Dietz. Cinco minutos depois, ele cometeu um pênalti, que resultou no primeiro gol da Holanda, que faria o segundo pouco tempo depois. Para a sorte do garoto, a Alemanha venceu aquele jogo por 3 a 2 e, posteriormente, ficou com o título europeu. Mas Matthäus não participou de nenhum outro jogo daquela campanha. Tempos depois, ele resumiu assim aquela atuação: “Não acertei nada e, se perdêssemos o título, não sei o que seria da minha carreira”.

Nos anos seguintes, Matthäus continuou se destacando no Borussia e sendo convocado para a seleção. Em 1982, ele participou de sua primeira Copa do Mundo, na Espanha, onde atuou em apenas duas partidas da primeira fase, nenhuma como titular. Do banco, viu a sua equipe perder a final para a Itália, por 3 a 1.

Em 1984, Matthäus foi negociado com o Bayern de Munique. E logo na sua primeira temporada no maior clube do país, ele conquistou o primeiro de seus sete títulos alemães, marcando 16 gols em 33 jogos, uma ótima média para um meia. Na Copa do Mundo do México, em 1986, ele já era um dos destaques da Alemanha. Ao longo da campanha fez apenas um gol, mas de grande importância. Foi nas oitavas-de-final, diante da seleção de Marrocos, qiuando ele garantiu a vitória alemã por 1 a 0, aos 43 minutos do segundo tempo. A Alemanha acabou novamente com o vice-campeonato, após perder para a Argentina na final, por 3 a 2.

Em 1988, já tricampeão nacional pelo Bayern e um dos principais jogadores do mundo, Matthäus foi vendido para a Internazionale junto com o seu companheiro de clube e de seleção, Andreas Brehme. Em sua primeira temporada na Itália ganhou o Scudetto, encerrando um jejum de nove anos da equipe de Milão, onde ainda venceria a Supercopa Italiana de 1989 e a Copa Uefa de 1991.

Aos 29 anos e vivendo o melhor momento da carreira, Matthäus foi a cara da Alemanha campeã mundial em 1990, na Itália. Na Copa que para muitos foi a pior de todos os tempos, ele foi o capitão e o artilheiro da Alemanha, com quatro gols. Como nenhuma seleção foi brilhante, a eficiência característica da Alemanha e de Matthäus fez a diferença.

Já consagrado pelo título mundial e pelo prêmio de melhor jogador do mundo de 1991, Matthäus voltou ao Bayern de Munique em 1992. Após sofrer com sérios problemas no joelho e passar por duas operações no tendão de Aquiles, em 1995, ele passou a atuar mais recuado, como líbero. Apesar de medir 1,73 m, o jogador teve destaque na nova função. Pelo Bayern, conquistou mais quatro títulos nacionais, em 94, 97, 99 e 2000, além da Copa Uefa de 96. Pela seleção, ainda participou da Copas de 94 e 98, que garantiram a Matthäus todos os recordes já citados aqui. Após deixar o Bayern, em 2000, ele ainda teve uma passagem pelo New York Metrostars, dos EUA, onde encerrou a carreira no final daquele ano.

O único título relevante que Matthäus não conquistou ao longo da vitoriosa carreira foi o da Liga dos Campeões, que ele perdeu por questão de minutos em 1999. Na ocasião, o seu Bayern vencia a final diante do Manchester United por 1 a 0. Aos 40 minutos do segundo tempo, Matthäus, então com 38 anos, foi substituído. Foi quando o time inglês conseguiu a inacreditável virada, com dois gols já nos acréscimos, ambos de bolas levantadas na área. É claro que hoje é fácil afirmar que a substituição foi um equívoco. Mas é impossível imaginar um time com Matthäus em campo levar dois gols seguidos, ainda mais daquela maneira. Sorte do futebol, que teve um de seus momentos mais eletrizantes. Azar do troféu da LC, que não teve a honra de ser erguido por Lothar Matthäus.

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