Maomé e o Schalke

“Maomé era um profeta / Que não entendia nada de futebol / Mas de todas as cores possíveis / Ele escolheu o azul e o branco”.

A estrofe faz parte do hino do Schalke 04, “Azul e Branco, como te amo”, entoado pelos torcedores antes de todas as partidas em Gelsenkirchen. Ele foi criado em 1924, e o texto editado em 1963. E agora, depois de tantos anos, começaram as reclamações de parte da comunidade muçulmana, sentindo-se ofendida.

A letra é adaptada de um antigo canto de caça do final do século XVIII, que dizia “Maomé é meu senhor! Ele conhecia a verdadeira beleza. Ele, para quem apenas o verde era sagrado entre todas as cores”.

O clube confirmou ter recebido cerca de 350 emails. O conselho islâmico da Alemanha pediu que os Azuis Reais tomem uma atitude, mas há quem tema uma reação forte da torcida caso se imponha o fim do canto tradicional.

Se a Alemanha tem uma população muçulmana estimada em 4 milhões, a maior parte de origem turca, por que só agora a celeuma? A explicação pode vir de um episódio recente que aguçou a sensibilidade islâmica.

No último dia 1º de julho, a egípcia Marwa el-Shirbini foi morta a facadas por um extremista de direita em um tribunal de Dresden, gerando acusações do mundo islâmico sobre um suposto antisemitismo alemão. Um tema delicado no país por razões óbvias.

A revolta parece exagerada. O Schalke tem histórico de contar com jogadores turcos – incluindo um no elenco atual, o atacante Halil Altintop.

A referência a símbolos religiosos, aliás, não é novidade. Em 1960, quando Testemunhas de Jeová divulgaram cartazes em Gelsenkirchen com os dizeres “Ninguém pode passar por Jesus”, um grupo de torcedores escreveu abaixo “exceto Stan Libuda”, referindo-se a um ídolo do clube na época.

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